CONFIRA

Menopausa e ninho vazio: como a rede de apoio e as amigas transformam essa fase

O sucesso do filme 'Minha Melhor Amiga' reflete a realidade de muitas mulheres que enfrentam transições difíceis, como a menopausa e o ninho vazio

Alessandra Taraborelli

Por Alessandra Taraborelli

24/09/2026 | 08h00

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"Minha Melhor Amiga" se tornou a maior estreia do cinema brasileiro em 2026 - Adobe Stock
"Minha Melhor Amiga" se tornou a maior estreia do cinema brasileiro em 2026
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Mulheres na faixa dos 50 anos enfrentam simultaneamente a menopausa, a saída dos filhos de casa e a reavaliação do casamento, um fenômeno que a sociedade ainda minimiza como um drama isolado. O filme 'Minha Melhor Amiga', que retrata essas transições, se tornou um sucesso no Brasil, refletindo a identificação do público com a história.

Uma pesquisa realizada em seis países revelou que 79% das mulheres brasileiras entre 40 e 55 anos relatam sentimentos negativos relacionados à menopausa, um número superior à média global. Além disso, 65% consideram o tema um tabu e 47% afirmam que isso impacta suas carreiras.

A psicanalista Flávia Anjos destaca que a amizade pode ser uma forma de apoio durante essa fase, embora não substitua o tratamento necessário para aqueles que enfrentam sofrimento significativo. O filme sugere que, ao deixar de lado os papéis tradicionais, as mulheres podem encontrar um novo espaço para refletir sobre suas vidas e escolhas.

Resumo gerado por IA

São Paulo - A menopausa, a saída dos filhos de casa e a reavaliação do casamento. Por volta dos 50 anos, muitas mulheres enfrentam essas três transições ao mesmo tempo. Embora a ciência descreva essa tempestade perfeita com precisão, a sociedade ainda a trata como um drama isolado — ou mero "exagero".

Esse retrato ganhou força nos cinemas com "Minha Melhor Amiga", comédia nacional que se tornou a maior estreia do cinema brasileiro em 2026, com mais de 1 milhão de espectadores em uma semana. O longa acompanha Clara e Julia (interpretadas por Ingrid Guimarães e Mônica Martelli, respectivamente), amigas de 50 e poucos anos que viajam para a Europa quando as filhas partem para um intercâmbio. O sucesso reflete um fenômeno real: o público se enxergou na tela.

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Para a psicanalista Flávia Anjos, diretora vice-presidente da Sow Saúde Integral, o fenômeno vai além do entretenimento: "O filme ilumina algo frequente no consultório: mulheres atravessando sozinhas transições que deveriam ser compartilhadas em rede de apoio."

O silêncio do climatério

Clara vive um casamento desgastado e uma rotina sem sentido, sem jamais nomear o que sente, como o climatério. Na vida real, o roteiro se repete. Ondas de calor em reuniões, noites em claro e irritabilidade surgem sem aviso e sem espaço para debate, seja em casa ou no trabalho.

A pesquisa, "Experiência e Atitudes na Menopausa", encomendada pelo laboratório farmacêutico Astellas e conduzida pela Opinium entre 2024 e 2025, ouviu 13.800 pessoas em seis países (Austrália, Brasil, Canadá, Alemanha, México e EUA), incluindo 300 mulheres brasileiras entre 40 e 55 anos, confirma essa dor.

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No Brasil, 79% das entrevistadas relatam sentimentos psicológicos negativos ligados à fase (ansiedade, depressão e vergonha), número bem acima da média global de 66%. Além disso, 65% consideram o tema um tabu e 47% relatam impactos diretos na carreira.

Muitas chegam ao consultório achando que enlouqueceram, sem saber que há explicação hormonal. O silêncio atrasa o diagnóstico e isola a mulher quando ela mais precisa de apoio.
Flávia Anjos, diretora vice-presidente da Sow Saúde Integral,

O poder da amizade

No filme, a partida das filhas empurra as amigas a encararem o vazio e repensarem suas escolhas. Segundo a psicanalista, quando a mulher deixa de se dedicar exclusivamente aos papéis de mãe e esposa, surge o espaço para olhar questões antes invisíveis.

A saída encontrada pelo longa não é terapia ou um novo casamento, mas a amizade. Dividir essa fase com quem entende a jornada traz leveza, embora Flávia faça uma ressalva: "Amizade acolhe, mas não substitui tratamento quando o sofrimento compromete o sono, o trabalho e os relacionamentos”, conclui. 

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