Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

Festas juninas movimentam a economia, o turismo e o comércio no Brasil

Adobe Stock

O fluxo turístico injeta capital em diversos setores de uma só vez - Adobe Stock
O fluxo turístico injeta capital em diversos setores de uma só vez
Por Alessandra Taraborelli

18/06/2026 | 09h32

São Paulo - As fogueiras, as bandeirinhas e o som da sanfona fazem mais do que preservar as tradições culturais brasileiras. Em junho, eles acionam uma engrenagem econômica poderosa que movimenta hotéis, restaurantes, transportes e o comércio local. O turismo gerado pelas festas juninas consolidou-se como um pilar de faturamento para empresários e microempreendedores, transformando a cultura regional em um negócio lucrativo.

Além do impacto financeiro, as celebrações desempenham uma função importante na manutenção do patrimônio imaterial brasileiro. Por meio de danças, culinária típica e manifestações populares, as festas fortalecem laços comunitários e garantem que tradições.

Esses eventos valorizam a identidade nacional e movimentam toda a indústria do turismo, gerando renda e emprego para milhares de brasileiros nesta época. É um período muito festivo para celebrar nossa cultura e alavancar a economia desses municípios. Costumo dizer que é o ‘segundo carnaval’ do Brasil”, afirmou o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano.

Para se ter uma ideia, somente em Campina Grande, a 43ª edição do ‘Maior São João do Mundo’, que já teve início e vai até 5 de julho, deve movimentar mais de R$ 800 milhões na economia local, segundo o ministério do Turismo.

Nordeste em alta nas buscas

Pesquisa realizada pela fintech meutudo, com 2.180 participantes, mostra que o Nordeste é o principal destino dos turistas que querem curtir as tradições juninas. De acordo com o levantamento, 61% dos brasileiros que viajam durante o período escolhem os Estados nordestinos como destino para aproveitar as celebrações de São João.

Dados do Buszap, plataforma de venda de passagens rodoviárias via WhatsApp,  reforçam essa tendência. Segundo o levantamento, as buscas por destinos ligados às festas juninas cresceram 70% em relação ao mesmo período do ano passado. Entre as cidades que registraram maior alta na procura estão Campina Grande (PB), Caruaru (PE) e Salvador (BA). Campina Grande, por exemplo, recebe um público equivalente a sete vezes sua população - tendo atraído em 2025 cerca de 3,2 milhões de visitantes durante o período junino.

Segundo a Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA), a demanda por locação de veículos no Nordeste pode registrar crescimento de até 20% durante as festividades juninas em comparação ao mesmo período do ano passado.

O principal chamariz para esse deslocamento, segundo a meutudo são os grandes eventos e shows, apontados por 60% dos entrevistados como o motivo central para arrumar as malas e participar de festivais e apresentações musicais.

Toda essa movimentação de pessoas se traduz diretamente em receita para o comércio. O fluxo turístico injeta capital em diversos setores de uma só vez, criando um efeito cascata que beneficia desde as grandes redes hoteleiras até o vendedor ambulante.

Além da música, a gastronomia típica desponta como a alma do negócio. Para 77% dos participantes, as comidas tradicionais como o aspecto favorito das festas. Essa paixão pelo cardápio junino dita o ritmo do consumo. Alimentação e bebidas lideram o ranking dos gastos que mais pesam no orçamento durante a temporada, uma realidade mencionada por 46% dos entrevistados.

O CEO da meutudo, Marcio Feitoza, diz que as festividades de São João se consolidaram como uma das datas com maior potencial de mobilização e consumo no País. O período junino movimenta setores estratégicos como turismo, alimentação e entretenimento de forma integrada.

O cenário atual exige atenção, pois os consumidores estão visivelmente mais atentos ao planejamento financeiro para conseguir aproveitar as festividades sem comprometer o orçamento familiar.”

Entre as pessoas que pretendem curtir as festas juninas, 38% planejam desembolsar em gastos com as festas até R$ 300 no total. Para viabilizar a viagem ou o consumo local, a estratégia tem sido a antecedência: 40% dos entrevistados afirmaram que começam a se organizar financeiramente com mais de três meses de antecedência para o período.

Se por um lado o apetite do público gera faturamento maior para o setor de bares e restaurantes, por outro acende um alerta sobre as finanças dos consumidores. Apesar do forte apelo das festas, a pesquisa revela que 73% dos respondentes já deixaram de participar de comemorações ou viagens juninas em algum momento devido à falta de dinheiro. 

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Últimas Notícias