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Envelhecimento redefine bases para o crescimento econômico, avalia Moody's

Segundo a agência de classificação de risco, a pressão do processo de envelhecimento na economia surge antes de a população começar a diminuir

Fabiana Holtz

Por Fabiana Holtz

30/09/2026 | 15h48

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Moody's aponta que o envelhecimento tem impacto nas finanças públicas e na demanda do consumidor - Envato
Moody's aponta que o envelhecimento tem impacto nas finanças públicas e na demanda do consumidor
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O envelhecimento demográfico global, conforme indicado pela Moody's, está prestes a redefinir o crescimento econômico, desafiando políticas públicas e impactando a força de trabalho e a demanda por bens e serviços.

Com mais de 70% da população mundial vivendo em países com taxas de fecundidade abaixo do nível de reposição, a capacidade produtiva e a demanda do consumidor estão em risco, exigindo maior foco em produtividade para sustentar o crescimento.

Os países emergentes, como Brasil e China, enfrentam o envelhecimento populacional rapidamente, o que pode resultar em custos elevados com renda inferior às economias avançadas, enquanto as pressões sobre finanças públicas e sistemas de saúde aumentam antes mesmo do declínio populacional.

Resumo gerado por IA

São Paulo - O envelhecimento demográfico irreversível deve redefinir as bases do crescimento econômico global nas próximas décadas, observa a Moody's no relatório "Envelhecimento populacional transformará a economia global e desafiará soluções simples de políticas públicas". O texto apresenta uma em avaliação sobre os impactos dessa nova realidade. De acordo com a agência de classificação de risco, esse fator deve apresentar desafios inclusive para soluções simples de políticas públicas.

Ao longo de sua análise, os especialistas da Moody's ressaltam que a distribuição de grupos etários da população mundial está mudando mais rapidamente do que em qualquer outro momento da história econômica moderna. 

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Excetuando-se os períodos de guerra, fome e pandemias, cada geração sucessiva, em geral, foi maior do que as anteriores. O crescimento populacional ampliou a força de trabalho, apoiou a formação de famílias e aumentou a demanda por bens e serviços. Juntamente com o progresso tecnológico, o crescimento populacional ajudou a elevar os padrões de vida após a Revolução Industrial.
Relatório Moody's

E essa base, que foi responsável pelo crescimento das últimas décadas, está mudando rapidamente. Dados oficiais revelam que as taxas de fecundidade caíram abaixo dos níveis de reposição em grande parte do mundo. Ou seja, as populações estão envelhecendo e, em muitos países, estagnando ou diminuindo. 

Mais de 70% da população mundial vive atualmente em países com taxas de fecundidade iguais ou inferiores ao nível de reposição populacional.

Políticas públicas e tecnologia

Em sua análise, a casa reconhece que as políticas públicas e a tecnologia podem facilitar o ajuste a esse cenário que está se formando, mas não serão suficientes para reverter as tendências demográficas.

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Os resultados econômicos e de crédito dependerão cada vez mais da capacidade dos países de ampliar a oferta de mão de obra, elevar a produtividade e reformar as instituições.
Relatório Moody's

Crescimento, consumo e juros

Além de limitar as taxas de crescimento da economia, com a desaceleração do crescimento da força de trabalho, os especialistas da Moody's apontam que o envelhecimento tem impacto nas finanças públicas, na demanda do consumidor e nas taxas de juros reais e rendimentos soberanos.

Um número menor de trabalhadores limitará a capacidade produtiva, enquanto o número menor de famílias e consumidores enfraquecerá a demanda. Como resultado, os países dependerão mais da produtividade para sustentar o crescimento.
Relatório Moody's

Envelhecimento nos países emergentes

O envelhecimento da população nos mercados emergentes tem avançado em uma velocidade sem precedentes, acrescenta o estudo da Moody's.

"As taxas de fecundidade em grande parte da América Latina já são comparáveis às observadas na Europa e no Japão, enquanto diversos países do Leste Asiático registram algumas das menores taxas de fecundidade já verificadas".

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A participação da população com 65 anos ou mais na China dobrou de 7% para 14% em cerca de 20 anos. Na Europa, essa mesma transição levou várias décadas para ocorrer. O Brasil, Tailândia e Turquia estão em trajetórias semelhantes. 

"Esses países terão de arcar com os custos do envelhecimento populacional com níveis de renda muito inferiores aos observados nas economias avançadas que passaram por esse processo antes deles".

Efeito cascata

As pressões que surgem a partir desse processo começam a se manifestar décadas antes de a população entrar em declínio. Segundo a Moody's, as economias do G7 contam no momento com cerca de três pessoas em idade ativa para cada indivíduo com mais de 65 anos.

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Espera-se que essa proporção caia para cerca de duas pessoas até 2050. À medida que as sociedades envelhecem, o crescimento da força de trabalho desacelera, enquanto a pressão sobre as finanças públicas e os sistemas de saúde aumenta.
Moody's

De fato, pequenas diferenças nas taxas de fecundidade podem ter consequências profundas a longo prazo, acrescenta a agência de avaliação de risco.  

Os analistas consideram que para as empresas, as consequências vão além da disponibilidade de mão de obra. Isso porque os padrões de consumo refletirão cada vez mais as preferências e o poder de compra das famílias mais idosas.

No âmbito dos governos a pressão vira do aumento dos gastos com previdência, assistência à saúde e cuidados de longa duração, a medida que a proporção entre trabalhadores e aposentados vai diminuindo.

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Os mercados financeiros, estima a agência de classificação de risco, também serão remodelados à medida que as gerações mais idosas transferirem trilhões de dólares em ativos para herdeiros, instituições de caridade e outros beneficiários.

Essa transição demográfica já está em andamento, detaca a Moddy's, no primeiro de uma série de cinco relatórios em que irá analisar como o envelhecimento da população está remodelando as economias.

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