Brasileiros trocam marcas caras por opções mais baratas nos supermercados
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São Paulo - A falta de produtos nas gôndolas dos supermercados brasileiros diminuiu 0,9 ponto porcentual em junho ante maio, mas sob um contexto de desaceleração do consumo, aponta o Índice de Ruptura da Neogrid, antecipado à Broadcast.
O indicador mede a falta de produtos nos supermercados e fechou junho em 11,50%, menor nível do ano, diante da disponibilidade maior de ovos, leite UHT, arroz, açúcar e feijão.
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Contudo, o café registrou o maior nível de desabastecimento desde o início da série histórica, iniciada em outubro de 2025, sob efeito de volume atípico de chuvas acumulado nas principais regiões da commodity.
"Somado à desaceleração do consumo, há um movimento importante de adaptação do varejo. As redes estão revisando o sortimento e recalibrando os estoques para refletir a mudança no perfil de compra do consumidor, que tem priorizado produtos de menor preço e migrado de marcas premium para alternativas mais acessíveis dentro da mesma categoria", avalia o estrategista-chefe de relacionamento da Neogrid, Robson Munhoz.
O profissional cita que o consumidor tem ficado mais cauteloso, pressionado pela perda de poder de compra, o que é vislumbrado no pior desempenho do varejo desde a pandemia em junho, conforme o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) mostrou retração real de 2,8% nas vendas.
Para Munhoz, apesar da redução da ruptura, os desafios da cadeia de abastecimento ainda não foram superados. "O cenário continua exigindo decisões cada vez mais precisas para equilibrar disponibilidade, estoque e rentabilidade."
A falta de leite UHT nas prateleiras de supermercado caiu 4,4 pontos porcentuais, saindo de 18,2% em maio para 13,8% em junho; a de açúcar caiu 1 pp, para 9,4%; a feijão cedeu 1 pp, para 8,3%; a de ovos recuou 0,6 pp, para 27,8%; e a de arroz teve leve baixa de 0,1 pp, para 13,8%.
O café em pó e em grãos atuou como contraponto, sendo que a ausência nas gôndolas subiu 0,8 ponto porcentual em um mês, saindo de 8,6% em maio para 9,4% em junho.
Preços
O leite apresentou melhora significativa no abastecimento em junho, mas os preços continuaram avançando. O leite sem lactose subiu de R$ 7,55 para R$ 7,62 por litro; o semidesnatado evoluiu de R$ 6,26 para R$ 6,36; o desnatado foi de R$ 6,19 para R$ 6,20; e o integral subiu de R$ 6,07 para R$ 6,10.
O mesmo ocorreu com o feijão, com o preço do tipo vermelho oscilando de R$ 12,52 em maio para R$ 12,61 o quilo em junho, enquanto o carioca avançou de R$ 8,89 para R$ 9,64 e o feijão preto aumentou de R$ 6,68 para R$ 7,03.
O valor médio do quilo de arroz caiu de R$ 6,96 em maio para R$ 6,76 em junho por quilo; o arroz branco oscilou de R$ 4,83 para R$ 4,82; e o parboilizado recuou de R$ 4,63 para R$ 4,62 no período.
Já o preço do açúcar mascavo cedeu de R$ 19,29 para R$ 18,90, o refinado recuou de R$ 4,22 para R$ 4,13, ao passo que o tipo cristal caiu de R$ 3,71 para R$ 3,66 por quilo.
O café teve preço praticamente estável no segmento em grãos, variando de R$ 127,28 para R$ 127,37 por quilo, enquanto o café em pó recuou de R$ 71,03 para R$ 69,52.
(Por Caroline Aragaki)
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