Anvisa aprova 1º remédio sem hormônio contra fogacho; veja como ele age
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São Paulo - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro do Veoza (fezolinetanto), o primeiro medicamento sem hormônios desenvolvido especificamente para combater os sintomas vasomotores (SVM) de moderados a intensos, conhecidos popularmente como fogachos.
O remédio, produzido pelo laboratório Astellas Farma, é um comprimido de uso diário que oferece uma alternativa para mulheres que estão na transição para a menopausa ou já na pós-menopausa.
Até então, o tratamento mais comum para suores noturnos e ondas de calor era a reposição hormonal. Contudo, o novo fármaco atua de forma distinta, focando diretamente nos circuitos cerebrais.
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Como o remédio age no corpo
Diferentemente das terapias tradicionais, o fezolinetanto não repõe o estrogênio. Ele atua no hipotálamo, a região do cérebro que regula a temperatura corporal. Isso porque, na menopausa, a queda de estrogênio rompe o equilíbrio com a neurocinina B, uma substância química cerebral.
Esse desajuste faz com que os neurônios disparem "falsos alarmes" de calor, gerando rubor e suores que podem durar, em média, mais de sete anos. Dessa forma, o medicamento bloqueia o receptor onde a neurocinina B se liga, estabilizando novamente o termostato do corpo.
Alternativa para grupos de risco
Para especialistas, a aprovação é um marco para pacientes que possuem restrições médicas. Cerca de 80% das mulheres entre 40 e 65 anos sofrem com esses sintomas.
O mastologista e coordenador do Departamento de Ginecologia Endócrina da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), João Bosco Ramos Borges, explica que a nova droga é fundamental para quem não pode se beneficiar da terapia de reposição hormonal.
Conforme detalha o especialista, o declínio dos hormônios femininos tem repercussão direta nos circuitos que controlam o calor. Em análise sobre o novo tratamento, Borges afirma: “O fezoniletanto desponta como alternativa para mulheres que não podem fazer reposição hormonal, devido a contraindicações como câncer de mama, infarto e histórico de trombose”.
Eficácia do medicamento
A decisão da Anvisa foi baseada em estudos clínicos que envolveram mais de 3 mil participantes. Os dados mostraram que o uso de uma dose diária de 45 mg trouxe resultados progressivos:
- Em 4 semanas: redução de 55% na frequência dos sintomas;
- Em 12 semanas: a melhora chegou a 64%, reduzindo a intensidade dos episódios para níveis leves ou moderados.
Além do alívio térmico, as pacientes relataram benefícios na qualidade do sono e uma diminuição no impacto negativo dos sintomas nas atividades diárias e no trabalho.
Quando o remédio chega às farmácias?
Apesar da aprovação oficial ter ocorrido nesta semana, o Veoza ainda não tem uma data definida para chegar ao consumidor final. O próximo passo é a definição de preços pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Somente após esse processo o laboratório poderá iniciar a comercialização no mercado brasileiro.
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