Restituição do IR pode trazer alívio para endividados, dizem especialistas
Envato
São Paulo - A entrada de um dinheiro extra na conta, com o depósito do primeiro lote de restituição do Imposto de Renda no final de maio, representa alívio para muitos brasileiros, principalmente os que estão endividados. Pesquisa da Serasa realizada em parceria com a Opinion Box revela que pelo menos 25% dos contribuintes têm planos de usar esse dinheiro para pagar dívidas.
Outros 23% devem destinar esses recursos para o pagamento de contas básicas do orçamento doméstico. Somente 16% dos entrevistados afirmaram que devem conseguir poupar e 14% planejam investir.
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Em anos anteriores, aponta a pesquisa, 45% já utilizaram a restituição para sair do vermelho. O momento pode representar uma oportunidade de reorganização financeira, de fato.
Porém, para isso é preciso substituir a reação emocional imediata da grana "extra" caindo na conta corrente, por uma decisão mais consciente e planejada.
A entrada desse dinheiro costuma ser percebida pela população como um prêmio ou um ganho inesperado, destaca a economista Paula Gonçalves Sauer, professora do Curso de Inteligência Financeira da ESPM.
Na psicologia econômica, isso é conhecido como 'contabilidade mental': as pessoas tendem a tratar recursos provenientes de diferentes fontes de maneiras diferentes, mesmo que todo dinheiro tenha o mesmo valor", explica a economista.
'Licença para gastar'
Nesse contexto, muitos contribuintes sentem uma espécie de "licença psicológica" para gastar a restituição com consumo, viagens ou presentes. Agora, com a chegada da Copa do Mundo de futebol, então, o risco é deixar o planejamento financeiro de lado.
Há o churrasco com a galera para torcer, compras de impulso. O primeiro passo deveria ser justamente evitar essa armadilha, aconselha a economista.
Muitas vezes, a sensação de ter recebido um dinheiro extra em vez de ser vista como uma oportunidade importante para reorganizar as finanças acaba sendo um gatilho para o consumo imediato, admite Andrea Machado Gomes, diretora operacional na Contafarma, empresa de contabilidade digital especializada no setor farmacêutico.
É importante, antes de mais nada, é fazer um diagnóstico honesto da situação. Quais dívidas existem, entender a origem das dificuldades, quais são seus custos, se há uma reserva de emergência e quais são as prioridades financeiras da família.
Fazer esse diagnóstico financeiro também é a recomendação de Andrea Gomes. "Faça uma lista de todas as suas dívidas, identifique os juros cobrados em cada uma delas e avalie sua situação de caixa", ensina.
Luciano Alves Batista, gestor jurídico de Recuperação de Crédito e Sócio da Tahech Advogados, concorda que isso é primordial, principalmente a identificação de quais são as dívidas mais caras, como por exemplo, cartão de crédito e cheque especial.
Ele reforça que se os débitos forem facilmente sanáveis com parcelas que cabem no bolso e ainda sobrar um valor, mesmo que pequeno, a restituição pode ser direcionada para investimentos, formação de reserva de emergência ou objetivos de longo prazo.
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