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Mulheres latinas são desencorajadas a sonhar desde criança, diz estudo

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Pesquisa revela também que 32% das entrevistadas relatam sentir que determinados sonhos não são para pessoas com perfil, origem ou realidade semelhantes às suas - Adobe Stock
Pesquisa revela também que 32% das entrevistadas relatam sentir que determinados sonhos não são para pessoas com perfil, origem ou realidade semelhantes às suas
Por Emanuele Almeida

17/06/2026 | 12h29

São Paulo - Determinados sonhos não são para mulheres, é o que elas ouvem desde crianças na América Latina. Oito a cada 10 mulheres latino-americanas (83%) acreditam que teriam uma vida diferente se tivessem sido incentivadas a sonhar desde pequenas. É o que aponta o estudo feito pela Casa Mundo Market Intelligence, empresa de inteligência de mercado latino-americana, em parceria com a Natura com participantes no Brasil, Colômbia e México. 

No estudo, as entrevistadas mostram um contexto de criação das mulheres baseado na "pedagogia da contenção", expressa nas frases repetidas durante sua formação e que as ensinaram a sonhar pequeno. Durante a infância elas escutaram coisas como:

  • “Sonha, mas com os pés no chão” (28% das entrevistadas);
  • “Isso não é para você” (18% das entrevistadas);
  • “É melhor garantir o seguro” (13% das entrevistadas);
  • “Mulher tem que ser discreta” (10% das entrevistadas).

A fundadora e diretora executiva da Casa Mundo, Adriana Hack, observa que os dados mostram que a questão não está relacionada à falta de ambição. Fica claro que muitas mulheres latino-americanas, de todas as classes sociais e faixa etárias, cresceram recebendo mensagens que limitam a forma como elas enxergam as próprias possibilidades. 

Quando determinadas escolhas parecem inadequadas, arriscadas ou distantes daquilo que se espera de uma mulher, o projeto de futuro acaba sendo reduzido antes mesmo de ser colocado em prática”. 

Sonhos masculinos x femininos

Em época de Copa do Mundo, um dos grandes sonhos dos homens latino-americanos volta à tona: o de ser jogador de futebol. Historicamente, esse grupo foi incentivado a sonhar para ter reconhecimento, mobilidade social e sucesso por meio do esporte. No entanto, para as mulheres, o estímulo não acontece da mesma forma.  

A fundadora da Casa Mundo observa que esse comportamento mostra ainda a força do patriarcado, mesmo em contextos mais modernos.

"Grande parte dos homens ainda tem dificuldades em ver mulheres bem sucedidas e em cargos maiores que os deles, ganhando mais e tendo mais reconhecimento. É algo que segue muito enraizado na nossa sociedade”, analisa Hack. 

Isso é reforçado por outros dados da pesquisa que indicam que, no círculo íntimo das mulheres, persiste uma expectativa social sobre quais sonhos seriam mais “adequados”. Para esse grupo próximo, 65% das ambições femininas deveriam se concentrar em territórios familiares, de cuidado e estabilidade, enquanto apenas 15% das mulheres deveriam aspirar à busca por liberdade individual.

O levantamento também mostra uma limitação à ambição feminina imposta não de forma somente institucional, mas internalizada entre seus próprios circulos femininos. Isso porque 48% das entrevistadas apontam para si mesmas e às figuras femininas de sua própria família como as principais limitadoras de seus sonhos.  Esse dado contrasta com a opinião masculina frente à ambição feminina: apenas 20% dizem que os pais e parceiros são os principais limitadores de seus sonhos. 

“Quando a Shakira fala sobre uma geração de mulheres latino-americanas que precisou se reinventar e assumir novos papéis, ela toca em uma questão que também aparece na pesquisa", comenta Adriana Hack. 

O desafio não é ensinar mulheres a sonhar, mas criar condições para que elas se sintam autorizadas a imaginar futuros maiores para si mesmas”.

Sobre a pesquisa

O estudo foi realizado em janeiro de 2026 utilizando uma metodologia mista, que combinou pesquisas qualitativa e quantitativa. Ao todo, foram ouvidas 320 mulheres latino-americanas com idades entre 20 e 55 anos, pertencentes às classes sociais A, B e C. 

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