Bilionários estão mais velhos: idade média chega a 66,8 anos, diz Forbes
Shangri-la Hotels/Divulgação
São Paulo - Casos de sucesso sobre jovens empreendedores e novos milionários, geralmente ligados ao setor de tecnologia, com frequência se destacam no noticiário econômico. Mas essa é apenas uma parte da história. O retrato demográfico dos maiores patrimônios do mundo aponta em outra direção: a riqueza global está envelhecendo.
Dados reunidos sobre o ranking mundial da Forbes mostram que empresários com mais de 90 anos continuam ocupando posições de destaque e mantendo participações em grandes grupos dos setores de alimentos, hotelaria, investimentos, tecnologia, imóveis e mineração.
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No topo da lista está Robert Kuok, de 102 anos. Considerado o homem mais rico da Malásia, ele construiu um conglomerado com atuação em commodities, logística marítima e hotelaria. Conhecido como o “Rei do Açúcar da Ásia”, Kuok também é o dono da rede de hotéis de luxo Shangri-La, cuja presença está concentrada na China (são mais de 60 unidades no país) e em capitais asiáticas como Singapura e Hong Kong, e possui patrimônio estimado em US$ 11,5 bilhões.
O segundo colocado é Stephen Jarislowsky, de 100 anos. Nascido na Alemanha, ele imigrou para o Canadá e fundou, em 1955, a gestora Jarislowsky Fraser. Sua fortuna é estimada em US$ 1,8 bilhão.
Entre os nomes mais conhecidos do grupo está Warren Buffett, de 96 anos. À frente da Berkshire Hathaway, o investidor possui o maior patrimônio entre os dez bilionários mais longevos, estimado em US$ 142 bilhões. Segundo os dados do levantamento, mais de 90% de sua fortuna foi acumulada depois dos 65 anos.
A lista também reúne empresários ligados a alguns dos principais setores da economia mundial. Kushal Pal Singh, de 95 anos, construiu sua fortuna no mercado imobiliário indiano por meio da DLF Limited. Na mesma faixa etária está Morris Chang, fundador da TSMC e um dos principais nomes da indústria de semicondutores.
Donald Bren, de 94 anos, aparece entre os mais velhos com patrimônio estimado em US$ 18 bilhões e atuação no mercado imobiliário por meio da Irvine Company. Leonard Lauder, de 93 anos, construiu sua fortuna no setor de cosméticos de luxo, ligado à Estée Lauder.
Dennis Washington, de 92 anos, é outro representante do grupo, com negócios em mineração e logística. Aos 91 anos, Reinhold Würth aparece como um dos nomes mais ricos da lista, com patrimônio estimado em US$ 33 bilhões. O empresário assumiu uma pequena loja de parafusos na Alemanha aos 19 anos e a transformou no Würth Group, um grupo industrial global.
Fecha o grupo Charles Koch, de 90 anos, líder de um dos maiores conglomerados industriais de capital fechado do mundo. A Koch Industries atua em áreas como refino, produtos químicos, papel e minerais, e a fortuna de Koch é estimada em US$ 65 bilhões.
Idade média dos bilionários aumentou
O envelhecimento não se limita aos nomes que ocupam o topo da lista dos mais longevos. Os dados históricos do ranking indicam uma mudança gradual no perfil etário dos bilionários globais entre 2016 e 2026.
Em 2016, a idade média geral era de 63,1 anos. Dez anos depois, em 2026, o indicador chegou a 66,8 anos — um avanço de 3,7 anos no período.
Ao mesmo tempo, cresceu a participação de bilionários com 70 anos ou mais. Eles representavam 33% do total em 2016 e passaram a responder por 42,7% em 2026.
Na outra ponta, a presença dos mais jovens diminuiu. A parcela de bilionários com menos de 50 anos caiu de 14,2%, em 2016, para 8,9%, em 2026.
Nesse mesmo intervalo, o número total de bilionários no mundo também aumentou. O ranking passou de 1.810 nomes, em 2016, para 3.428 em 2026.
Os dados apontam, assim, para uma transformação simultânea: a população de bilionários cresceu e, em média, ficou mais velha.
Longevidade e patrimônio acumulado
O cenário atual mostra que expectativa de vida e patrimônio caminham cada vez mais próximos. A explicação para o aumento da idade do ranking se baseia em três movimentos principais.
O primeiro está relacionado ao aumento da expectativa de vida e ao acesso a cuidados médicos mais avançados. Medicina de precisão, genética preventiva e acompanhamento constante são apontados como fatores que permitem a fundadores manter capacidade de gestão e controle acionário até idades mais avançadas.
Outro elemento é a transferência de riqueza entre gerações. A morte de empresários históricos abriu espaço para herdeiros que passaram a ocupar posições relevantes entre os maiores patrimônios do mundo, muitas vezes já em faixas etárias entre 55 e 75 anos.
O terceiro fator é o efeito da acumulação de patrimônio ao longo do tempo. Empresas consolidadas, com operações duradouras e geração constante de caixa, podem continuar crescendo durante décadas, fazendo com que o pico da riqueza seja alcançado em fases mais maduras da vida.
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