Trump testa popularidade na final, após desgastes com Fifa, Irã e imigração
Divulgação / Casa Branca
Nova York - Donald Trump passará por um teste de popularidade na final da Copa do Mundo nos Estados Unidos. Assim como fez na decisão do Mundial de Clubes da Fifa no ano passado, entre Chelsea e PSG, o presidente norte-americano estará na tribuna de honra ao lado de Gianni Infantino, presidente da entidade, e de outros convidados ilustres.
Trump não fez nenhum gol na competição, mas deu algumas bolas foras. Ele não foi a nenhuma partida do Mundial, nem mesmo dos Estados Unidos, embora tenha sido esperado em algumas delas. Trump viu os jogos do Salão Oval, na Casa Branca, entre uma reunião e outra. Foi de lá que ele ligou para o presidente da Fifa “sugerindo” a revisão do cartão vermelho para o jogador da sua seleção, Balogun, aplicado pelo árbitro brasileiro Raphael Claus.
Minha reação inicial foi de felicidade por estar de volta à equipe. Mas, ao refletir melhor, percebi que isso causaria controvérsias. Eu quase conseguia ver um pouco de nervosismo nos meus companheiros, porque é algo muito singular. Conforme o jogo se aproximava, eu tentava me concentrar o máximo possível, mas era difícil", disse Balogun sobre a interferência de Trump.
A comissão de arbitragem da Copa manteve o cartão aplicado, mas aceitou o “efeito suspensivo” e o jogador entrou em campo pela última vez no Mundial na derrota para a Bélgica.
Trump atazanou a seleção do Irã
Trump também atazanou a delegação do Irã na competição, ora liberando, ora recusando a entrada da seleção e dos membros do seu estafe aos Estados Unidos. Acabou que o Irã foi obrigado a levar a sua base para o México e entrar e sair das cidades americanas somente nos dias de jogo.
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Felizmente para Donald Trump e também para Gianni Infantino, o Irã caiu fora cedo. Enquanto a Copa rolava em seu quintal, o presidente dos EUA não deu trégua aos iranianos também no campo político, diplomático e estratégico, e atacou o país seguidamente, despertando revolta em países europeus e não aliados.
Agora, diante de 80 mil pessoas na grande final da Copa, de minoria americana, diga-se, Donald Trump terá de passar por um “julgamento” popular quando ele aparecer no MetLife Stadium, em New Jersey, dia 19.
Ele não vai encarar o povo americano porque a final vai reunir muitos espanhóis e os torcedores de Inglaterra ou Argentina, que jogam nesta quarta,15, para saber quem estará na final. Portanto, o "teste sobre sua popularidade" será feito por latinos e europeus.
Ice aumentou as prisões durante a Copa
Trump ainda é criticado por investir pesado no Ice (Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos) e por dar sinal verde à caça aos imigrantes irregulares durante a Copa. Um colombiano foi morto em Maine durante uma batida dos agentes nesta semana. Houve revolta nas ruas. Senadores americanos questionaram a ação.
Trump autorizou que as prisões contra imigrantes ilegais nos EUA fossem intensificadas durante o torneio da Fifa. Há muitos imigrantes com medo. A meta era prender até 2 mil estrangeiros por dia. As detenções saltaram em uma semana de 5 mil para 10 mil pessoas.
No site do governo americano sobre as previsões do Ice há duas semanas, havia 139 brasileiros presos, entre homens e mulheres, pelos mais diversos crimes, entre eles tráfico de drogas, violência sexual, estupro, roubo, ameaça terrorista…
O presidente dos Estados Unidos tem conhecimento de todas essas prisões e intensifica o discurso de uma "América para os americanos". Ele tem muitos seguidores. Portanto, o teste de popularidade na final da Copa do Mundo pode não significar nada para o governo Donald Trump, mas certamente as manifestações do estádio vão ecoar nos quatro cantos do planeta.
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