Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

Crédito consignado CLT ainda tem espaço para crescer, dizem especialistas

Envato

Concessões de crédito consignado para o trabalhador do setor privado saltou 183,6% no ano passado,  para R$ 54,5 bi - Envato
Concessões de crédito consignado para o trabalhador do setor privado saltou 183,6% no ano passado, para R$ 54,5 bi
Por Fabiana Holtz

29/01/2026 | 17h39

São Paulo, 29/01/2026 - O Crédito Consignado CLT, modalidade em que as parcelas são descontadas diretamente do salário ou da remuneração do profissional, ainda tem espaço para seguir crescendo em 2026, depois do salto expressivo visto em 2025.

Dados do Banco Central (BC) divulgados nesta manhã, apontaram que as concessões de crédito consignado para trabalhadores do setor privado saltaram 183,6% no ano passado, para R$ 54,5 bilhões, em boa parte por causa do programa Crédito do Trabalhador, nova modalidade de crédito lançada pelo governo federal em 2025. 

Leia também: Concessões de empréstimos para pessoas físicas tiveram alta de 8,8% em 2025

Para efeito de comparação, o volume de concessões de consignado para servidores públicos somou R$ 95,11 bilhões no ano passado, e, para os beneficiários do INSS, somou R$ 70,63 bilhões. "Isso porque o Crédito do Trabalhador oferece taxas de juros mais competitivas em comparação com outros tipos de crédito, variando entre 2,5% e 3% ao mês", explica a economista Cilene Cardoso, professora de gestão e negócios da Universidade São Judas. 

[Colocar ALT]
Faclidade do processo para tomada de crédito é o principal propulsor, diz a economista Cilene Cardoso
Foto: Divulgação

Para 2026, a expectativa do governo é que cerca de 19 milhões de trabalhadores optem por esse tipo de crédito no setor privado, movimentando mais de R$ 120 bilhões nos primeiros anos. A manutenção da taxa de juros básica da economia em patamares elevados (atualmente, a Selic está em 15% ao ano, com a possibilidade de cair para 12,5% ao ano até dezembro), deve contribuir para o avanço dessa modalidade, diz Cilene.

Espaço para crescer com certeza há, concorda Patrícia Palomo, planejadora financeira certificada pela Planejar, mas em um ritmo naturalmente menor do que o observado em 2025. "Até porque a base de comparação já foi profundamente expandida", pondera. 

O que pode sustentar a continuidade do crescimento são fatores como a consolidação operacional do consignado privado dentro das empresas, a adaptação dos departamentos de RH, a maior familiaridade dos trabalhadores com o produto e a redução do risco percebido pelos bancos, acrescenta Palomo. 

Entre outros fatores que favorecem essa modalidade de crédito, a economista também menciona o desconto direto na folha de pagamento, acesso facilitado (de forma digital) com processo de solicitação simplificada e garantia do FGTS. "O trabalhador pode utilizar até 10% do saldo do FGTS como garantia do empréstimo", destaca.

Leia também: Consignado privado: saiba quem tem direito com a nova lei

Consignado tem impacto na inflação?

Com mais crédito disponível, naturalmente os trabalhadores tendem a aumentar o consumo, o que pode levar a um aumento na demanda por bens e serviços.

Isso deve provocar como resultado pressão nos preços, contrariando o que a autoridade monetária sinalizou ontem, ao indicar um corte na taxa básica de juros já na sua próxima reunião, de março, explica a economista. 

Por outro lado, se as projeções de inflação vierem abaixo do esperado, o impacto do crédito nos preços pode ser menor. Palomo ressalta, no entanto, que o impacto inflacionário não é automático nem linear, pois depende do grau de ociosidade da economia, da resposta da produção e da variação dos preços — bens e serviços cujos valores são definidos por contratos, órgãos públicos ou agências reguladoras.

Como ficam os investimentos das empresas?

Nas empresas, a perspectiva com relação ao impacto do Crédito do Trabalhador nos investimentos é positiva, especialmente em setores diretamente ligados ao consumo, como varejo, serviços e construção civil, que podem ver uma demanda maior por seus produtos e serviços.

Somado a isso, abre-se mais espaço para investimento em produção com expansão de capacidade e consequente contratação de mão-de-obra para atender à demanda.

Se cria um ambiente mais previsível de demanda, o que incentiva empresas de setores ligados ao consumo a retomarem investimentos em capacidade produtiva, logística e estoques, diz a planejadora financeira Palomo.

Varejo, indústria de bens de consumo, serviços e construção tendem a reagir mais rapidamente, afirma ela, pois conseguem transformar demanda em faturamento com menor defasagem. O efeito não é imediato, mas são medidas que reduzem o risco percebido dos projetos e melhora a disposição das empresas para investir.

Quais são os setores que podem se beneficiar?

  • Varejo: Comércio de alimentos, vestuário, eletrodomésticos;
  • Serviços: Restaurantes, hotéis, turismo;
  • Construção civil: Imobiliário, materiais de construção.

Efeito multiplicador do consignado

O aumento do consumo pode ter um efeito multiplicador na economia, afirma Cardoso, gerando mais empregos e renda, com reflexos inclusive no mercado de trabalho. Segundo ela, essa linha de crédito pode incentivar a formalização do trabalho, pois os trabalhadores podem ter mais acesso a benefícios e direitos.

[Colocar ALT]
A tendência é que essa modalidade de crédito se transforme em uma linha estrutural, diz a planejadora financeira Patrícia Palomo
Foto: Divulgação

No entanto, é importante ressaltar que esse impacto depende de vários fatores, entre eles a taxas de juros, crescimento econômico e políticas públicas, lembram os economistas.

Se o mercado de trabalho formal permanecer resiliente e a inadimplência se mantiver sob controle, destaca Patrícia Palomo, o consignado CLT tende a se tornar uma linha de crédito  importante no País, e não apenas um estímulo pontual.

Leia também: Bancos elevam estimativa de crescimento do crédito em 2026 para 8,2%

Falta informação 

No início de dezembro, estudo da Serasa Experian revelou que entre as companhias que conhecem o novo consignado privado, 35% registram inadimplência desde o início da nova modalidade. A pesquisa, que ouviu 550 empresas, também mostra que quase metade das organizações (46%) ainda não conhece ou não sabe detalhar o funcionamento do Crédito do Trabalhador.

Leia também: Consignado privado registra 35% de inadimplência, aponta estudo

Segundo a Serasa, a maior parte da inadimplência no consignado privado pode ser atribuída a falhas de processo e não está relacionada com a incapacidade de pagamento dos trabalhadores. Entre os casos registrados, 65% decorrem de erros sistêmicos ou operacionais, como atrasos de informação entre o RH e a instituição financeira (30%), falhas de integração com o eSocial/Dataprev (22%) e problemas no desconto em folha (13%).

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Gostou? Compartilhe

Últimas Notícias