Brasileiros estão se preparando menos para a aposentadoria, diz Anbima
Foto: Divulgação/INSS
São Paulo - O trabalhador brasileiro segue ignorando a importância do planejamento, tendo em vista a queda no número de pessoas que afirmam já ter iniciado uma reserva para a aposentadoria, de 18% para 16% - menor patamar da série histórica. Os dados são da 9ª edição do Raio-X do Investidor Brasileiro, produzido pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Datafolha.
A parcela dos entrevistados que ainda não começou a poupar para a aposentadoria, mas pretende começar, cresceu de 55% para 57%, enquanto a que não iniciou essa reserva e nem pretende se manteve em 27%.

Ao mesmo tempo, 60% dos entrevistados que ainda estão na ativa esperam ser sustentados por recursos da previdência pública (INSS) ao se aposentarem.
Outro reflexo da decisão dos mais jovens de focar no curto prazo, entre os entrevistados não aposentados 84% ainda não começaram preparar uma reserva para a aposentadoria.
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Expectativa x realidade
Embora 60% das pessoas ativas tenham a intenção de se sustentar com a renda da previdência pública na aposentadoria, na prática 93% dos já aposentados dependem do INSS. Na classe AB, em que 50% dos não aposentados contam com o INSS como fonte de renda futura, 91% dos aposentados efetivamente dependem dele.
Resultado desse descolamento entre e expectativa e realidade, a proporção de pessoas que pretendem se aposentar até os 59 anos de idade diminuiu, chegando a 27%, enquanto 47% afirmam que gostariam de se aposentar entre os 60 e 69 anos.
De acordo com Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, ao se observar a realidade das pessoas já aposentadas, que somam 15% dos entrevistados, é possível projetar uma forte quebra de expectativas para os ainda não aposentados.
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Dentre os não aposentados, além do número cada vez maior afirmar que dependerá dos recursos da previdência pública na aposentadoria, caiu de 18% para 15% o público que afirma que dependerá do próprio salário, indicando que não tem intenção de parar de trabalhar. A previdência privada surge somente entre 5% dos respondentes.
Diferenças geracionais
Na análise por gerações (Geração Z, Millennials, Geração X e Boomers) é possível constatar que a capacidade de poupar diminui com a idade. Do público que investe, as carteiras mais diversificadas estão nas gerações mais jovens, enquanto as mais velhas se concentram principalmente na poupança.
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Entre os Boomers, por exemplo, 62% não guarda dinheiro de nenhuma forma e metade não possui reserva de emergência. A geração Z, por outro lado, concentra o maior número de pessoas com alguma reserva de emergência.
Realizado anualmente, para esta edição do Raio X do Investidor Brasileiro o Datafolha ouviu 5.832 pessoas entre os dias 4 e 21 de novembro de 2025, nas cinco regiões do Brasil.
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