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Casos de diabetes tendem a aumentar em países de alta renda, aponta estudo

Países de alta renda terão aumentos consideráveis, com mais de 100.000 pessoas adicionais vivendo com diabetes tipo 1, aponta estudo internacional

Bianca Bibiano

Por Bianca Bibiano

31/08/2026 | 13h09

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Segundo o levantamento, casos de diabetes tipo 1 no mundo passarão de 9,4 milhões em 2025 para 12,1 milhões em 2049 - Envato
Segundo o levantamento, casos de diabetes tipo 1 no mundo passarão de 9,4 milhões em 2025 para 12,1 milhões em 2049
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São Paulo - O número de pessoas vivendo com diabetes tipo 1 no mundo deve aumentar 29%, passando de 9,4 milhões em 2025 para 12,1 milhões em 2049. Além disso, estima-se que o número de novos casos por ano aumentará 14% no mesmo período. 

O levantamento é uma prévia de pesquisa a ser apresentada na Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), evento que começa este mês em Milão, na Itália, e terá cobertura do VIVA. O estudo é liderado pelo pesquisador Anders Green, do Steno Diabetes Center Odense, na Dinamarca.

Países de alta renda podem ser mais afetados

De acordo com o estudo, a prevalência de diabetes tipo 1 poderá ser ainda mais alta em países de alta tenda. No Reino Unido, por exemplo, prevê-se um aumento de mais de 100.000 casos, passando de 313.725 para 420.551, enquanto os Estados Unidos (EUA) terão um aumento de mais de meio milhão, de 1,4 milhão para mais de 2 milhões de pessoas.

Já na Itália é previsto um aumento de 16%: prevê-se que 239.145 pessoas vivam com a doença no país europeu em 2049. 

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Os autores sugerem que as razões para as altas taxas de incidência de diabetes nesses países, bem como Austrália, Alemanha e França são, provavelmente, uma combinação de genética, gatilhos ambientais e também altas taxas de detecção de casos, devido à infraestrutura de saúde presente nesses locais.

Por outro lado, embora países de baixa renda como a Tanzânia vejam a taxa de novos casos por ano dobrar (de 3.275 para 6.177 por ano entre 2025 e 2049), os números absolutos de pessoas vivendo com diabetes tipo 1 ainda serão relativamente baixos em comparação aos mais desenvolvidos. Os exemplos analisados incluem Austrália, Reino Unido, EUA, Alemanha, Itália, França, Índia, África do Sul, República Unida da Tanzânia, Moçambique, Japão e China. 

Diabetes no Brasil

Embora a maioria das pessoas com diabetes tipo 1 viva em países de alta e média renda, o maior aumento relativo nos casos deve ocorrer nos de baixa renda, à medida que o acesso à insulina, ao monitoramento de glicose e a sobrevida melhorem nessas nações.

O estudo não considera dados da América Latina, porém, segundo dados da pesquisa nacional Vigitel 2025, o número de adultos brasileiros diagnosticados com diabetes teve um aumento de 135% entre os anos de 2006 e 2024, passando de 5,5% para 12,9%.

Já o Atlas de Diabetes da Federação Internacional de Diabetes (IDF), divulgado em 2025, aponta que o Brasil possui 16,6 milhões de pessoas de 20 a 79 anos com diabetes. O número coloca o País na sexta posição no ranking global de nações com mais casos da doença.

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O que é diabetes tipo 1?

O Diabetes Melito tipo 1 (também chamado de diabetes mellitus) é uma doença crônica não transmissível e hereditária, caracterizada pela destruição das células do pâncreas responsáveis pela produção e secreção de insulina, o que resulta em uma deficiência na secreção deste hormônio no organismo.

O pico de incidência ocorre em crianças e adolescentes, entre 10 e 14 anos, e, menos comumente, em adultos de qualquer idade, embora o diagnóstico em pessoas adultas também seja recorrente.

Entenda o levantamento sobre diabetes tipo 1 no mundo

Diferentemente de estimativas anteriores, o modelo proposto pela nova estimativa global leva em consideração os padrões históricos de disponibilidade de insulina e visa fornecer dados específicos por país sobre incidência, prevalência e mortalidade de 1900 a 2050.

O modelo utiliza dados disponíveis sobre incidência da doença, distribuição etária e sobrevida da população, combinados com premissas sobre incidência específica por idade, mortalidade e o ano de introdução da insulina em cada país. Ele foi validado a partir de dados de registros populacionais da Dinamarca e da Escócia.

Em um futuro próximo, informam os pesquisadores, a ferramenta estará disponível como um sistema online de acesso aberto, permitindo que os usuários criem cenários epidemiológicos específicos para cada país alterando variáveis.

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Estima-se que a faixa etária de 0 a 19 anos represente 42% dos casos incidentes em 2025, variando de 37% nos de alta renda a 49% nos de baixa renda. No mesmo ano, essa faixa etária respondeu por 15% das mortes globais na população com a doença. 

Ainda segundo o estudo, os dados epidemiológicos sobre a doença são limitados e especialmente escassos em países de baixa e média renda. Os autores ponderam que estimativas mais precisas são cruciais para a elaboração de políticas de saúde locais e nacionais que visem reduzir os casos e garantir que todas as pessoas diagnosticadas tenham acesso a tratamentos, como preconiza a Organização Mundial da Saúde (OMS).

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