79% dos consumidores não sabem que remédios têm preço máximo, diz Procon
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São Paulo - Um novo levantamento realizado pelo Procon-SP expôs as contradições e os desafios enfrentados pelos consumidores na hora de comprar medicamentos. A pesquisa, conduzida em maio de 2026, mostra que 79% das pessoas que adquirem remédios não sabem que o governo estabelece um limite para as cobranças, o chamado Preço Máximo ao Consumidor (PMC).
O PMC é definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e divulgado pela Anvisa. A desinformação sobre esse direito básico piorou no último ano, subindo de 74,82% em 2025 para 79,13% em 2026.
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O que é o PMC?
O Preço Máximo ao Consumidor é o valor máximo permitido para venda ao consumidor e inclui os impostos incidentes. O PMC deve ser praticado pelas farmácias e drogarias.
Além da lista no site da Anvisa (www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/cmed/precos/capa-listas-de-precos), os consumidores contam com revistas de preços de medicamentos que as farmácias são obrigadas a disponibilizar. Esses guias não são panfletos publicitários; os valores neles contidos refletem descontos da indústria e podem ser menores que os teto estabelecido, mas nunca superiores.
Impacto no bolso
Embora desconheça a regulação de preços, a população sente o peso no orçamento familiar. A alta dos custos já forçou 88,10% dos compradores a desistirem de levar um medicamento para casa. Como estratégia de sobrevivência financeira, pesquisar valores antes de fechar a compra tornou-se uma regra para quase 95% dos entrevistados.
A necessidade de poupar também tem alterado a relação com as prescrições médicas. Atualmente, metade dos consumidores (50,20%) admite que substitui o remédio receitado pelo médico por um genérico ou por uma alternativa mais barata no balcão da farmácia.
Apenas cerca de 31% ainda compram exatamente a marca ou o produto indicado pelo profissional de saúde. No caso de remédios que não exigem receita, a escolha costuma ser guiada pela experiência própria do paciente ou por indicações do farmacêutico.
Compras online
A pesquisa apontou ainda outras mudanças expressivas no comportamento de compra. O modelo híbrido de consumo — usar tanto lojas físicas quanto os canais online da mesma farmácia — cresceu e já representa quase 40% da preferência do público, o que ajudou a derrubar a exclusividade de compras apenas nas grandes redes físicas.
Além disso, aumentou a percepção pública de que as campanhas publicitárias incentivam a perigosa prática da automedicação, saltando de 66,10% em 2025 para mais de 70% este ano.
Dados para descontos
Além disso, para conseguir preços melhores, o brasileiro tem entregado seus dados pessoais com facilidade, mas sem ter clareza sobre os riscos. Mais de 71% dos clientes afirmam fornecer o CPF sempre que o estabelecimento oferece um desconto.
Nessa troca, o grande problema é a falta de transparência: 54,29% não fazem ideia de como a farmácia trata essas informações e 35,24% dizem ter dúvidas sobre o assunto.
Diante desse cenário, o Procon-SP alerta que as drogarias precisam ir além do simples aviso de "cadastro para desconto" e se adequar à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
As empresas devem informar claramente aos clientes se seus CPFs e históricos de compras estão sendo repassados para laboratórios, hospitais ou convênios médicos, e se há lucro em cima desse compartilhamento. O órgão reforça que questionar o uso dos próprios dados é um direito e um dever do consumidor.
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