Fim de eventos que viram a noite? Festas diurnas são a nova tendência da Geração Z; veja mais
Por Larissa Crippa
redacao@viva.com.brSão Paulo, 14/12/2025 - A forma de “curtir a night” está mudando com as novas gerações, que parecem, na realidade, nem gostar de sair à noite. Depois do relatório divulgado pela Covitel, que mostrou queda no consumo de álcool pelos nascidos entre 1995 e 2010, uma recente publicação do perfil Marketing Insider trouxe novas facetas deste grupo, em um acalorado debate no Instagram.
A nova geração tende a preferir festas diurnas, encontros curtos e hábitos mais moderados, conforme o que chamam de “bateria social”, uma metáfora para a disposição que uma pessoa tem para interações com outras. “Tenho 18 anos e se eu saio às 19 horas, no máximo às 23 já quero estar na minha cama. Minhas amigas também.”, comentou uma das internautas, em um post da página.
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Menos álcool e mais rolês diurnos
Essa faixa etária está no grupo que menos consome álcool no Brasil, tendência que acompanha mercados como Estados Unidos e Reino Unido, onde levantamentos do CDC e do Office for National Statistics mostram quedas consistentes no binge drinking entre os mais novos.
Esse comportamento também aparece no lazer: segundo dados da Morning Consult, 82% dos jovens preferem eventos que terminam mais cedo, e 60% dizem gostar mais de encontros diurnos, como brunches, day parties e festivais que começam antes do pôr do sol.
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Skin care, exercício e terapia: gen z prioriza o bem-estar
Outro estudo, da McKinsey & Company, identifica que a geração Z prioriza descanso, autocuidado e segurança, fatores que tornam mais atraentes as festas que acabam cedo, com ambientes controlados e consumo reduzido de álcool.
A nova tendência fitness e bem-estar deixa o grupo bastante preocupado em manter uma rotina rígida de treinos. A Associação Brasileira de Franchising (ABF), informou que o segmento de Saúde, Beleza e Bem-Estar, que inclui o mercado fitness, teve 16,5% de crescimento em 2024, principalmente entre a geração Z.
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A preocupação com saúde mental também pesa: no estudo, mais de 70% dos jovens relatam ansiedade ligada a sair à noite, especialmente em locais lotados. O bolso também influencia, uma pesquisa de 2023 da Ypulse indica que 63% dos gen Zers preferem programas “low-cost”, como encontros caseiros, cafés e eventos ao ar livre.
Tendências de autocuidado podem afastar geração de se relacionar com outros?
Essa mudança de estilo de vida se reflete também nas relações. Estudos de comportamento da Gallup e da Pew Research Center mostram queda no número de jovens namorando ou tendo encontros frequentes nos últimos anos, um movimento que acontece ao mesmo tempo em que o Brasil registra a maior queda de nascimentos em mais de 30 anos, com 2,44 milhões de bebês em 2024, 146 mil a menos que no ano anterior, segundo o IBGE.
A maternidade mais tardia, a redução da frequência de relações sexuais e a escolha por vínculos mais leves compõem o cenário. Entre os motivos citados pelos jovens: foco na carreira, sobrecarga emocional, medo de exposição nas redes e preferência por interações mais seguras e planejadas. Com menos namoro, menos sexo, menos álcool e menos vida noturna, a sociabilidade se desloca para espaços diurnos, íntimos e de baixo desgaste emocional.
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O resultado é um novo modelo de diversão e convivência: menos “balada até o amanhecer” e mais experiências rápidas, funcionais e alinhadas ao bem-estar, um comportamento que ajuda a explicar, inclusive, seis anos seguidos de queda nos nascimentos e um país que envelhece mais rápido.
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