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Juros caem em julho, mas dívidas continuam pressionando renda das famílias

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Taxa média total do cartão de crédito recuou de 97,3% para 91,6% ao ano em julho - Adobe Stock
Taxa média total do cartão de crédito recuou de 97,3% para 91,6% ao ano em julho
Por Broadcast e Pedro Marques

28/08/2026 | 09h30

São Paulo - Os juros médios cobrados em empréstimos e outras modalidades de crédito caíram em julho, trazendo algum alívio para quem precisa recorrer aos bancos. Mas os números divulgados pelo Banco Central mostram que o cenário ainda exige atenção: as famílias brasileiras continuam com um nível elevado de endividamento, e uma parcela significativa da renda mensal segue comprometida com o pagamento de dívidas.

Para quem vive de aposentadoria, pensão ou outra renda fixa, a combinação desses dois fatores é especialmente importante. Uma pequena redução nos juros pode tornar determinadas operações menos caras, mas isso não significa que o crédito tenha se tornado barato — principalmente no cartão de crédito e no cheque especial.

A taxa média do chamado crédito livre, que reúne modalidades como empréstimos pessoais, cartão de crédito e cheque especial, caiu de 49,7% ao ano em junho para 47,7% em julho. Para as pessoas físicas, a redução foi maior: a taxa média passou de 63,9% para 60% ao ano.

Apesar da queda, os juros continuam muito acima dos níveis registrados há um ano. Em julho de 2025, por exemplo, a taxa média do crédito livre era de 45,9%.

Empréstimo pessoal mais barato

Entre as principais modalidades usadas pelas pessoas físicas, o empréstimo pessoal sem desconto direto em salário ou benefício teve uma redução expressiva. A taxa média caiu de 127,1% para 111% ao ano.

Os juros do cheque especial também recuaram, de 139,9% para 137,3% ao ano, mas continuam entre os mais elevados do mercado.

No caso do crédito consignado, modalidade muito utilizada por aposentados e pensionistas porque as parcelas são descontadas diretamente da renda, a taxa média teve uma pequena alta: passou de 28,3% para 28,4%.

Na prática, isso mostra que o consignado continuou, em média, mais barato do que outras formas de empréstimo. Ainda assim, o aumento, mesmo pequeno, ocorre em um momento em que muitas famílias já têm uma parcela importante de sua renda comprometida com dívidas.

Por que os juros do cartão aparecem acima de 400%?

Um dos números que mais chamam atenção é o do cartão de crédito rotativo. A taxa média anual divulgada pelo Banco Central caiu de 442,4% para 436,2%.

À primeira vista, o número pode parecer incompatível com a regra que limita os juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura a 100% do valor original da dívida. Mas as duas informações não se contradizem.

A taxa divulgada pelo Banco Central é uma referência estatística calculada ao transformar em valor anual os juros cobrados em períodos menores. Na prática, o consumidor normalmente não permanece um ano inteiro no crédito rotativo.

Desde janeiro de 2024, os juros e encargos cobrados no rotativo e no parcelamento não podem fazer com que a dívida ultrapasse o dobro do valor originalmente devido. Ainda assim, deixar uma parte da fatura sem pagamento ou recorrer ao parcelamento continua sendo uma forma cara de financiar despesas.

Os juros médios do cartão parcelado também caíram, de 191,4% para 189,3% ao ano. Considerando conjuntamente as operações de rotativo e parcelamento, a taxa média total do cartão recuou de 97,3% para 91,6%.

Famílias continuam perto do maior nível de endividamento

Enquanto algumas taxas de juros caíram, o endividamento das famílias permaneceu praticamente estável.

Em junho, as dívidas das famílias brasileiras equivaliam a 49,8% da renda acumulada nos 12 meses anteriores. O percentual ficou no mesmo nível de maio e pouco abaixo do recorde de 49,9%, registrado em março e abril.

Esse indicador considera diferentes tipos de dívidas. Quando os financiamentos imobiliários são retirados da conta, o endividamento cai para 30,8% da renda, ante 31,1% no mês anterior.

Outro dado importante é o comprometimento de renda, que mostra quanto da renda das famílias está sendo destinada ao pagamento de obrigações financeiras. Esse percentual subiu de 28,5% para 28,9%.

Sem considerar os empréstimos para compra de imóveis, o comprometimento da renda passou de 26,2% para 26,6%. Quase três em cada dez reais da renda considerada nesse indicador estavam comprometidos com pagamentos ao sistema financeiro.

Crédito para imóveis e veículos continua crescendo

Os dados do Banco Central também mostram aumento no volume de crédito contratado habitação e automóveis.

O saldo das operações de crédito destinadas à habitação para pessoas físicas cresceu 1,4% em julho, em comparação com junho, e atingiu R$ 1,415 trilhão. Em 12 meses, o crescimento foi de 13,7%.

O crédito para compra de veículos também avançou. O saldo das operações para pessoas físicas aumentou 1% no mês e chegou a R$ 409,566 bilhões, acumulando alta de 10,3% em 12 meses.

O crescimento dessas modalidades mostra que mais recursos continuam sendo destinados ao financiamento de bens de maior valor, o que ajuda a explicar por que o nível de endividamento das famílias permanece elevado.

(Com informações de Marianna Gualter e Mateus Maia)

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