Fifa e a arbitragem da Copa sofrem duras acusações do técnico Hassan, do Egito
Reprodução/Instagram @egyptnt
Nova York — A vitória da Argentina sobre o Egito não terminou no apito final. Terminou em acusação pesada, dedo apontado para a Fifa e uma frase que vai atravessar a Copa.
Foi claramente uma partida manipulada e o mundo inteiro viu isso.”
A declaração é de Hossam Hassan, técnico do Egito, depois da derrota por 3 a 2 para a Argentina, pelas oitavas de final da Copa do Mundo. A seleção africana vencia por 2 a 0, parecia dona de uma das maiores zebras do Mundial, mas levou a virada na reta final com gols de Romero, Messi e Enzo Fernández. A Argentina segue viva. O Egito foi embora revoltado. E decidiu colocar a boca no trombone.
Hassan não mediu palavras. Despejou tudo o que sentia e estava entalado após a derrota. Na zona mista, disse que falaria independentemente das consequências e da possibilidade de punição da Fifa. Acusou a arbitragem, criticou a entidade de Gianni Infantino e sugeriu que havia interesse em manter a Argentina e Messi na competição.
Se eles querem tanto que a Argentina vença, por que chamam todo mundo para vir e participar?”, afirmou Hassan.
A fala é grave e acusatória. É mais do que um desabafo de perdedor. Não pode ser tratada como verdade absoluta, mas também não pode ser ignorada. O Egito saiu de campo sentindo que não enfrentou apenas a Argentina. Enfrentou o peso do campeão mundial, o carisma de Messi, o interesse comercial de uma Copa global e uma arbitragem que, segundo os egípcios, decidiu em momentos decisivos.
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São nessas duas últimas afirmações que mora o perigo. Desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu a anulação de um cartão vermelho para um jogador do time americano, Balogun, e a Fifa aceitou, a arbitragem da Copa entrou em xeque.
Não vimos respeito nem fair play. Não houve respeito nem fair play. Um pênalti foi ignorado. Nem sequer foi checado pelo VAR. Um segundo gol foi anulado de forma surpreendente."
As reclamações do treinador do Egito começaram ainda no primeiro tempo, quando o francês François Letexier marcou um pênalti discutível para a Argentina. Messi cobrou e desperdiçou. O lance não virou gol, mas virou munição. Para o Egito, foi o primeiro sinal de que a partida estava inclinada.
Fifa é colocada contra a parede pelo Egito
Mas o momento de maior revolta veio depois. Mostafa Ziko marcou quando o jogo ainda estava 1 a 0 para o Egito, mas o gol foi anulado com auxílio do VAR por falta de Attia em Lisandro Martínez na origem da jogada. O banco egípcio explodiu de raiva. Jogadores cercaram o árbitro. A sensação, para eles, era de que a chance de abrir 2 a 0 havia sido arrancada pelo apito.
Ziko ainda faria o segundo gol do Egito em seguida, desta vez validado. A essa altura, a zebra parecia viva, forte e em pé. Mas a Argentina cresceu como crescem os times grandes na Copa: no desespero, na camisa, na pressão e na presença de Messi. Romero diminuiu, Messi empatou e Enzo Fernández virou. Em poucos minutos, o conto de fadas egípcio virou trauma.
Depois do jogo, Hossam Hassan dobrou a aposta e condenou ainda mais a Fifa e a arbitragem do Mundial. Disse que não vai mais acompanhar nenhuma partida da Copa como forma de protesto. Também afirmou que o Egito foi melhor e que talvez a organização quisesse manter Messi no torneio por razões de marketing. É o tipo de frase que a Fifa detesta ouvir, mas que ganha força porque nasce de uma eliminação carregada de lances discutíveis.
Tudo começou com Donald Trump
O atacante Mostafa Ziko também disparou contra a arbitragem francesa. Disse que o árbitro “não foi justo” e reclamou de intimidação em campo. Para o Egito, a partida saiu do controle não apenas pelo talento argentino, mas pela condução do árbitro Letexier. Não há provas de nada disso. E as consequências podem ser graves para a delegação egípcia. Mas os lances geraram muita desconfiança, de fato.
A Argentina, claro, não tem culpa de ser Argentina. Nem Messi tem culpa de ser Messi em estado de graça. A seleção campeã do mundo fez o que times grandes fazem, pelo menos os de fibra: sobreviveu quando parecia morta. Transformou uma derrota quase certa em classificação épica. Do outro lado, o Egito viveu a dor de quem esteve perto de derrubar um gigante e saiu com a sensação de ter sido empurrado para fora. Uma dor que conhece bem em Copas do Mundo, mas desta vez com a sensação de quase ter chegado lá.
Esse é o combustível da polêmica. A Copa adora heróis, mas também produz fantasmas. Para os argentinos, será lembrada como uma virada homérica. Para os egípcios, como uma injustiça tremenda. Para a Fifa, como um grande problema. Porque quando um técnico diz que uma partida foi manipulada, não está apenas reclamando de um impedimento, de um pênalti ou de um gol anulado. Está colocando em dúvida a integridade do torneio. E isso é péssimo para Infantino, principalmente depois do "cartão vermelho anulado" por Donald Trump.
A Argentina está nas quartas de final. Messi continua na Copa. O Egito volta para casa. Mas Hossam Hassan deixou uma bomba no caminho. A vitória argentina, que deveria ser apenas mais um capítulo de grandeza da competição, agora também carrega uma sombra de desconfiança.
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