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Sem surpresas com corte da Selic, mercado revisa cenário para 2º semestre

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Expectativa do mercado é de novo corte em junho, mas cenário externo ainda preocupa - Adobe Stock
Expectativa do mercado é de novo corte em junho, mas cenário externo ainda preocupa
Por Broadcast e Fabiana Holtz

30/04/2026 | 10h02 ● Atualizado | 10h03

São Paulo - O corte na taxa básica de juros (Selic) anunciado nesta quarta-feira, 29, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), de 14,75% para 14,50% ao ano, foi considerado insuficiente por boa parte dos economistas e analistas do mercado.

Leia também: Banco Central reduz taxa de juros Selic de 14,75% para 14,50% ao ano

Na avaliação de Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a nova redução na taxa Selic parece "mais uma encenação do que um sinal concreto de mudança".

Em nota, Skaf reforçou que a taxa de juros no Brasil continua entre as mais altas do mundo. No nível atual, a 14,50%, o custo da dívida pública se aproxima de R$ 1 trilhão ao ano, segundo ele.

É impossível para a sociedade conviver com uma taxa básica que é três vezes a inflação. Trata-se de um cenário insustentável".

Leia também: Dia de Copom: o que é Selic e como funciona a decisão de juros

Mas a sensação no mercado é de o caminho está aberto para mais cortes. É o que diz o economista-chefe para o Brasil do Barclays, Roberto Secemski. Ele destaca o trecho do comunicado do Copom sobre "passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros", em vez de simplesmente dizer "passos futuros".

Em sua avaliação, o Copom assim sugeriu, sutilmente, que o plano é cortar novamente a taxa Selic na reunião de junho. Contudo, o Barclays elevou sua projeção para a taxa Selic no fim de 2026 de 13,00% para 13,50% ao ano.

Para o Barclays, as condições atuais permitem, no máximo, reduções de 0,25 ponto porcentual por reunião, sendo, inclusive, esta a expectativa para a reunião de junho.

Marco Caruso, economista do banco Santander, considera que a mensagem parece ser que o BC segue calibrando, com corte de 25 pontos-base, mas o orçamento total de cortes será reavaliado.

Já o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, manteve a projeção de Selic a 13,5% no fim deste ano, com aceleração do ritmo de cortes, para 0,5 ponto porcentual, nas duas próximas reuniões do Copom, marcadas para junho e agosto.

Cautela excessiva

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI) o corte anunciado da Selic "ainda é insuficiente". Segundo a entidade, nem mesmo a volatilidade nos preços do petróleo em razão da guerra no Oriente Médio justifica essa "cautela excessiva" do BC em relação ao ciclo de cortes dos juros, "postura que sufoca ainda mais a economia.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, defende que o BC precisa intensificar os cortes da Selic a partir da próxima reunião do Copom, em junho. "Uma taxa de juros mais baixa deixou de ser apenas desejável e passou a ser essencial para recuperamos a produtividade e o bem-estar da população brasileira", afirma Alban.

A entidade destaca ainda que a manutenção da Selic em níveis elevados piora o endividamento corporativo e a inadimplência, que atingiram níveis jamais vistos, prejudicando principalmente micro e pequenas empresas.

Embora apoie o corte anunciado ontem, a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) também pede cortes mais profundos. Segundo o presidente da associação, Luiz França, os juros altos asfixiam o setor produtivo e que a inflação segue pressionada por tensões no Oriente Médio, afetando os custos da construção.

(Com Caroline Aragaki, Gabriela Jucá, Sandra Manfrini)

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