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Livro 'Quando Eu Era Velha' retrata como o olhar dos outros molda a velhice

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Livro "Quando Eu Era Velha" busca mostrar as contradições e desafios que fazem parte do envelhecimento - Pexels
Livro "Quando Eu Era Velha" busca mostrar as contradições e desafios que fazem parte do envelhecimento
Por Alexandre Barreto

13/06/2026 | 08h52

São Paulo - Envelhecimento, etarismo e o papel da mulher na terceira idade são os temas centrais de "Quando Eu Era Velha", novo livro da escritora e roteirista brasileira Fernanda Pompeu. A obra acompanha Olívia, uma jornalista aposentada que passa a refletir sobre a própria velhice após perceber como a sociedade passa a enxergá-la de forma diferente.

A narrativa começa com uma situação comum: durante uma viagem de metrô, uma jovem oferece seu assento à protagonista. O gesto, embora educado, faz Olívia perceber que foi oficialmente enquadrada pelos outros como uma pessoa idosa. A partir desse momento, ela passa a observar as transformações que acompanham o envelhecimento.

Ao receber a proposta para escrever um livro sobre o tema, a personagem de 70 anos decide abordar experiências concretas do dia a dia. Entre elas, a sensação de invisibilidade em espaços públicos, as mudanças na aparência e a forma como oportunidades profissionais passam a diminuir com o avanço da idade.

Velhice além dos clichês

Com mais de quatro décadas de atuação como escritora, editora e roteirista, Fernanda Pompeu utiliza a ficção para abordar questões frequentemente associadas ao envelhecimento.

Em vez de apresentar a velhice como uma fase exclusivamente negativa ou idealizada, a autora busca mostrar as contradições e desafios que fazem parte desse processo.

a autora Fernanda Pompeu
Fernanda Pompeu transforma etarismo em tema central de novo livro - Divulgação

"Ao completar 69 anos, senti compulsão para escrever uma história que tivesse como protagonista uma mulher de 70. No meu livro mostro que o envelhecimento não é sinônimo de inação ou depressão. A gente simplesmente fica velho. E tocar a vida é o que segue importando", relata.

Segundo Fernanda, a percepção da velhice muitas vezes surge a partir do olhar alheio.

"Quem diz que estamos velhos são os outros. A velhice vem da maneira como os mais jovens nos olham. Vem com empregos negados, com oportunidades que nunca são para nós. A velhice deveria ser ensinada nos primeiros anos da escola. Porque, puxa, se você não morrer, ficará velho", reflete.

Mercado de trabalho e etarismo

A protagonista pertence a uma geração de jornalistas que construiu a carreira antes da internet e das redes sociais. Ao revisitar sua trajetória profissional, ela observa as mudanças no mercado de comunicação e os desafios enfrentados por profissionais mais experientes em um ambiente cada vez mais acelerado.

Capa de "Quando Eu Era Velha"
Capa de "Quando Eu Era Velha", novo livro da escritora e roteirista brasileira Fernanda Pompeu - Divulgação

O livro também aborda o etarismo, preconceito relacionado à idade, tema que vem ganhando espaço em debates sobre inclusão, mercado de trabalho e longevidade no Brasil.

"Quando Eu Era Velha" também apresenta reflexões sobre autonomia, liberdade e adaptação às mudanças trazidas pelo tempo.

A obra propõe uma discussão sobre como a sociedade encara a terceira idade e convida o leitor a refletir sobre uma experiência que, inevitavelmente, faz parte da vida de todos.

Ficha técnica

  • Título: Quando Eu Era Velha
  • Autora: Fernanda Pompeu
  • Gênero: Ficção literária
  • Editora: Labrador
  • Páginas: 128
  • ISBN: 978-6556259239
  • Preço: R$ 39,90
  • Onde encontrar: Amazon e principais livrarias do País

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