Espanha acaba com mito de invencível da França. Mas como ela conseguiu isso?
Reprodução/Instagram Fabián Ruiz
Nova York - A França não era imbatível como todos imaginavam nesta Copa do Mundo e como a Espanha provou em 90 minutos, sem precisar da prorrogação e dos pênaltis nesta primeira partida da semifinal da competição. À sua maneira, sempre pressa e sem dar espaço, com uma defesa sólida, um goleiro atento e um meio de campo incansável enquanto precisou dele na batalha, os espanhóis fizeram os franceses sangrarem lentamente.
A vitória por 2 a 0 teve requintes de crueldade porque a França e os franceses sempre acharam que o empate era questão de tempo, assim como a virada e a vitória, como foi nas partidas anteriores. Mas isso não esteve nem perto de acontecer em Dallas.
A Espanha, diferentemente também do que todos imaginavam, não ficou tanto mais com a bola: 52% contra 48%, o que quer dizer que ela jogou e deixou o time de Mbappé jogar. Mas então onde a Espanha ganhou da melhor seleção do Mundial, apontado em verso e prosa em quase todos os bolões da véspera como o "primeiro" finalista? A resposta não é tão simples e tem mais de um motivo, alguns até já apontados anteriormente.
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Unai Simón, um goleiro razoável e nada além disso, não perdeu a concentração um só instante nos atacantes franceses e no que poderia acontecer em campo. Ligado, jogou adiantado. E lá estava ele para fazer cortes até de cabeça fora da área. Foi um goleiro-linha.
Espanha ganha na defesa e no meio de campo
A defesa espanhola deu inveja à dupla brasileira formada por Marquinhos e Gabriel Magalhães, com o perdão da comparação. Cucurella, que agora é do Real Madrid, não foi mais nem menos. Foi exato. Ele ainda tirou uma bola dos pés de Mbappé dentro da área quando a Espanha já vencia por 2 a 0.
Pedro Porro, o lateral do lado direito, fez um golaço que poderia ter muito bem a assinatura dos franceses. Usou Dani Olmo de pivô para entrar na área e chutar forte. Um golaço.
Mas foi no meio de campo que a Espanha afastou todos os seus fantasmas, se é que os espanhóis estavam assombrados como o restante do mundo com o poder de fogo dessa França. Fabián Ruiz engoliu todos eles, de Barcola a Dembélé, passando por Mbappé e Olise. Firme e forte, sempre bem posicionado, o camisa 8 da Espanha lembrou os bons tempos do alemão Toni Kroos, outro camisa 8 de Copas.
Fabián Ruiz é o novo Toni Kroos
Mas enquanto Fabián Ruiz impedia que a "Bastilha" fosse tomada novamente, como fizeram os franceses em 14 de julho de 1789 contra o Rei Luis XVI, num dos principais episódios da Revolução Francesa, Dani Olmo acalmava a batalha, tocava a bola sem pressa, recomeçava as jogadas e colocava ordem na disputa.
A Espanha ousou atacar a França, o que ainda não havia acontecido por parte de nenhuma outra equipe antes nesta Copa. Deu muito certo, apesar de contar com erros dos franceses, como o chute de Digne dado em Lamine Yamal dentro da área no primeiro tempo. Pênalti claro. O lateral francês olhou apenas para a bola e não viu o garoto chegando em velocidade. Vacilou.
A bem da verdade, a França perdeu sem abrir mão do seu futebol vistoso, elegante e bonito. Manteve o padrão, a velocidade, a graça e a troca de posições entre os seus jogadores durante a disputa. Foi uma das maiores e mais bonitas derrotas deste Mundial. Perdeu jogando bonito.
Mas o problema dos franceses não foram os franceses, é claro. Foram os espanhóis, o seu estilo de jogo, a sua escolha sobretudo nascida no Barcelona e os resultados recentes que fizeram com que eles jamais temessem o "bicho-papão" da Copa. A Espanha agora assiste de camarote ao jogo desta quarta-feira entre Inglaterra e Argentina, em Atlanta, para saber quem vai enfrentar no dia 19, no MetLife Stadium, em New Jersey, na grande finalíssima da competição. Quem passar, já sabe o tamanho da encrenca que terá pela frente. É Copa do Mundo, amigo!
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