Debate sobre educação financeira e longevidade destaca papel dos jovens
Fabiana Holtz/VIVA
São Paulo - O debate sobre como ampliar o conhecimento sobre educação financeira, principalmente entre os mais jovens, tem movimentado instituições e governos em busca de ações mais efetivas. Em evento sobre o tema nesta sexta-feira, em São Paulo, Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, e Rita Almeida, do Lab Humanidades, apresentaram dados importantes de uma pesquisa recente realizada pela dupla para repensar como a sociedade tem lidado com temas como saúde mental, finanças e longevidade.

No painel "Um futuro que nos permita sonhar", Meirelles e Almeida destacaram que o levantamento realizado com 1.200 jovens revelou que entre os dez primeiros sonhos dos adolescentes, oito estão ligados à carreira ou à estabilidade financeira.
Leia também
Em um contexto de incerteza, o futuro deixa de ser espaço de possibilidade e passa a ser fonte de ansiedade. Pergunto: estamos prontos para ouvir esses adolescentes? Quem é o adulto da sala? Quando falamos em educação financeira temos que reforçar que essa responsabilidade é dos adultos na sala, afirmou.
Segundo Rita Almeida, os dados mostram que os adolescentes se sentem vítimas da sociedade de alto desempenho e também se sentem pressionados pela falta de horizonte no futuro. Ao mesmo tempo, os pais fantasiam que os adolescentes não querem nada com nada da vida. "A realidade deles é feita de pressão, cobrança e medo de falhar", pondera.
Escuta, pertencimento e esperança
Outro ponto reforçado por ela é que os jovens não se sentem ouvidos e tem a sensação que ninguém presta atenção neles. "Eles encontram isso nas séries, no entretenimento. O humor é um agente de descompressão entre eles", observa Almeida, ao apontar o papel importante e ativo do entretenimento no processo de educação dos adolescentes.
De acordo com pesquisa apresentada pela dupla, 61% dos adolescentes concordam que a 'pressão para ter sucesso me deixa ansioso' e 68% não se sente ouvido em casa. "Hoje, inclusive, eles têm muito medo de errar, o que é o pior que pode acontecer quando você é adolescente."
A sociedade, segundo Almeida, precisa trabalhar a escuta, pertencimento e esperança. Entre os adolescentes ouvidos na pesquisa, frisa Meirelles, 53% estão na classe C. A "responsa" (segundo eles) é pensar que terá de cuidar do pai e da mãe quando ficar mais velho. Entender que eles têm noção do esforço que os pais estão fazendo, afirma a dupla, é fundamental para abrirmos esse canal de comunicação com eles.
Estamos falando de pessoas que em muitos casos vão sustentar de 4 a 5 pessoas em casa com um salário mínimo e meio. Pessoas que sabem o preço do leite no centavo, da carne no centavo. Vivem uma realidade que dificilmente um gerente de banco vai entender, afirma Meirelles.
Ao longo da apresentação, a dupla propôs uma reflexão sobre como ampliar horizontes, criando condições para que os jovens não apenas busquem segurança, mas voltem a imaginar, desejar e construir futuros possíveis.
Boa parte da resposta, afirmam os dois, está na comunicação através do entretenimento. Segundo Meirelles, 71% dos adolescentes concordam que o entretenimento ajuda a lidar com o seus sentimentos. "Eles também aprendem através da linguagem do entretenimento com docs e filmes."
Em sua fala na abertura do evento, Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, ressaltou que um grande desafio é que não há formatura para a educação financeira.
"É um processo que segue ao longo da vida toda e precisamos fazer um esforço para repensar as estruturas de um novo mundo, onde até a educação financeira precisa ser revista diante dos novos desafios da longevidade".
O debate aconteceu durante o '3º Encontro de Educação Financeira', realizado na Unibes Cultural em São Paulo. A iniciativa reuniu Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Banco Central (BC), B3, Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Fundo Garantidor de Crédito (FGC), Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar) e Sebrae.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.