Genética, estilo de vida ou ambiente? Evento discute o que impacta a longevidade
Divulgação/SBGG-SP
São Paulo - Começa hoje em São Paulo o GERP.26, congresso bianual da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de São Paulo (SBGG-SP), reunindo mais de 2 mil participantes até sábado, para debater os limites da longevidade humana. Especialistas debatem os impactos da genética, educação e hábitos de vida.
A professora e geneticista Mayana Zatz explica que os primeiros estudos sobre o tema apontavam que os fatores ambientais eram os principais responsáveis por 80% envelhecimento saudável. Porém,estudos mais recentes mostram que a genética impacta em até 55% a chance de uma pessoa chegar aos 100 anos de vida.
"A genética tem um papel muito mais importante do que se pensava na longevidade", afirmou.
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Zatz, que também lidera o Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da Universidade de São Paulo (Genoma USP), ressalta que há estudos para identificar genes defeituosos responsáveis pelo envelhecimento rápido e para transformar genes comuns em protetores, ajudando a retardar o envelhecimento.
Ela aponta que um dos fatores mais curiosos é que todas as mulheres longevas estudadas pelo Genoma USP são consideradas de baixa estatura e isso se repete em diversos grupos étnicos, o que tem levado pesquisadores no mundo a observar esse aspecto específico da altura na longevidade.
No que diz respeito ao comportamento, ela ressaltou a relevância dos aspectos ambientais e que as pesquisas mais robustas dizem respeito à prática de atividade física. "O exercício físico melhora a neurogênese, que é a formação de novos neurônios no cérebro. E isso acontece mesmo na idade adulta".
Múltiplos fatores
Na mesma mesa de debate, a especialista Maysa Seabra Cendoroglo, docente de Geriatria e Gerontologia na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), também destacou o impacto dos fatores externos para os centenários.
A longevidade é influenciada por uma interação complexa de fatores genéticos, epigenéticos e ambientais, exibindo considerável variabilidade dentro das famílias e populações".
A comparação de idosos centenários com hábitos não saudáveis, que passaram a vida como tabagistas ou que não restringiram o consumo de álcool, mostra que "a probabilidade de chegar nessa idade é significativamente maior para quem tem hábitos saudáveis".
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Nesse sentido, ela aponta estudos que ressaltam o papel da educação, da atividade física e do baixo consumo calórico para o envelhecimento, mas que as chamadas Blue Zones - ou Zonas Azuis - mostram que fatores como espiritualidade, laços familiares e participação na comunidade também têm seu papel.
"São estudos que encontram paralelo nos pilares da Medicina do Estilo de Vida, mostrando que alimentação saudável, atividade física, sono reparador, manejo do estresse, relações sociais e não consumo de substâncias tóxicas são essenciais", concluiu.
Papel da educação
A epidemiologista americana Paola Gilsanz, palestrante internacional do Gerp.26, ponderou em sua fala o poder da educação para a longevidade e mostrou estudos mostrando que 30% do aumento na longevidade no Brasil pode ser atribuído ao aumento da escolaridade no País.
"De modo amplo, altos níveis de escolaridade podem aumentar em até quatro vezes a chance de viver até 90 anos ou mais".
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Ela observou que a exposição à pobreza, habitação precária e toxinas podem impactar a longevidade, causando o adoecimento da velhice, especialmente se esses fatores forem cumulativos ao longo da vida.
"Do ponto de vista da saúde, entender como esses fatores impactam um paciente pode permitir um acompanhamento clínico mais adequado", concluiu.
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