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Ter casa própria é principal marco de realização pessoal para brasileiros

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Não conseguir atingir a meta de adquirir a casa própria deixaria 58% dos brasileiros tristes, segundo a pesquisa - Envato
Não conseguir atingir a meta de adquirir a casa própria deixaria 58% dos brasileiros tristes, segundo a pesquisa
Por Fabiana Holtz

31/08/2026 | 17h12

São Paulo - Na avaliação de 67% dos brasileiros ter casa própria é prioridade e representa um sinal de sucesso, segundo pesquisa global "Life Aspirations 2026" da Ipsos, realizada com 22 mil pessoas em 30 países, sendo 1.000 no Brasil. Essa resposta, aqui no País, foi bastante superior à média global, de 58%.

A conquista de um emprego estável, por sua vez, representa um sinal de sucesso para 66% dos brasileiros, resultado próximo da média global (de 65%). De acordo com a Ipsos, o emprego estável represente a forma de garantir segurança econômica

Não conseguir atingir a meta de adquirir a casa própria deixaria 58% dos brasileiros muito ou um pouco tristes, acrescenta a pesquisa. Esse indicador também ficou consideravelmente distante da média global, que é de 40%.

Segundo o levantamento, a Geração Z (nascidos entre 1997 e 2010) não abandonou os valores tradicionais, mas agora esbarra em barreiras econômicas. 

Casar e ter filhos perde espaço

Na lista de prioridades dos entrevistados, apenas 23% dos brasileiros mencionaram ter filhos e 25% se casar, ante 31% e 25%, respectivamente, da média global. Um outro sinal de como o conceito de família passa por uma redefinição, 21% dos brasileiros consideram a adoção de um animal de estimação um sinal de sucesso na vida adulta, enquanto a média global para esse indicador é de 16%.

Entre os brasileiros da Geração Z, em especial, ter um pet (24%) é considerado um marco de sucesso mais relevante do que ter filhos (19%). No grupo dos Millennials (nascidos entre 1981 a 1996) essa diferença é ainda maior: 29% mencionam os animais de estimação, enquanto somente 18% mencionam o desejo de serem pais.

Custo de vida e incerteza econômica

O crescimento da importância da segurança econômica, de acordo com os pesquisadores da Ipsos, é reflexo da alta nos custos de moradia, da incerteza econômica e do maior custo de vida em muitas partes do mundo. 

No recorte por gênero, apesar de ambos classificarem uma série de eventos da vida na mesma ordem de importância, os homens - globalmente falando - se mostraram mais propensos do que elas a declarar o casamento e tornar-se pai como sinais importantes de uma vida bem-sucedida. A diferença em relação as mulheres foi de 7 e 5 pontos porcentuais, respectivamente. No Brasil, a diferença entre os gêneros foi ainda maior nesses indicadores, de 8 e 7 pontos percentuais, respectivamente.

Referências de sucesso

Os resultados desse estudo na visão de Lucymara Andrade, diretora de pesquisas na Ipsos mostram que os jovens na verdade não abandonaram os valores tradicionais, somente os enxergam como mais difíceis de alcançar.

Na verdade, o que eles indicam é que a casa própria, estabilidade profissional e constituição de família continuam sendo referências importantes de sucesso, afirma. 

O debate, ressalta Andrade, não é sobre mudança de valores, mas sobre acesso a oportunidades. De acordo com ela, quando a expectativa cai, mas a aspiração permanece alta, cresce também o risco de frustração.

A pesquisa mostra que a Geração Z é a mais propensa a sentir tristeza caso não alcance os principais marcos até o fim da vida. Nessa faixa etária, 54% dos brasileiros conta que ficaria triste caso nunca conquistasse uma casa própria (54%) ou um emprego estável (56%).

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