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Recalculando a rota: transporte por aplicativo sobe 56% e pesa no orçamento

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Em benefício da sua saúde financeira vale reconsiderar outras opções de locomoção, como carona e o transporte público - Envato
Em benefício da sua saúde financeira vale reconsiderar outras opções de locomoção, como carona e o transporte público
Por Fabiana Holtz

28/01/2026 | 14h24

São Paulo, 28/01/2026 - Chamar um carro por aplicativo para pequenos trajetos, que em outros tempos parecia uma solução simples e barata, tem pesado cada vez mais no orçamento doméstico e levado muitos a fazer uma revisão de gastos. Em 2025, a inflação do subitem carro de aplicativo acumulou alta de 56%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mede o IPCA.

Entre os itens mensurados por esse indicador, o transporte público pesa 4%. No caso dos transportes públicos individuais o peso é de 0,8% na inflação. "Então, parece pouco impacto no índice geral, mas a depender da frequência de uso, pode afetar bastante os gastos", explica o professor Alexandre Bertoncello, PHD em economia e consultor financeiro. 

Tal cenário tem promovido um movimento de revisão de rota para muitos que têm por hábito usar esse tipo de transporte. Se os gastos com corridas de aplicativos já ultrapassam 10% da sua renda mensal, é o momento de repensar seus hábitos.  Para efeito de comparação, em 2026 o salário mínimo foi reajustado em 6,79%, passando de R$ 1.518,00 para R$ 1.621,00.

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Outros caminhos para não gastar tanto com transporte

professor Alexandre Bertoncello, homem branco, de cabelos compridos e barba, veste blusa branca e suspensórios
Foto: Divulgação

Se o uso de carro por aplicativo tem consumido uma parcela cada vez maior do seu orçamento, mesmo com um número menor de corridas, isso indica que é o momento de pensar em alternativas para o seu cotidiano.

A primeira recomendação é considerar opções de carona com colegas de trabalho ou vizinhos. Vale também considerar a possibilidade de usar o aplicativo em horários de menor fluxo (com tarifas menores) e fazer caminhos alternativos via transporte público.

"O esquema de carona e de transporte colaborativo, com certeza, é a via mais fácil. Naturalmente, como as pessoas falam cada vez menos umas com as outras, fica mais difícil de organizar esse processo. Talvez seja a hora de repensarmos e ficar menos tempo nas redes sociais olhando os outros e ficar mais tempo conversando com pessoas", sugere.

Outra recomendação importante é evitar usar a expressão 'eu mereço'.

Porque sempre vamos merecer chegar duas horas mais cedo em casa, não pegar chuva, mas a grande pergunta aqui é: esse desejo do 'eu mereço' cabe dentro do seu bolso?", questiona 

Segundo ele, essa pergunta visa principalmente acabar um pouco com o imediatismo e estimular um comportamento de planejamento mais no médio prazo.

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Perdendo duas vezes

Existe algum limite máximo para ter um equilíbrio nessas despesas com transporte? A conta não é simples, mas é possível ter uma ideia de quando esse gasto está pesando demais no orçamento.

Em seu cálculo o IBGE leva em consideração uma viagem média. Então, nessa viagem média que mede a inflação para o IBGE o cálculo considera 8 viagens por mês a R$ 22,50, totalizando R$ 180. "Ou seja, qualquer um que ultrapasse R$ 180 por mês em gastos com corridas por aplicativo já está perdendo duas vezes", afirma. 

Primeiro, porque os gastos dele são superiores àquilo que é medido pelo IBGE. Segundo, porque o próprio instituto subestima o aumento ao levar em consideração o preço médio dos aplicativos. "Nós sabemos que se você pegar um horário com muita demanda, os preços disparam".

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Estabelecendo limites

Se os pagamentos dessas corridas por aplicativo são feitos principalmente no cartão de crédito e você só se dá conta do rombo financeiro no final do mês, Bertoncello tem algumas recomendações. "Se por um acaso, quando chega a fatura do seu cartão você não consegue quitar, esse é um primeiro grande sinal de alerta de falta de controle". 

O segundo, aponta o consultor, é quando, dentro da sua fatura do cartão as corridas por aplicativos dominam. "Se a maior parte dos seus gastos estão aí, isso está completamente fora de um padrão normal. Está na hora de revisar rotinas e comportamentos". 

Como retomar o controle?

Antes de começar o mês veja o seu saldo líquido a receber e estabeleça um limite para gastar com aplicativos. "Cada vez que você andar no aplicativo e vier o recibo, guarde e faça uma conta no seu bloquinho de contas", ensina o consultor. 

Isso irá te deixar mais consciente para antecipar mudanças de rotina quando estiver próximo de atingir o limite. "A ideia é estar mais consciente de seu orçamento para não correr o risco de terminar o mês sem dinheiro nenhum".

No decorrer do mês, após entender melhor o funcionamento da tarifa dinâmica nos horários e tendo claro o quanto tem disponível para gastar, tomar decisões vai ficando mais claro.

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