Remédios para dormir: quando o uso contínuo se torna perigoso?
Foto: Envato Elements
São Paulo - O uso de medicamentos para dormir tem se tornado comum, especialmente entre os idosos. Segundo a pesquisa Vigitel 2025, divulgada pelo Ministério da Saúde no final de janeiro, a população de 65 anos ou mais apresenta a maior frequência de sono curto entre todas as faixas etárias.
O uso de remédios ajuda pessoas com problemas reais de insônia, mas o uso contínuo sem acompanhamento médico tem riscos, desde a dependência à piora da própria insônia, principalmente para pessoas com mais de 50 anos.
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Em entrevista ao VIVA, o psiquiatra e psicogeriatra Gustavo Omena pontuou que esses remédios têm um papel importante, mas precisam ser usados com critério e acompanhamento.
Quando o remédio é indicado?
Os medicamentos para dormir são recomendados quando a insônia passa a causar prejuízo real à vida do paciente. Segundo o médico, quando há:
- cansaço persistente;
- irritabilidade;
- piora da memória;
- piora do humor;
- piora da qualidade de vida.
O ideal é que o remédio não "apague" o cérebro, mas facilite o processo natural de adormecer: reduzindo a ativação cerebral e diminuindo o estado de alerta, aponta Gustavo. Na grande maioria dos casos, o uso da medicação é temporário enquanto se trata a causa da insônia.
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O problema da automedicação
Apesar da necessidade de acompanhamento, a automedicação ainda é frequente. De acordo com o médico, as pessoas recorrem sozinhas principalmente a remédios que já usaram antes ou que foram indicados por conhecidos.
Outro ponto crítico é a compra de medicamentos controlados no mercado paralelo, sem avaliação médica, explica ele.
O problema é que o uso de algumas classes medicamentosas sem orientação pode levar à dependência, piora da qualidade do sono e até aumento do risco de quedas e confusão mental, principalmente em pessoas acima dos 50 anos."
Uso prolongado
Tomar mais remédio do que o necessário, seja em dose maior ou por mais tempo, pode trazer uma série de consequências. Entre os principais riscos estão:
- tolerância (quando o efeito diminui com o tempo);
- dependência;
- prejuízos ao fígado;
- sonolência diurna excessiva;
- lapsos de memória e confusão;
- tontura;
- maior risco de quedas;
- piora da insônia.
Segundo o médico, alguns comportamentos acendem o alerta para possível vício. Entre eles:
- necessidade de aumentar a dose para obter o mesmo efeito;
- dificuldade de dormir sem o medicamento;
- ansiedade ou desconforto ao tentar reduzir;
- uso contínuo por longos períodos sem reavaliação médica.
Quando procurar ajuda?
A recomendação é buscar orientação sempre que houver mudanças na resposta ao tratamento, principalmente se o paciente sente que não consegue mais dormir sem o remédio.
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“Sempre que perceber que o remédio não está funcionando como antes, se está precisando aumentar a dose ou tendo efeitos colaterais, é hora de reavaliar”, diz o especialista.
Ele destaca ainda que existem diferentes classes de medicamentos, algumas mais seguras e outras com maior potencial de dependência, o que reforça a importância do acompanhamento profissional.
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Como fazer o desmame?
A interrupção do uso deve ser feita de forma gradual e sempre com orientação médica. “A retirada abrupta pode piorar a insônia, ansiedade e causar até sintomas físicos”, explica Omena.
O processo geralmente envolve redução progressiva da dose, ajustes na rotina de sono e, em alguns casos, substituição por alternativas mais seguras. Mais do que suspender o remédio, o objetivo é reeducar o cérebro.
O mais importante é entender que o objetivo não é apenas tirar o remédio, é reensinar o cérebro a dormir naturalmente”, conclui.
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