Investidor de fundos imobiliários amadurece e mira renda na aposentadoria
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São Paulo - A maturidade do investidor brasileiro de Fundos Imobiliários (FIIs) avançou de forma expressiva nos últimos anos e ajudou a sustentar a classe de ativos mesmo em um ambiente predominantemente de juros elevados, segundo pesquisa obtida com exclusividade pela Broadcast. O levantamento indica visões diferentes entre gerações: enquanto os menos experientes buscam rentabilidade, os investidores seniores valorizam renda fixa e já pensam na aposentadoria.
Isso se traduz de outra forma na Pesquisa de Perfil do Investidor de Fundos Imobiliários, conduzida pela Brain Inteligência Estratégica, Clube FII e Tree Inteligência Financeira.
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O perfil da amostra é predominantemente masculino (89%). A distribuição etária é concentrada em Baby Boomers (62 a 80 anos), com 42%, e na Geração X (46 a 61 anos), com 38%. A maior parte está no Sudeste, com destaque para São Paulo (43%), Rio (12%) e Minas (8%). Entre as ocupações, aposentados representam 22%, engenheiros 15%, profissionais de TI 8%, servidores públicos 7% e administradores 7%.
No total, o mercado de fundos de investimentos imobiliários conta hoje com cerca de 3,2 milhões de investidores, de acordo com o número de CPFs cadastrados na B3.
Com isso, a parcela de cotistas experientes, com mais de cinco anos de atuação, saltou de 13% em 2020 para 60% em 2026, enquanto os iniciantes, com até um ano, recuaram de 36% para 4%, de acordo com o levantamento.
Aposentadoria
A pesquisa, feita em junho de 2026 com investidores da base do Clube FII, indica que, mesmo com a Selic em 14,50% ao ano, os FIIs seguem consolidados como instrumento para geração de renda recorrente e construção patrimonial no longo prazo.
Nesse sentido, 94% dos respondentes apontam o fluxo de renda mensal como principal fator de permanência no segmento. A isenção de Imposto de Renda sobre os proventos aparece como motivador para 77%, enquanto 52% destacam a exposição ao setor imobiliário sem a burocracia do imóvel físico. Para 97%, FIIs são um pilar da estratégia de aposentadoria.
O aumento da senioridade vem acompanhado de maior capacidade financeira. A fatia de investidores com mais de R$ 500 mil alocados em FIIs cresceu 37% entre outubro de 2024 e junho de 2026 e chegou a 37% do total. Outros 32% declaram ter entre R$ 100 mil e R$ 500 mil investidos, enquanto as faixas com menor aporte encolheram.
"A pesquisa mostra que há diferentes perfis tanto de porte quanto de amadurecimento, conhecimento ou mesmo objetivo com os fundos. O investidor que aplica um valor mais baixo busca rentabilidade, enquanto aquele com maior renda, já está se preocupando com a gestão do fundo", disse Fabio Tadeu Araújo, CEO da consultoria Brain.
Diversificação
A diversificação também atingiu máximas: hoje um investidor tem, em média, 18 fundos por carteira, uma alta de 84,5% em relação a 9,7 fundos apurados em 2020.
O estudo aponta ainda predominância de gestão autônoma: 97% dizem administrar diretamente suas posições, sem assessor de investimento ou gerente bancário. "Produzimos esse levantamento desde 2020 e a gestão própria nunca esteve abaixo de 90% dos investidores pesquisados. No entanto, dos seis levantamentos realizados, o deste ano obteve o maior porcentual", diz Araújo.
Para ele, o principal motivo para isso é o custo que o investidor tem. O segundo motivo é a simplicidade de se investir em um FII. "Se é simples, por que vou pagar para um gestor fazer isso?", questiona.
Preferências dos investidores
Na preferência de alocação, os fundos de recebíveis imobiliários aparecem em 67% das carteiras e têm 67% de atratividade para novos aportes. Já os galpões logísticos estão em 66% das carteiras e lideram a intenção de investimento, com 75%. Em seguida vêm fundos híbridos, com participação de 57%, shopping centers (55%), lajes corporativas (52%) e fundos de fundos (28%).
"Os fundos de recebíveis trazem uma segurança maior. São fundos que têm um blend que possibilita fazer uma correção, caso ocorra algum problema lá na ponta em um empreendimento, por exemplo. Traz mais segurança. Já o setor logístico é o que mais cresce na economia e tem baixa taxa de vacância", explicou Araújo.
Entre gestoras, a Kinea Investimentos é a mais citada, com 63% das menções, seguida por BTG Pactual (30%), Pátria (29%), XP (16%) e Hedge/CSHG (13%). Os fundos mais frequentes nas carteiras são XPML11 (23%), BTLG11 (21%) e TRXF11 (18%).
Apesar da resiliência, a percepção de risco aumentou. O porcentual de cotistas que aponta o ambiente político como fator de forte redução da disposição para investir subiu de 10% em 2024 para 70% em 2026. O risco de mercado é citado por 85%, acima de inadimplência (78%) e vacância (75%).
(Por Eduardo Puccioni)
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