CONFIRA

'Jiu-jitsu não tem idade', diz competidor 70+, o mais velho do SPFC

Nivaldo Santos começou aos 69 anos e hoje treina três vezes por semana; ele se prepara para disputar o Sul-Americano na categoria

Alexandre Barreto

Por Alexandre Barreto

25/09/2026 | 09h30 ● Atualizado | 09h30

Arquivo pessoal/Nivaldo Santos

Nivaldo Santos, de 70 anos, treina jiu-jitsu e se prepara para o Sul-Americano - Arquivo pessoal/Nivaldo Santos
Nivaldo Santos, de 70 anos, treina jiu-jitsu e se prepara para o Sul-Americano
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Nivaldo Santos, de 70 anos, é o competidor mais velho do São Paulo Futebol Clube no jiu-jitsu, onde treina com atletas de várias idades e se prepara para o Sul-Americano após conquistar uma medalha de bronze em um campeonato recente.

Antes de começar a praticar, Nivaldo pesava 112 kg e, com a nova rotina de treinos, perdeu peso e melhorou sua saúde, destacando que não deseja tratamento diferenciado por causa da idade e que a prática é adaptável a todos.

O professor Rhuan Yuri elogia a dedicação de Nivaldo, que compete em categorias Master, e a treinadora Thaina Alves ressalta que o jiu-jitsu pode ser adaptado para praticantes mais velhos, incentivando a participação de pessoas acima de 60 anos no esporte.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Competidor mais velho de jiu-jítsu do São Paulo Futebol Clube (SPFC), Nivaldo Santos, de 70 anos, divide o tatame com atletas de diferentes gerações. Há um ano e meio, ele recebeu o convite para experimentar o esporte, sem nunca ter praticado artes marciais.

"Eu falei: ‘Poxa, mas eu estou com 69 anos’. Falaram: ‘Isso não tem idade’”, conta. A dúvida inicial sobre "ser velho demais" deu lugar a uma rotina de treinos, competições e preparação física.

Hoje, ele é faixa branca de terceiro grau e treina às segundas, quartas e sextas-feiras, nos períodos da manhã e da noite. Depois de conquistar uma medalha de bronze no campeonato Bad Boy, o atleta se prepara para disputar o Sul-Americano no fim deste mês.

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Ele relata que chegou ao tatame cercado principalmente por jovens. Segundo o atleta, o grupo o recebeu bem desde o início, mas ele fez uma questão ao professor: não queria receber um tratamento diferente por causa da idade.

Eu não quero que seja aliviado nada. Eu quero ser um praticante do jiu-jitsu como uma pessoa de 17, 18, 20, 40 anos. Essa foi a minha entrada no jiu-jitsu.
Nivaldo Santos, competidor 70+ do SPFC

Mudanças no corpo e na mente

A nova rotina também trouxe mudanças físicas. Antes de começar a praticar jiu-jitsu, Nivaldo pesava 112 kg. Atualmente, está com 94 kg. “Melhorou toda a minha rotina após esses treinamentos, após a luta. Tanto a saúde, o sono, a minha alimentação se tornou uma alimentação normal, mais incentivo, mais descanso, mais disponibilidade”, relata.

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Aos 70 anos, Nivaldo Santos divide o tatame do SPFC com diferentes gerações
Aos 70 anos, Nivaldo Santos divide o tatame do SPFC com diferentes gerações - Alexandre Barreto/VIVA

Para o professor Rhuan Yuri, faixa-preta e integrante da equipe de lutas do São Paulo, Nivaldo consegue acompanhar a rotina do grupo sem precisar de uma adaptação específica.

“É uma honra treinar o Nivaldo. Ele luta com qualquer tipo de idade. O treino aqui ele faz desde o aquecimento até a parte final mais intensa, não reclama de nada”, afirma.

Rhuan destaca que o competidor 70+ mantém uma rotina ativa e demonstra interesse pelas competições. “É um cara que gosta de competir. Mesmo sendo mais velho, gosta de competir. Ele é esforçado, faz dois treinos por dia”, diz o professor.

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Categorias do jiu-jitsu para atletas mais velhos

As competições de jiu-jitsu são organizadas considerando critérios como idade, peso e faixa. Entre os atletas mais velhos, existem categorias Master que avançam conforme a faixa etária. Por exemplo, Nivaldo é classificado como Master.

Segundo ele, a dificuldade é encontrar adversários da mesma idade em determinados torneios. Em uma competição recente, ele acabou disputando uma categoria diferente da sua por falta de atletas suficientes na faixa etária correspondente. Foi assim que conquistou a medalha de bronze.

A treinadora Thaina Alves, que também compete no jiu-jitsu e auxilia na preparação de Nivaldo, explica que nem todos os torneios possuem as categorias mais avançadas. “Em campeonatos maiores, como o Brasileiro, há mais categorias de Master acima”, explica.

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No Sul-Americano que Nivaldo disputará, a divisão disponível chega até o Master 5. Por isso, a preparação precisa considerar a possibilidade de enfrentar um adversário mais jovem.

Nivaldo se tornou referência na modalidade

A presença de Nivaldo também chama atenção dentro do próprio clube. Segundo Wilton Maurelio, coordenador do Departamento de Lutas do São Paulo, as atividades incluem jiu-jitsu, kickboxing e kung fu, com turmas para diferentes públicos.

No SPFC, o jiu-jítsu reúne competidores de diferentes idades e gerações no tatame
No SPFC, o jiu-jitsu reúne competidores de diferentes idades e gerações no tatame - Arquivo pessoal/Nivaldo Santos

Para ele, Nivaldo se tornou uma referência dentro da modalidade justamente por continuar treinando e competindo aos 70 anos. “Ele está lutando bem, representando o clube, já foi em campeonato, começou recentemente e já é um expoente e um modelo para todos os jovens aqui da nossa modalidade”, disse.

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Thaina Alves também destaca que a modalidade pode ser adaptada de acordo com o condicionamento físico de cada praticante. “Hoje em dia, o jiu-jitsu é para todos. Todo mundo consegue estar treinando. A gente está sempre tentando adaptar o jiu-jitsu para trazer essa galera 60+ também”, destaca.

Ela explica que, entre os alunos mais velhos, os professores podem priorizar posições que exigem menos flexibilidade e respeitar as condições individuais de cada praticante.

“É saber adaptar as posições, não querer passar nada muito além, algo muito difícil, para que eles consigam aprender também e colocar em prática na hora da luta”.

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Efeitos do esporte no envelhecimento

O professor Rhuan também ressalta que a prática esportiva pode trabalhar diferentes aspectos da condição física. “É bom para o estado de saúde, tanto na circulação sanguínea, tanto para o coração, mobilidade, trabalhar força. Para as pessoas mais velhas é ótimo para fortalecer os ossos”, afirma.

Ele também explica que o fato de o jiu-jitsu ser uma modalidade de luta não significa que todos os iniciantes precisem começar com a mesma intensidade. Para quem chega ao esporte sedentário ou com alguma limitação, o treinamento pode ser progressivo.

Antes do jiu-jitsu, Nivaldo tinha experiência principalmente com futebol e musculação. Agora, os objetivos são maiores: depois do campeonato deste mês, ele pensa em disputar outras competições nacionais e, se possível, chegar a um Mundial.

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Ele diz que costuma ouvir comentários de pessoas de 45, 55 ou 60 anos que consideram estar "muito velhas" para iniciar a modalidade. Para ele, a idade não deve ser o principal obstáculo para conhecer o esporte. “Venham praticar, porque o esporte é para todos, seja 50+, 60+ ou 70+", conclui.

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