Índice de confiança na economia por mulheres é mais cauteloso, diz pesquisa
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São Paulo - Com maior grau de escolaridade e autonomia financeira, as mulheres seguem ampliando seu protagonismo nas decisões econômicas. Mas a desigualdade salarial e outras disparidades de gênero fazem das mulheres consumidoras mais cautelosas, como revela pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP).
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da cidade de São Paulo cresceu 5,7% em fevereiro no comparativo anual, alcançando 127,4 pontos, segundo dados da Fecomercio-SP. Pelos padrões determinados na pesquisa da entidade, valores acima de 100 apontam otimismo. No recorte por gênero, o ICC feminino ficou em 123,9 pontos em fevereiro, com alta de 2,3% no comparativo anual. Embora também represente otimismo, o resultado ficou abaixo da média geral.
Na avaliação do momento presente a cautela é ainda maior. O Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) geral cresceu 2,3% no mês passado, para 121 pontos, enquanto o indicador feminino caiu 4,2%, alcançando 115,5 pontos na base anual.
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Essa diferença, na avaliação da Federação, se deve a fatores estruturais. As mulheres ainda apresentam rendimento médio abaixo ao dos homens, são mais afetadas por despesas essenciais e pela administração do orçamento doméstico.
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Impacto da educação
Em São Paulo, no mercado formal de trabalho a participação feminina também tem crescido consistentemente. No Comércio, o número de admissão de mulheres passou de 47% para 50% entre 2021 e 2025. No setor de Serviços, desde 2021 elas já representam a maioria, quando atingiram 51%. Hoje sua participação chega a 54%. Os números são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
E a educação é apontada como fator chave para essa transformação. As mulheres superam os homens em nível de escolaridade superior, de acordo com o Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022. Entre pessoas com 25 anos ou mais, 20,7% das mulheres têm ensino superior completo, contra 15,8% dos homens.
Na outra ponta, a proporção de mulheres com baixa escolaridade em relação aos homens também diminuiu para 33,4%, frente a 37,3% entre os homens.
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Mesmo buscando estudar mais e galgando posições no mercado de trabalho, as desigualdades de gênero ainda persistem, observa a Fecomercio-SP, com as mulheres recebendo salários menores que o pago aos homens e sob o impacto do trabalho doméstico não remunerado.
Para a Federação, todos esses fatores combinados colocam a mulher como um elemento central para a compreensão do comportamento do consumo da população brasileira.
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