Hub Cidades & Longevidade começa a ganhar forma e busca financiamento
Projeto liderado pelo Centro de Estudos das Cidades, do Insper, tem 4 grupos de pesquisa; ideia é preparar as cidades para o envelhecimento da população
Por Fabiana Holtz
28/09/2026 | 13h46Divulgação
O Hub Cidades & Longevidade, liderado pelo Centro de Estudos das Cidades do Insper, avançou com um workshop que reuniu 66 profissionais de 30 instituições para discutir soluções intersetoriais sobre o aumento da expectativa de vida, visando melhorar a qualidade de vida da população idosa.
Quatro grupos de pesquisa foram formados, focando em saúde urbana, acessibilidade digital, moradia e combate ao isolamento social, com o objetivo de criar indicadores que ajudem a identificar áreas mais acolhedoras para o envelhecimento e a necessidade de investimentos.
O projeto busca financiamento para implementar suas propostas e já conta com o apoio de diversas instituições, incluindo prefeituras e organismos internacionais, enquanto planeja iniciar projetos piloto para testar e escalar suas soluções de forma eficaz.
São Paulo - Projeto liderado pelo Centro de Estudos das Cidades - Laboratório Arq.Futuro, do Insper, a criação do Hub Cidades & Longevidade deu mais um passo importante em meados de setembro. O objetivo central do Hub é unir conhecimentos de diferentes setores para preparar as cidades para o envelhecimento da população.
Na ocasião, um grupo de 66 profissionais de 30 instituições participou de um workshop para consolidar soluções intersetorais com foco nos impactos do aumento da expectativa de vida da população. Durante o encontro foram criados quatro grupos de pesquisa e cada um apresentou três propostas.
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"O projeto está se materializando a partir desse workshop, que começou online e aconteceu em setembro", conta a professora Paula Gobi Scudeller, coordenadora de Saúde Urbana do Centro de Estudos das Cidade do Insper e uma das coordenadoras do Hub. Sem um orçamento inicial, o grupo está em busca de financiamento.
No momento estamos consolidando as redes de financiamento para que cada pesquisa siga o seu papel e a gente consiga evoluir com resultados que tenham impacto em políticas públicas envolvendo cidades e saúde.
Paula Gobi Scudeller, coordenadora do projeto
O que é o Hub Cidades & Longevidade?
Com o propósito de funcionar como um espaço permanente de conexão entre ciência, poder público, empresas e a sociedade civil, o Hub Cidades & Longevidade pretende contar com o suporte de empresas de saúde, arquitetura e urbanismo, construtoras, terceiro setor e órgãos internacionais.
Segundo Paula Gobi, a ideia é conectar o conhecimento das diversas áreas intersetoriais para pensar em cidades mais adequadas para a nova realidade demográfica.
“O que a Europa envelheceu em um século, nós estamos envelhecendo em uma década, em uma geração, e sem propostas de adaptação” ressalta ela.
Quatro frentes de ação
"Temos agora quatro grupos de pesquisa que funcionarão como um observatório de saúde urbana e mudanças climáticas. A partir da criação de indicadores vamos conseguir monitorar se a cidade é mais ou menos acolhedora para o envelhecimento", explica Gobi.
Com esse levantamento em mãos será possível gerar uma pontuação de longevidade territorial, identificando quais são os bairros mais acolhedores ou não para o envelhecimento e as regiões que precisam de investimento.
Além da criação de um Observatório, o Hub propõe a construção de uma Agenda Cultural e de Formação, para combate do isolamento social e etarismo.
Um terceira via de ação do Hub está voltada para Serviços e Moradias, concentrada na adaptação de residências existentes, novos modelos de moradia e desenvolvimento de uma rede de serviços intermediários entre a residência e a instituição de longa permanência.
Um quarto pilar do projeto está concentrado na Acessibilidade Digital. O plano aqui é desenvolver critérios para que serviços digitais, em especial os públicos, sejam desenhados e testados também com pessoas idosas. A proposta aqui é evitar que a digitalização aumente a exclusão justamente entre aqueles que mais precisam acessar serviços e políticas públicas.
"No Brasil, fala-se muito pouco sobre a adaptação de equipamentos digitais para que sejam mais acessíveis. Hoje, sabemos que três em cada 10 pessoas com mais de 65 anos está fora da internet. E os que estão dentro, não conseguem usar os dispositivos que a cada ano apresentam um formato diferente", afirma.
Nesse âmbito, o grupo já tem estruturado um trabalho para ser testado em empresas de tecnologia.
Caminho é intersetorial
A lógica é começar com projetos pilotos bem definidos, avaliar resultados, aprender com a implementação, realizar ajustes e então estudar possibilidades de escala.
Para Ana Manzoli, coordenadora do projeto ao lado de Paula Gobi, pode-se ter uma sala cheia de boas ideias, porém, se não forem transformadas em ações, todo o trabalho continua sendo só uma boa conversa.
Não precisamos começar grande. Podemos começar com um piloto bem desenhado, medir, aprender com os erros, ajustar e só então pensar em escala.
Ana Manzoli, coordenadora do projeto
O Hub Cidades & Longevidade é uma iniciativa do Centro de Estudos das Cidades do Insper, coordenado por Tomás Alvim, com o apoio do professor Paulo Saldiva, professor titular da Faculdade de Medicina da USP.
Na área da saúde o workshop contou com a presença de especialistas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, da Santa Casa de São Paulo, dos hospitais Sírio-Libanês, Albert Einstein e Moinhos de Vento.
Entre as autoridades do poder público, a iniciativa é apoiada pelas prefeituras de São Paulo, São Caetano do Sul, pelo governo do Estado de São Paulo e pela senadora Mara Gabrilli (PSD).
Entre os organismos multilaterais, o workshop mobilizou especialistas do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Banco Mundial, além de empresas e organizações da sociedade civil como a Gartner, AEGEA, Abrainc, Umane, CEDAPS, ICOS e Longeviver.
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