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Saiba como usar a grana extra da restituição do IR para pagar dívidas

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Retomar o controle das finanças exige planejamento e mudança de comportamento - Adobe Stock
Retomar o controle das finanças exige planejamento e mudança de comportamento
Por Fabiana Holtz

03/06/2026 | 10h25 ● Atualizado | 10h26

São Paulo - A Receita Federal ainda irá depositar outros três lotes de restituição do Imposto de Renda em junho, julho e agosto. Para aproveitar bem esse momento e reorganizar a vida financeira, o plano de se livrar das dívidas precisa ser bem pensado para ser executado com sucesso, afirma Luciano Alves Batista, gestor jurídico de Recuperação de Crédito e Sócio da Tahech Advogados,.

Algumas pessoas usam toda a restituição para quitar dívidas e acabam voltando ao cartão de crédito ou cheque especial diante de um imprevisto. Dependendo da situação, e se for possível, é recomendado manter uma reserva mínima antes de usar todo o valor."

Isso porque o custo financeiro dessas dívidas mais caras costuma ser muito superior a qualquer rendimento que o dinheiro poderia gerar em aplicações. Um dos erros mais frequentes, pondera Andrea Machado Gomes, diretora operacional na Contafarma, empresa de contabilidade digital, é quitar uma dívida e continuar utilizando crédito da mesma forma que antes. 

Repensar seus gastos e sua rotina diária de consumo é o primeiro passo.

Causas e reincidência

Quitar a dívida sem mudar o comportamento financeiro é um erro bastante comum, concorda Antonio Carlos Santos, presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas no Estado de São Paulo (Sescon-SP).

Para evitar a reincidência, é fundamental corrigir a causa do endividamento, criar um orçamento mensal, controlar gastos e estabelecer limites claros para o uso do cartão de crédito", defende ela."

A exceção pode ocorrer quando a pessoa não possui nenhuma reserva mínima para despesas essenciais e corre o risco de contrair novas dívidas diante de um imprevisto. 

Poder de negociação 

Outro ponto a seu favor é que ter recursos disponíveis fortalece bastante o poder de negociação. "Em muitos casos, a maior vantagem está na obtenção de descontos para liquidação à vista, principalmente em dívidas já vencidas", afirma Andrea Gomes. 

Antonio Carlos Santos, homem, branco, de barba e cabelos escuros
Quitar dívida sem mudar o comportamento financeiro é um erro bastante comum, alerta Antonio Carlos Santos - Divulgação

O dinheiro “na mão” confere um enorme poder de barganha, afirma Santos. "A estratégia que costuma trazer mais resultado é pedir um desconto agressivo no saldo devedor original, propondo a retirada total ou parcial de juros de mora e multas em troca do pagamento à vista", afirma. 

As instituições financeiras têm interesse em recuperar rapidamente valores considerados de difícil recebimento. 

Outro caminho recomendável na negociação é exigir o abatimento proporcional dos juros futuros em casos de quitação antecipada. Em geral, a proposta de quitação total à vista mediante desconto é a alternativa mais vantajosa. Alongar prazos ou consolidar dívidas pode ser uma saída, mas normalmente deve ficar como plano B.

Reorganização e estratégia

Quando a restituição não é suficiente para liquidar a dívida inteira, o endividado deve tomar cuidado para não usar o valor sem uma estratégia. Normalmente nos meses seguintes, alerta Batista, a tendência é perder o controle novamente.

Nessa situação, o ideal é transformar a restituição em um “divisor de águas” para reorganizar o fluxo financeiro."

Segundo os economistas e especialistas em educação financeira, muitas pessoas conseguem “sair da emergência”, mas não consolidam hábitos que impeçam o retorno ao endividamento.

Reconstruir crédito não depende apenas de limpar o nome, lembra Batista. É preciso ter previsibilidade financeira e comportamento consistente ao longo do tempo. Para colocar suas finanças nos eixos, além de quitar as dívidas a dica básica dos economistas é tornar o planejamento financeiro um hábito

Atitudes como automatizar pagamentos para evitar atrasos e reduzir o uso impulsivo do cartão de crédito ajudam muito nessa retomada do controle, segundo o presidente do Sescon-SP. "Liberdade financeira não depende apenas de quitar dívidas, mas de criar uma relação mais equilibrada e planejada com o dinheiro", afirma.

Despesas emocionais

A partir desse controle cotidiano é possível perceber desequilíbrios antes da crise aparecer. Outra dica preciosa dos educadores financeiros é separar despesas essenciais das emocionais

Após sair das dívidas, muitas pessoas passam a consumir como uma forma de “recompensa”. Cuidado: o resultado desse comportamento costuma ser novas dívidas parceladas sem necessidade.

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