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Nostalgia mantém vivo o hábito de colecionar figurinhas do álbum da Copa

Reprodução/Redes Sociais

Álbum físico da Copa do Mundo segue relevante entre colecionadores - Reprodução/Redes Sociais
Álbum físico da Copa do Mundo segue relevante entre colecionadores
Por Alexandre Barreto

26/04/2026 | 10h00

São Paulo - A nostalgia pelos álbuns de figurinhas da Copa do Mundo de 2026 já começa a aparecer antes mesmo do lançamento oficial, que está previsto para 1º de maio no Brasil e terá 48 seleções, 112 páginas e 980 cromos, quase 300 figurinhas a mais do que a edição da Copa de 2022.

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O álbum funciona como gatilho de memória afetiva e prática social que se reinventa a cada ciclo de quatro em quatro anos. Mesmo com o avanço das plataformas digitais, o álbum físico da Copa do Mundo segue relevante entre colecionadores.

Entre eles está a vereadora Cris Monteiro (Novo-SP), colecionadora de figurinhas , que aponta uma convivência entre os dois formatos, digital e impresso. “O futuro é digital. Não vamos nem trazer essa discussão. Mas você tocar o álbum, abrir o saquinho e sentir aquele cheirinho de papel velho tem seu valor", afirma. E completa:

A forma de manter a memória afetiva é ter esse 'albinho' guardado numa gaveta."
Colecionadora de álbuns de figurinhas da Copa
Cris Monteiro é vereadora de São Paulo (NOVO) e coleciona álbuns de figurinhas da Copa - Arquivo pessoal

A colecionadora destaca que o hábito de guardar exemplares antigos mantém viva a relação emocional com o futebol e com momentos históricos.

Segundo ela, os formatos devem coexistir por um período, atendendo diferentes perfis de público. Afinal, o pacote de figurinhas é uma experiência que atravessa gerações.

Ela cita a Copa de 1998, realizada na França, relembrando jogadores e momentos que permanecem no imaginário do brasileiro. No torneio, o Brasil perdeu para a França na final por 3 a 0, em jogo marcado pela convulsão do jogador Ronaldo ("O Fenômeno").

“De vez em quando você pega, ele está todo quebradinho, mas carrega lembranças”, diz. 

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De brincadeira de turma para as redes sociais

A relação muda muito pelo contexto em que cada geração viveu essa experiência, explica Queren Hapuque, especialista em marketing geracional e diretora de novos negócios da HAPU.

Para Boomers e Geração X, o álbum estava ligado a momentos muito específicos, como levar as figurinhas repetidas para a escola, trocar no intervalo, negociar figurinha no portão de casa. "Existia um ritual na troca de figurinhas que era tão importante quanto completar o álbum", observa.

Já na Geração Z, entra a camada das redes sociais. "Tem a troca, tem o colecionismo, mas também entra uma lógica de mostrar o progresso, compartilhar o álbum, postar quando falta uma figurinha rara ou quando completa uma página”, complementa.

Ou seja, o álbum agora também é uma forma de gerar conteúdo e engajamento. Em redes sociais como TikTok e Instagram, o público já pode ver vídeos abrindo pacotes e pedidos por figurinhas específicas, já que o álbum já foi lançado na Espanha.

O digital facilita muito o processo, mas muda a experiência. Antes, você dependia de encontrar alguém com a figurinha que você precisava, o que criava esses encontros mais espontâneos. Hoje, com grupos de WhatsApp, Telegram ou até marketplace, você resolve isso em minutos".

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Dados recentes do Google Trends apontam alta de 60% nas buscas na internet nos últimos 30 dias, com interesse concentrado em preço, data de chegada e composição das coleções.

Mesmo com a transformação digital, a colecionadora Cris não acredita no desaparecimento dos pontos físicos de troca. Para ela, esses espaços devem se tornar mais específicos e simbólicos, reunindo nichos de interessados, semelhante ao que ocorreu com o mercado de discos de vinil.

Eu não acho que os pontos físicos vão desaparecer. Eles podem virar algo mais icônico, um lugar no bairro onde as pessoas se encontram para trocar e revisitar seus álbuns”, afirma.

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Queren Hapuque ressalta que não se trata do fim do formato físico, mas aponta que a digitalização reduz a espera, a negociação presencial e o improviso, ao mesmo tempo em que abre espaço para novas formas de conexão.

"Existem comunidades gigantes trocando figurinha ao mesmo tempo, gente de cidades diferentes se ajudando a completar álbum, criadores organizando trocas online. A experiência não some, mas fica menos localizada e mais distribuída", conclui.

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