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Endividamento das famílias bate recorde e chega a 82% em julho, aponta CNC

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17,1% dos entrevistados se consideram muito endividados - Envato
17,1% dos entrevistados se consideram muito endividados
Por Alexandre Barreto

06/08/2026 | 14h48

São Paulo - O percentual de famílias brasileiras endividadas atingiu 82% em julho, estabelecendo o sexto registro seguido de máxima na série histórica. O dado foi divulgado nesta quinta-feira, 6, pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), por meio da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).

O número representa alta de 0,4 ponto percentual em relação a junho, quando o índice estava em 81,6%. Entre as dívidas consideradas pela pesquisa estão cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal e financiamentos.

Apesar do recorde no percentual de famílias endividadas, a pesquisa mostra uma composição mais favorável nesse endividamento. O grupo que se considera muito endividado teve leve queda em julho, para 17,1%.

Já a parcela de famílias que se considera pouco endividada subiu para 35%, registrando o terceiro mês seguido de alta. Segundo a CNC, essa percepção tem caráter subjetivo.

"O indicador não representa, necessariamente, uma situação de superendividamento, mas reflete a forma como os consumidores avaliam a própria condição financeira, influenciada por fatores culturais e pela relação de cada pessoa com o crédito", destacou.

Inadimplência tem leve queda em julho

O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso caiu 0,1 ponto percentual no mês, para 29,8%. Por outro lado, o grupo que afirma não ter condições de quitar as dívidas atrasadas subiu para 12,3%, retornando ao patamar registrado entre março e maio.

O tempo médio de atraso no pagamento também recuou, pelo terceiro mês seguido, para 64,6 dias. É o menor nível desde dezembro de 2025, quando o indicador marcou 64,3 dias. Além disso, 48,5% das famílias relataram atraso superior a 90 dias, o menor percentual desde agosto do ano passado.

Desenrola 2.0

Os dados apurados oferecem um retrato do cenário financeiro das famílias ao fim dos primeiros 90 dias de Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas do governo federal, disponibilizado em 5 de maio.

Mesmo com menos tempo de atraso, as famílias reportaram maior comprometimento da renda com dívidas. O percentual de consumidores que destinam mais da metade dos rendimentos ao pagamento de dívidas subiu para 19%, o maior nível desde março deste ano.

Por conta disso, o comprometimento médio da renda com dívidas avançou para 29,5% em julho. A parcela de famílias com dívidas feitas há mais de um ano caiu para 33,1%, enquanto aumentou a de quem contraiu dívidas nos últimos seis meses. Como essas dívidas costumam ter parcelas mais altas, elas pesam mais no orçamento das famílias.

“Vemos sinais positivos de resiliência, seja pelo pagamento das dívidas com o programa Desenrola, seja com a massa de rendimentos e ocupação aumentando. Porém, os números mostram que é preciso avançar em medidas que aliviem o bolso do trabalhador e, consequentemente, estimulem uma melhora do setor produtivo”, comenta o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.

Endividamento por faixa de renda

Os dados por faixa de renda mostram alta do endividamento em todos os grupos em julho. O maior avanço ocorreu entre as famílias com renda acima de dez salários mínimos, com 72%, alta de 4,1 pontos percentuais. Já as famílias com renda entre cinco e dez salários mínimos tiveram avanço de 1,1 ponto percentual.

Na inadimplência, o grupo de maior renda, que teve o maior aumento no endividamento, registrou queda de 0,5 ponto percentual nas dívidas em atraso.

Já as famílias com renda de até três salários mínimos foram as únicas com alta nos atrasos, de 0,5 ponto percentual, e também as únicas com aumento na parcela que declara não ter condições de quitar as dívidas em atraso, de 0,2 ponto percentual.

"Os resultados de julho indicam que as famílias têm mantido um controle maior sobre o orçamento, mesmo com um peso maior das dívidas na renda mensal", informou a CNC. No entanto, a entidade projeta elevação das contas em atraso no próximo trimestre, acompanhada de crescimento gradual do endividamento.

Sobre a pesquisa

A Peic é realizada mensalmente pela CNC desde janeiro de 2010, com cerca de 18 mil consumidores entrevistados em todas as capitais e no Distrito Federal. A pesquisa mede o percentual de famílias endividadas, os tipos de dívida mais comuns, o nível de endividamento declarado, o tempo de comprometimento com dívidas, o percentual de contas em atraso e o tempo médio desse atraso.

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