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Inflação recua 0,32% em agosto com alívio nos alimentos e combustíveis

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Inflação acumulada em 12 meses ficou em 4,22% em agosto - Adobe Stock
Inflação acumulada em 12 meses ficou em 4,22% em agosto
Por Pedro Marques

11/09/2026 | 09h29

São Paulo - A inflação oficial brasileira registrou recuo de 0,32% em agosto, revertendo a leve alta de 0,07% apurada em julho e marcando o ritmo de preços mais brando do ano. O alívio decorre de uma conjunção favorável que uniu o crédito extraordinário do Bônus de Itaipu nas faturas de energia elétrica, o barateamento dos combustíveis na bomba e a descompressão dos itens básicos da cesta de alimentos.

Com a deflação no mês, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou a acumular expansão de 3,11% no ano e de 4,22% no intervalo de 12 meses, oferecendo um respiro temporário ao orçamento doméstico e mantendo o indicador de longo prazo dentro do intervalo de tolerância da política monetária.

O recuo no custo de vida, contudo, esteve concentrado em fatores pontuais e administrados, enquanto itens específicos continuaram a pressionar o bolso de fatias pontuais da população.

Quatro dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentaram taxas negativas no período, liderados com folga pelo segmento de Habitação, que despencou 1,87% e cravou a menor variação para um mês de agosto desde a implantação do Plano Real, em 1994.

A retração em Habitação teve como motor primário a queda de 7,63% na energia elétrica residencial. Esse desconto expressivo nas contas de luz não decorreu de alteração estrutural no custo de geração, mas sim da incorporação direta do Bônus de Itaipu, benefício creditado aos consumidores residenciais nas faturas emitidas ao longo do mês. O efeito financeiro aliviou de forma imediata os custos fixos das famílias, funcionando como o principal vetor desinflacionário de agosto.

Transportes

Em paralelo, a mobilidade urbana e a logística de transportes também deram fôlego aos índices de preços. O grupo Transportes recuou 0,86%, embalado por uma contração média de 0,91% nos combustíveis.

Na esteira das cotações internacionais e dos ajustes de refino e distribuição, a gasolina recuou 0,59%, enquanto o óleo diesel registrou queda de 0,80% e o etanol hidratado cedeu 3,95%. A diminuição nos preços dos derivados de petróleo auxilia não apenas o motorista particular, mas arrefece a cadeia logística que abastece os grandes centros.

Alimentos e bebidas

Na mesa do trabalhador, o grupo Alimentação e bebidas cedeu 0,34%, impulsionado pelo recuo de 0,61% na alimentação no domicílio. Os produtos agrícolas in natura e de safra cheia foram os grandes aliados das donas de casa e dos consumidores de menor renda, que destinam fatia mais expressiva do orçamento à subsistência.

A batata-inglesa liderou os recuos com expressiva deflação de 19,89%, acompanhada por quedas acentuadas na cenoura (-11,22%), na cebola (-11,07%) e no tomate (-10,94%). Também ficaram mais baratos o ovo de galinha (-4,15%) e o café moído (-1,86%). Em sentido oposto, quem consome leite longa vida (+1,78%), frutas (+0,84%) e carnes (+0,61%) ainda enfrentou remarcações para cima, assim como os frequentadores de restaurantes e lanchonetes, cuja alimentação fora de casa avançou 0,36%.

Maiores altas

Entre os perdedores do mês, o grupo Despesas pessoais respondeu pela maior pressão altista da pesquisa ao saltar 1,30%, o que significou um impacto positivo de 0,13 ponto percentual sobre a composição do índice geral. Esse movimento derivou quase integralmente do encarecimento do cigarro, que subiu 19,59% no período e foi o item isolado de maior peso inflacionário no mês, adicionando 0,11 ponto percentual ao IPCA.

Completando o quadro setorial, registraram variações positivas os grupos Artigos de residência (+0,64%), Educação (+0,47%), Saúde e cuidados pessoais (+0,23%) e Vestuário (+0,12%), ao passo que Comunicação assinalou leve recuo de 0,09%.

INPC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), termômetro que mede o custo de vida de famílias com rendimento entre um e cinco salários mínimos e com maior peso para alimentação e habitação, repetiu exatamente a mesma variação do IPCA, fechando o mês em -0,32%.

A trajetória recente desenhada pelos dados do IBGE reflete uma desaceleração acumulada relevante, partindo de 0,07% em julho para o patamar negativo de agosto. Ainda que a inflação em 12 meses (4,22%) permaneça abaixo do teto estipulado para a meta anual, o caráter sazonal da deflação de alimentos e o efeito não recorrente do bônus tarifário na eletricidade sugerem cautela.

Para as autoridades de política monetária e os analistas de mercado, o comportamento dos preços livres e das despesas com serviços continuará no centro do radar para calibrar o ritmo dos juros básicos e os custos de crédito na economia nos próximos meses.

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