Messi e Neymar: dois gênios, dois caminhos e uma diferença brutal na Copa
Divulgação / Barcelona FC
Nova York — Houve um tempo em que Neymar esteve ao lado de Messi não apenas no Barcelona, mas também na prateleira dos gênios do futebol. Eram amigos, campeões, cúmplices e artistas do mesmo espetáculo. Um aplaudia o outro como quem reconhece um igual. O mundo parava para ver os dois em campo. Luis Suárez também estava ali, claro, mas a aura maior pertencia à dupla. Messi e Neymar falavam uma língua que poucos jogadores entendiam.
Neymar é cinco anos mais novo e foi tratado como herdeiro natural do argentino na Europa. Tinha drible, graça, improviso e um talento que parecia capaz de desafiar qualquer marcação. Corria em parábolas com a bola nos pés, serpenteava entre adversários, dava chapéus, canetas e chamava qualquer marcador para dançar. Messi era diferente. Mais direto e discreto, mais sério, menos teatral.
Nunca precisou humilhar ninguém para mostrar superioridade. Seus recursos tinham destino certo: fazer gols, ganhar jogos e construir história.
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Por alguns anos, eles se completaram. Depois, se separaram. Reencontraram-se em Paris, no PSG, já em outro momento, mas nunca mais com a mesma leveza e graça. Neste ano, voltaram a aparecer novamente na Copa do Mundo. Mas em condições opostas. Messi agora tem 39 anos. Neymar, 34. Dois gênios de gerações próximas, mas em situações completamente diferentes. Dois caminhos que um dia pareciam paralelos, mas que tomaram rumos diferentes. Enquanto um é aplaudido, o outro é vaiado.
Messi sempre soube qual era o seu caminho
Messi segue conduzindo a Argentina como dono de um país. Faz gols, quebra recordes, joga com autoridade, é reverenciado pelos companheiros e respeitado até por torcedores rivais. A Argentina acredita nele porque ele nunca abandonou a própria missão. Mesmo quando erra, como no pênalti perdido contra o Egito, Messi encontra uma forma de voltar ao jogo.
Nesta terça-feira, a Argentina perdia por 2 a 0 e parecia à beira do abismo. Messi decidiu que não seria assim. Fez gol, participou de gols, comandou e levou os campeões do mundo às quartas de final da Copa.
Neymar viveu um Mundial irreal. Entrou na Copa machucado, virou reserva no Brasil, somou minutos que não chegaram a um tempo de jogo e terminou eliminado contra a Noruega, chorando no mesmo estádio em que um dia estreou pela seleção. Marcou um gol de pênalti nos acréscimos, mas brigou com o goleiro rival e trocou empurrões com outros. O seu gol não representou nada para o Brasil nem para ele próprio. Sua aposentadoria agora não está descartada.
As diferenças entre Messi e Neymar
A diferença entre Messi e Neymar nesta Copa não está apenas na idade, no físico ou no resultado de suas respectivas seleções. Está no rumo. Messi parece saber exatamente o que ainda quer do futebol. Neymar pareceu, durante muito tempo, não saber o que fazer com o próprio talento. Um preservou o foco. O outro se perdeu em atalhos, lesões, escolhas ruins, vaidades, inverdades e uma relação cada vez mais distante da seleção e do torcedor.
Neymar não é um fracassado. Seria injusto dizer isso de um jogador com seus números, sua genialidade e sua importância histórica. Mas Neymar fracassou em Copas. E fracassou justamente no torneio que separa craques de eternos. Foram quatro Mundiais sem título, quase sempre com o mesmo roteiro: esperança, problema físico, drama, queda e explicações furadas. A Copa nunca foi simples para ele, mas também é verdade que ele nunca conseguiu dominá-la.
Messi também sofreu com a Copa antes de ganhá-la em 2022. Perdeu final, foi criticado, chorou, ouviu que não era Maradona, quase abandonou a seleção. A diferença é que voltou. Insistiu. Reorganizou sua carreira ao redor da Argentina e transformou a camisa que um dia pesou feito chumbo em extensão natural do seu corpo. Hoje, Messi é um orgulho nacional. É bandeira. É afeto. É líder. É memória viva. É possível ter saudade de Messi no presente, porque todos sabem que ele está em sua última música no salão.
Neymar nunca ganhou uma Copa
Neymar jamais alcançou esse lugar no Brasil. Foi amado por muitos, rejeitado por outros e defendido com paixão por sua bolha mais próxima. Seu tempo de unanimidade nacional durou pouco. Nunca construiu com a torcida brasileira a mesma comunhão que Messi tem com os argentinos. E se um dia teve isso, já não tem mais. Talvez porque o Brasil sempre esperou dele algo que ele não conseguiu entregar. Neymar jogou demais para si mesmo em momentos em que precisava jogar pelo país.
A Copa de 2026 escancarou essa distância entre os camisas 10. Messi ainda é protagonista de uma Argentina que sonha com o bicampeonato consecutivo. Neymar terminou como personagem secundário de um Brasil eliminado cedo demais pela Noruega. Um segue escrevendo capítulos. O outro fechou o livro sem entender nada. Messi é campeão do mundo. Neymar nunca foi.
No fim, a comparação entre eles dói porque um dia pareceu possível. Neymar poderia ter envelhecido ao lado da própria grandeza. Poderia ter chegado aos 34 como líder absoluto do Brasil, dono do time, guia de uma geração. Em vez disso, despediu-se como dúvida física, peça de banco e símbolo de uma era incompleta. Messi e Neymar foram parceiros, amigos e gênios. Mas a Copa tratou cada um de um jeito. Ou talvez apenas tenha revelado o que cada um fez com o próprio talento.
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