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País deve ganhar 8,7 milhões de novos investidores em 2026, calcula Anbima

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Mulheres já representam 34% de investidores no Tesouro Direto - Envato
Mulheres já representam 34% de investidores no Tesouro Direto
Por Fabiana Holtz

16/04/2026 | 13h34 ● Atualizado | 13h35

São Paulo - O número de brasileiros que investem em produtos financeiros no Brasil deve crescer em 8,7 milhões de novos investidores, somando 60,6 milhões brasileiros em 2026.

Os dados fazem parte do Raio X do Investidor Brasileiro, pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Datafolha.

O número total de investidores, então, representará 36% da população, enquanto 107,7 milhões ainda não investem, dado que ficou estável em relação ao ano anterior.

A projeção para novos investidores considera que do contingente que ainda não são investidores, 23,2 milhões têm a intenção de mudar esse status em 2026, além de um grupo de 14,5 milhões que cogitam deixar de aplicar o dinheiro ao longo deste ano. Outros 66,6 milhões seguem sem planos de investir.

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"O grande desafio hoje é a linguagem. Já temos diversos produtos estruturados, nosso índice de bancarização é altíssimo (com canais de distribuição estabelecidos). Os avanços são claros", afirma Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima.

Segundo ele, ainda há muita gente que tem poupança e não se chama de investidor.

Houve  democratização da conversa sobre dinheiro, com a educação financeira alcançando um público maior. Vejo a tendência de uma maior maturidade das pessoas com relação a esse tema, mas ainda temos uma parcela da população que tem dificuldade em se identificar como investidor", diz o superintendente da Anbima.
Marcelo Billi
Segundo o superintentendente da Anbima, o brasileiro ainda relaciona investir a ter muito dinheiro - Foto: Fabiana Holtz/Viva

Nesta nona edição da pesquisa, realizada entre 5 e 21 de novembro de 2025, foram entrevistadas 5.832 pessoas das classes A/B, C e D/E, de 16 anos ou mais, nas cinco regiões do País.

A margem de erro da pesquisa é de um ponto porcentual, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.

Investir x ter muito dinheiro

A principal dificuldade enfrentada pelos brasileiros ao lidar com o dinheiro, segundo Billi, é que a palavra investidor ainda está associada a 'ter muito dinheiro'.

Outros fatores que impactam na visão da população sobre investir estão na linguagem dos contratos, que ainda são muito difíceis de entender, além de um certo grau de conservadorismo ao lidar com as finanças.

Entre os quatro perfis financeiros identificados pela pesquisa, os sem reserva ainda predominam, representando 52%. Os que investem em caderneta de poupança (19%) surgem na sequência, seguidos pelos que diversificam (17%) e os que economizam mas não investem (12%).

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Perfil poupador

Dos 60,6 milhões de pessoas que estão investindo, 33% afirmaram ter economizado - dado estável em relação ao ano passado. O montante de quem investiu cresceu de 22% para 24% na mesma base de comparação.

Já quem investiu em produtos financeiros passou de 11% para 10%. Ao longo dos últimos anos, no entanto, essa parcela da população tem crescido, visto que em 2021 esse número estava em 6%.

Entres os potenciais alvos para investir, imóvel ainda é uma grande preferência nacional, segundo a pesquisa. O interesse por viagens, no entanto, tem crescido bastante desde a pandemia, em 2020. Carro, escola e procedimentos estéticos surgem na sequência.

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"Considerando o alto índice de endividamento da população, é bom perceber que o nível dos brasileiros que conseguiram guardar dinheiro se manteve estável", aponta Billi. Segundo ele, a meta para a pesquisa do próximo ano é atingir todos os estados do Brasil. 

Entre as aplicações mais utilizadas da população, a poupança ainda lidera, com 22% de respondentes se identificando com esse tipo de reserva financeira, seguido por títulos privados (7%) e fundos de investimento (5%). 

Longevidade e vida financeira

Segundo a pesquisa, apenas 16% das pessoas não aposentadas já deram início a formação de uma reserva com essa finalidade. Outros 57% dizem que pretendem começar, enquanto 27% nem têm planos com relação ao assunto.

A  Anbima está preparando um estudo que deve ser lançado até o final do ano sobre longevidade e vida financeira.

"Pretendemos abordar quais são as perspectivas do brasileiro sobre aposentadoria, se esse público se preparou ou se prepara para esse momento da vida e como isso se reflete na sua relação com o dinheiro", conta Billi.

Dados da Anbima

Nesse contexto, um dado preocupante revelado pelo Raio-X da Anbima é que 31% dos brasileiros não têm nenhuma reserva financeira e apenas 15% tem recursos suficientes para se manter por um período de seis meses a um ano.

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