Por que a seleção de 94 entrava de mãos dadas? A história por trás do tetra
Reprodução/CBF
São Paulo - Quem acompanhou a Copa do Mundo de 1994, também nos Estados Unidos, ainda se recorda de ver a seleção brasileira entrar em campo com todos os seus jogadores de mãos dadas. Era até difícil de andar no gramado, mas era assim que o time do técnico Carlos Alberto Parreira se apresentava nas partidas. O lateral Branco era um dos líderes da equipe, assim como Dunga e Ricardo Rocha. E não havia quem reclamasse do gesto. Olhando para trás, parece "brega", mas havia um motivo bastante simbólico naquele gesto para aquele time.
Tudo começou em 24 de julho de 1993, portanto, um ano antes da Copa em que o Brasil seria tetracampeão mundial. Mas naquele momento ninguém ousava imaginar isso. Nem o mais "Pacheco" de todos. Pacheco era o torcedor símbolo da seleção brasileira na Copa de 1982.
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Naquele dia, em La Paz, o Brasil perdeu a sua primeira partida nas Eliminatórias Sul-Americanas. A seleção caiu diante da Bolívia por 2 a 0 na altitude da cidade boliviana: 3.650 metros acima do nível do mar, onde o ar é rarefeito para os brasileiros.
Derrota abriu uma fenda com os torcedores
Pior do que a derrota foi a vaia e a decepção do torcedor com o time nacional. O fracasso abriu uma fenda entre o povo brasileiro e a seleção. O clima pesou. A CBF foi pressionada para demitir Parreira e "limpar" o elenco. Tudo parecia fora do lugar. Para piorar, o treinador se recusava a convocar Romário, que já arrebentava no Barcelona.
Foi quando, na partida de volta contra a mesma Bolívia, no Recife, Estádio do Arruda, os jogadores decidiram entrar em campo de mãos dadas. Era um gesto para passar o recado de time fortalecido e unido e que não desistiriam da caminhada em busca da vaga para a Copa de 1994. O Brasil, como se sabe, é o único país do mundo a ter disputado todas as Copas, de 1930 até 2026. Mas já correu alguns riscos.
De mãos dadas no Arruda e um dia depois de ter recebido o carinho do torcedor no treino, com 18 mil pessoas no estádio, a seleção engrenou: ganhou da mesma Bolívia por 6 a 0 e continuou acreditando na classificação até o último jogo das Eliminatórias, quando Romário marcou aqueles dois gols no Maracanã contra o Uruguai e carimbou o passaporte do Brasil para os Estados Unidos.
O ambiente sempre foi pesado naquela Copa
O gesto das mãos dadas ganhou força no vestiário e passou a ser um jeito de a seleção dar o seu recado também durante a Copa de 1994. Era um time sofrido e criticado, que viveu um ambiente pesado até chegar aos Estados Unidos.
É claro que não foi aquele gesto que fez a seleção campeã diante da Itália nos pênaltis na grande final no Rose Bowl, em Pasadena. O Brasil ganhou porque foi melhor e mais eficiente do que os seus rivais. "As mãos dadas" nasceu por sugestão do zagueiro Ricardo Rocha, de sua própria vivência no Estadual Pernambucano de 1983, quando atuava pelo Santa Cruz. E o elenco comprou a ideia para defender Parreira.
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