Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

Mais de 60% das mulheres de 45 a 59 anos já sofreram assédio, diz pesquisa

Reprodução/SINASEFE

63% das mulheres de 45 a 59 anos e 58% das com 60 anos ou mais já sofreram assédio - Reprodução/SINASEFE
63% das mulheres de 45 a 59 anos e 58% das com 60 anos ou mais já sofreram assédio
Por Alexandre Barreto

05/03/2026 | 14h12

São Paulo, 05/03/2026 - Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 5, revela que 63% das mulheres entre 45 e 59 anos e 58% das mulheres com 60 anos ou mais já sofreram assédio em pelo menos um ambiente nas capitais brasileiras. Os dados, enviados com exclusividade ao VIVA, fazem parte de um levantamento realizado pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Ipsos Ipec, que ouviu 3.500 pessoas em dez capitais do País.

Leia também: Assédio no BBB26: entenda crime e como identificá-lo

Segundo o estudo, 71% das mulheres entrevistadas disseram ter enfrentado situações de assédio em pelo menos um dos ambientes analisados nas capitais Belém, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

As ruas e espaços públicos, como praças e parques, aparecem como os locais onde esse tipo de situação ocorre com maior frequência. O ambiente de trabalho surge como inferior, mas ainda com registros relevantes.

Em algumas capitais, os índices são ainda mais elevados. Em Porto Alegre e Belém, oito em cada dez mulheres relataram já ter sofrido algum tipo de assédio.

A pesquisa também aponta que pelo menos metade das entrevistadas disse ter enfrentado situações desse tipo em espaços públicos ou no transporte coletivo.

Leia também: Medo de demissão silencia vítimas e mantém o assédio nas empresas

Medidas apontadas para enfrentar a violência

O levantamento investigou quais ações são consideradas prioritárias para combater a violência contra as mulheres. A medida mais citada foi o aumento das penas contra agressores, mencionada por 55% dos entrevistados.

Em seguida, aparece a ampliação dos serviços de proteção às vítimas, citada por 48% das pessoas ouvidas. As duas medidas lideram o ranking de respostas em todas as capitais analisadas.

Para Jorge Abrahão, coordenador-geral do Instituto Cidades Sustentáveis, é necessário ampliar as políticas públicas voltadas ao tema. “Podemos e devemos fazer muito mais para enfrentar a violência contra a mulher”, disse.

Além de punir os infratores, ampliar os canais de denúncia e promover campanhas, precisamos criar políticas públicas efetivas, que de fato promovam uma mudança estrutural na sociedade”.

Divisão de tarefas domésticas

A pesquisa analisou como homens e mulheres percebem a divisão das tarefas domésticas. No total, 39% dos entrevistados afirmam que as atividades da casa são responsabilidade de todos, mas que as mulheres acabam realizando a maior parte.

Outros 37% dizem que os afazeres são divididos igualmente entre homens e mulheres. A percepção muda quando o recorte é feito por gênero.

Entre os homens, 32% reconhecem que as mulheres fazem a maior parte das tarefas domésticas, mesmo quando a responsabilidade deveria ser compartilhada. Entre as mulheres, esse percentual sobe para 44%.

Já 47% dos homens acreditam que as atividades são divididas de forma igualitária, enquanto apenas 28% das mulheres têm essa mesma percepção.

Leia também: Crimes sexuais contra vulneráveis terão punições mais rígidas; entenda

Sobre a pesquisa

A Pesquisa Viver nas Cidades: Mulheres entrevistou 3.500 pessoas de forma online em dez capitais do Brasil. O estudo ouviu pessoas com 16 anos ou mais, de diferentes classes sociais, que vivem nessas cidades há pelo menos dois anos e possuem acesso à internet.

Entrevistas foram realizadas entre 1 e 27 de dezembro de 2025. O levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos no total da amostra.

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Gostou? Compartilhe

Últimas Notícias