Vôlei sentado amplia inclusão no esporte paralímpico; entenda como funciona
Tomaz Silva/Agência Brasil
São Paulo - Aos cinco anos, Jussara Carriel sofreu um acidente e perdeu parte do braço direito. Quatro décadas depois, foi no esporte que encontrou um novo caminho para desafiar seus próprios limites. Hoje, ela trabalha em uma siderúrgica, é casada e integra a equipe de vôlei sentado da Associação Sorocabana de Desporto Adaptado (ASDA), no interior de São Paulo.
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A modalidade, que faz parte do programa dos Jogos Paralímpicos, é uma adaptação do voleibol tradicional para pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida. Para Jussara, a atividade representa mais do que a prática de um esporte.
Desde que perdi o braço tive de aprender a lidar com desafios diários, mas foi no esporte que descobri uma força que não sabia que tinha. No esporte a deficiência não nos define, é apenas uma parte de quem somos”, afirma.
Entenda o que é o vôlei sentado
O vôlei sentado surgiu na Europa na década de 1950 e passou a integrar os Jogos Paralímpicos em 1980. A dinâmica é parecida com a do vôlei convencional, com cada equipe tendo seis jogadores, mas a partida acontece em uma quadra menor e com a rede mais baixa.
Os atletas realizam os movimentos sentados no chão e usam principalmente os braços e o quadril para se deslocar. A quadra mede 10 metros de comprimento por 6 metros de largura. A rede tem 1,15 metro no masculino e 1,05 metro no feminino.
Outra diferença está na própria movimentação durante a partida. Os jogadores precisam alcançar a bola rapidamente sem se levantar. O bloqueio do saque adversário também é permitido.
Segundo o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), essas adaptações fazem com que a modalidade exija coordenação, velocidade de reação e trabalho em equipe. Ao mesmo tempo, permitem que pessoas com diferentes tipos de deficiência física participem de treinamentos e competições.
Esporte como ferramenta de inclusão
Na Associação Sorocabana de Desporto Adaptado, o vôlei sentado atende atualmente 35 atletas e é desenvolvido em duas frentes. Uma delas é voltada à participação social e à iniciação esportiva. A outra reúne equipes de alto rendimento que disputam competições oficiais.
O Núcleo Ativa Vida, realizado em parceria com o Sesc Sorocaba, conta com 13 participantes. O trabalho envolve desenvolvimento motor, promoção da saúde, convivência e autonomia.
Já as equipes feminina e masculina de alto rendimento reúnem 22 atletas. Os times participam de torneios estaduais e nacionais e representam Sorocaba nas competições.
A separação entre os dois grupos permite que o esporte seja praticado por pessoas que estão começando e também por atletas que buscam a competição. Para Adilson Nunes, presidente da ASDA, essa diversidade faz parte da proposta da associação.
Essa divisão é importante para que as pessoas saibam que o esporte é para todos. O esporte é inclusão. É identificação."
A ASDA é uma das entidades apoiadas pelo Programa Paradesporto, do Instituto Adimax. A iniciativa trabalha com organizações que desenvolvem atividades esportivas para pessoas com deficiência em diferentes regiões do País.
“O paradesporto tira as pessoas de casa, desafia as próprias habilidades, além de ajudar a criar conexões reais”, ressalta Edmilson Bueno, responsável pelo programa.
Vôlei sentado estimula a autonomia
Durante os treinos e partidas, os atletas do vôlei sentado trabalham força, coordenação motora, condicionamento físico e capacidade de deslocamento.
Além disso, a convivência com outros praticantes pode ampliar a rede de relações, estimular a autonomia e ajudar na retomada de atividades do dia a dia.
Jussara percebeu essas mudanças ao longo da própria trajetória. O esporte passou a fazer parte de sua rotina e também contribuiu para que ela enxergasse novas possibilidades depois da deficiência.
Cada treino me ensina sobre disciplina, resiliência e trabalho em equipe, provando que podemos ir muito além dos nossos limites físicos”, diz.
Ela conta que concilia o trabalho, vida pessoal e os treinamentos. Nas competições, também assume a responsabilidade de representar a equipe. Para a atleta, a relação com o esporte está ligada à experiência de convivência e à sensação de fazer parte de um grupo.
“O vôlei sentado entrou na minha vida muito mais do que como um esporte. Ele se tornou um caminho de superação, pertencimento e transformação”, conclui.
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