Guia financeiro ajuda a planejar suas próximas férias sem estourar o orçamento
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São Paulo - Sempre que uma férias acaba bate aquele sentimento de quero mais. Se durante o período de descanso também deu para fazer uma viagem, voltar a rotina diária fica ainda mais difícil. Mas, você pode minimizar este sentimento já pensando nas próximas férias. Para isso, é sempre bom começar pelo planejamento, afinal, viajar é uma experiência enriquecedora, mas, sem o devido planejamento financeiro, o sonho pode se transformar em um enorme pesadelo de dívidas e frustrações.
Para esclarecer as principais dúvidas sobre como preparar o bolso para desembarcar no próximo destino em família, o educador financeiro Thiago Godoy, sócio cofundador da Bem Educação e CEO da Papai Financeiro, reuniu algumas dicas essenciais para quem quer viajar daqui a 12 meses sem comprometer o orçamento.
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O primeiro passo para transformar a intenção em realidade, segundo o educador financeiro, envolve definir três pilares fundamentais: para onde ir, quando ir e quanto gastar. A partir da definição do destino e da data, torna-se viável calcular a meta mensal de economia.
Outro ponto importante é a organização por meio de uma planilha de custos essenciais.
Em vez de estimativas genéricas, o viajante deve categorizar gastos com passagens, hospedagem, alimentação, transporte, passeios, seguro-viagem e compras."
Além disso, a recomendação é adicionar uma margem de segurança de 10% sobre o valor total estimado para cobrir eventuais imprevistos ou oscilações de preços.
Ao planejar em grupo ou com crianças, vale notar que nem todas as despesas sobem na mesma proporção. Gastos individuais como passagens aéreas, ingressos e alimentação, crescem conforme o número de integrantes (lembrando que crianças a partir de determinada idade pagam valor integral em diversos serviços).
Por outro lado, itens como hospedagem, aluguel de carro e transporte por aplicativo oferecem ganho de escala, pois o custo fixo é dividido entre os ocupantes.
Quanto e onde investir o dinheiro
A conta básica para quem planeja viajar em um ano é simples: soma-se a estimativa total, já com o adicional de 10% e divide-se o montante por 12. O segredo para atingir a meta no dia a dia é automatizar a disciplina, assim que a renda entra na conta, o valor estipulado deve ser reservado imediatamente, em vez de esperar pelo que sobrar ao final do mês.
Outra opção para é evitar gastos desnecessários é cancelar assinaturas em desuso, reduzir compras por impulso e controlar excessos com delivery, pequenos ajustes cotidianos que abrem espaço no orçamento.
Quanto aos investimentos, Thiago ressalta que o destino do dinheiro depende do prazo:
- Para viagens em curto prazo - 1 ano: A prioridade é a liquidez e a segurança. Opções como o Tesouro Selic e CDBs de liquidez diária são as mais indicadas, pois permitem o resgate a qualquer momento sem perda de rentabilidade.
- Para viagens em médio e longo prazo - 2 a 3 anos: Títulos pré-fixados ou atrelados à inflação (Tesouro IPCA), com vencimento anterior à data do embarque, costumam entregar um retorno médio superior.
Passagens aéreas e a armadilha das milhas
O tempo de antecedência na pesquisa de passagens faz toda a diferença no valor final do bilhete:
- Voos nacionais: O período ideal para monitorar e comprar fica entre 3 e 6 meses antes da data.
- Voos internacionais: A janela de acompanhamento deve ser mais ampla, variando de 6 a 12 meses antes da viagem, aproveitando o momento em que as companhias liberam os assentos e surgem promoções.
Sobre os programas de fidelidade, as milhas continuam sendo aliadas válidas, desde que façam parte da rotina natural de consumo. O erro recorrente é acelerar gastos desnecessários apenas para acumular pontos.
A estratégia mais vantajosa consiste em concentrar as viagens em uma mesma companhia ou acumular pontos em programas de fidelidade por meio de compras de itens essenciais que já seriam adquiridos.
Viagens internacionais
A preparação para destinos internacionais exige cuidados extras com documentação, vistos e, sobretudo, com a moeda local. A clássica compra de dinheiro em espécie vem perdendo espaço para soluções mais modernas e econômicas.
Atualmente, o uso de contas digitais internacionais e cartões de débito em moeda estrangeira se consolidam como a opção mais prática e barata, amplamente aceita nos Estados Unidos e na Europa Ocidental. Essa modalidade evita as altas taxas de IOF e a volatilidade do dólar praticadas pelos cartões de crédito emitidos no Brasil.
Para quem prefere comprar a moeda aos poucos, a estratégia pode ser diluída ao longo dos 12 meses de planejamento.
Pós-viagem sem dores de cabeça
Toda a despesa do passeio deve sair exclusivamente do fundo reservado para a viagem, preservando o orçamento mensal e a estabilidade financeira da família. Evitar o uso do cartão de crédito convencional e fugir do parcelamento de gastos ocorridos durante a estadia são medidas essenciais.
"Estabelecer um limite diário de gastos e cumpri-lo rigorosamente garante que o retorno para casa seja marcado apenas por boas memórias, e não por uma fatura acumulada e um início de ano no vermelho", conclui.
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