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Messi leva a Argentina à mais uma final e pode se tornar maior que Maradona

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Messi parece não acreditar que a Argentina está em mais uma final de Copa - Instagram / AFA
Messi parece não acreditar que a Argentina está em mais uma final de Copa
Por Robson Morelli

15/07/2026 | 20h32

Nova York - Aos 39 anos, Messi ainda é o homem que faz todos pararem para ver futebol. A Argentina perdia para a Inglaterra, via a final da Copa do Mundo escapar pelos dedos e parecia encurralada em Atlanta. Mas há jogos em que a lógica dura apenas até Messi encontrar um pedaço de campo para jogar. Foi o que aconteceu nesta semifinal.

A Inglaterra vencia por 1 a 0 e cometeu o erro que ninguém pode cometer contra a Argentina: achou que o jogo estava controlado. Sentou em cima do resultado, recuou, esperou o tempo passar e deixou Messi respirar. Foi o suficiente. O camisa 10 encontrou espaço pelo lado direito, longe do centro da confusão, e dali começou a desmontar o rival.

Messi não corre como antes. Mas também não precisa. Também já não tem a explosão dos tempos de Barcelona. Mas tem o que poucos jogadores tiveram em qualquer época: clareza. Ele enxerga o jogo antes dos outros, entende o movimento dos companheiros, percebe o medo dos adversários e escolhe o momento certo de ferir. Contra a Inglaterra, fez isso de novo.

Messi foi a alma dessa Argentina

A Argentina jogou com alma. E Messi foi a alma da Argentina. Atuando em uma liga menos exigente do que as grandes competições europeias, ele provou que a gana de vencer não depende da idade nem da camisa do clube. A camisa que mais importa agora é a da seleção. E Messi parece disposto a entregar a ela tudo o que ainda lhe resta.

Durante muitos anos, o mundo esperou que Messi fosse pela Argentina o mesmo jogador assombroso que era no Barcelona. Nem sempre foi. Ele sofreu, perdeu finais, ouviu críticas duras e chegou a desistir da seleção. A geração dele esteve perto de ser marcada pelo fracasso. Felizmente para a Argentina e para o futebol, ele voltou atrás.

Pelé também teve esse momento. Depois da Copa de 1966, na Inglaterra, quando apanhou dos rivais e foi caçado em campo com a conivência dos árbitros, pensou em não disputar mais Mundiais. Voltou. E voltou para ganhar em 1970. Messi não é Pelé, assim como Pelé não foi ninguém além dele mesmo. Mas os grandes têm algo em comum: sabem que a história ainda pode guardar um último capítulo.

Final contra a Espanha em New Jersey

Messi está diante desse capítulo. A final contra a Espanha será sua última partida em Copas do Mundo. Uma despedida mundial. Uma comoção. O jogo que pode transformar sua história em algo ainda maior do que já é. Se vencer, será bicampeão do mundo e recolocará para sempre a discussão que os argentinos conhecem bem: Messi passou Maradona?

Talvez muitos argentinos jamais aceitem essa resposta. Maradona é mito, revolução, 1986, mão, genialidade e povo. Messi é outro tipo de grandeza. Mais silenciosa, mais longa, mais numérica, mais constante. Mas se levantar outra Copa aos 39 anos, depois de decidir mais uma semifinal, a dúvida deixará de ser provocação e passará a ser um debate real.

A Inglaterra estava com um pé na final. Achou que Messi estava longe demais, aberto demais, velho demais para mudar o jogo. Estava errada. No cantinho direito do campo, ele se achou. E, quando Messi se acha, a Argentina também encontra o caminho. Agora, resta um jogo. Só um. Um jogo para o mundo ver. Contra a Espanha, a seleção que joga talvez o melhor futebol desta Copa. Messi sabe disso. A Argentina também. Mas ninguém atravessa uma semifinal contra a Inglaterra, vira um jogo nos minutos finais e chega à decisão por acaso.

É preciso se curvar a Lionel Messi. Aos 39 anos, ele não é apenas um sobrevivente da Copa. É o grande nome dela. O jogador que ainda carrega um país, emociona o mundo e lembra ao futebol que idade nenhuma aposenta a genialidade.

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