Tom Zé: livro sobre o baiano que virou cidadão paulistano é lançado em SP
Reprodução/Instagram/Tom Zé
São Paulo - Às vésperas de celebrar 90 anos – que serão completados em outubro –, o compositor Tom Zé é homenageado no livro “São, São Paulo Meu Amor – Tom Zé, Cidadão Paulistano” (Editora Autonomia Literária), que será lançado nesta sexta (1º), na Feira do Livro da Rua Rocha, em São Paulo.
O evento contará com a presença do próprio músico, que participará de um bate-papo mediado pela jornalista Pérola Mathias.
A obra, que será distribuída gratuitamente durante o lançamento, compila os textos de artistas e intelectuais que discursaram durante a cerimônia de entrega do título de Cidadão Paulistano a Tom Zé, em setembro do ano passado.
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Entre os autores, estão Valter Hugo Mãe, José Miguel Wisnik, Maria Adelaide Amaral, José de Souza Martins, Luiz Galina, José Renato Nalini, Júlio Medaglia, integrantes do bloco carnavalesco Abacaxi de Irará, além do arquiteto e urbanista Nabil Bonduki, organizador do livro.
Bonduki concedeu o título a Tom no final de seu primeiro mandato como vereador, em 2004, mas a homenagem só ocorreu 21 depois.
Foi realmente uma coisa inesperada”, diz Tom Zé, sobre ter recebido esse título, em entrevista exclusiva ao VIVA.
Da Bahia para São Paulo
Baiano de Irará mais paulistano do que muitos que nascem na cidade, o músico chegou a São Paulo em 1968, trazido pelo amigo Caetano Veloso. Na capital paulista, eles fizeram história como expoentes do movimento tropicalista, ao lado de nomes como Os Mutantes (de Rita Lee, Sérgio Dias e Arnaldo Baptista), Gal Costa, Gilberto Gil, Rogério Duprat, Hélio Oiticica e Torquato Neto.
Tom conta sobre sua rotina como jovem músico recém-chegado à cidade:
O Caetano ficava comigo acordado até meia-noite. Aí eu ia para casa e dormia até de manhã. Como eu não tinha música para fazer um disco, eu fazia música de manhã e levava de tarde para Caetano.”
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Foi também em São Paulo que ele conheceu Rita Lee, sua parceira na canção “2001”, apresentada pelos Mutantes no 4º Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, em 1968, com participação de Gil.
Apesar de ter passado em primeiro lugar no vestibular na Escola de Música da Universidade Federal da Bahia – e ter sido um de seus alunos mais brilhantes –, foi em São Paulo que Tom Zé construiu e consolidou sua obra.
Como cronista da metrópole, habilidade que herdou um pouco de seus tempos como aspirante a jornalista, ele fez canções como o hino tropicalista "São, São Paulo, Meu Amor" – vencedora do 4º Festival da TV Record –, "A Briga do Edifício Itália com o Hilton Hotel" e "Augusta, Angélica e Consolação".
Amada Irará
Mesmo tendo um coração paulistano ainda pulsando pela cidade, as memórias de Tom sempre o levam de volta à sua amada Irará, no interior da Bahia, que transformou sua infância em uma universidade de línguas, como ele descreve.
Um belo dia, inventei de aprender a língua do povo que eu atendia no balcão."
"Meus irmãos todos atendiam também, porque todo mundo trabalhava com o pai naquele tempo. Meu pai tinha uma loja, que era especialmente preferida pelo povo da roça”, recorda.
Depois, ele aprendeu a língua dos universitários, convivendo com os tios, ao passar férias na casa do avô.
Pois eu não ia dormir: eu ficava passando as palavras na cabeça para ver se eu estava compreendendo realmente o que estava ouvindo lá.”
E ao mudar-se para Salvador para estudar, Tom Zé diz que “em vez da língua que toda pessoa sabe, sabia falar três línguas diferentes”. Mas foi ao chegar a São Paulo que ele aprendeu o quarto idioma: aquele capaz de decifrar e traduzir a "dura poesia concreta de tuas esquinas", como diria o amigo Caetano. É essa gramática urbana que ele carregou, para sempre, em sua obra.
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Serviço
Lançamento do livro “São, São Paulo Meu Amor – Tom Zé, Cidadão Paulistano”
Data: 1° de maio, Às 17h
Local: Feira do Livro da Rua Rocha
Endereço: Rua Rocha, 300, Bixiga, São Paulo
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