Turismo 60+: atrizes discutem sobre a invisibilidade dos idosos
Manuela França/Viva
São Paulo - Continuar falando e ser ouvida é envelhecer com dignidade. A afirmação foi feita pela atriz Irene Ravache durante sua participação no Fórum Turismo 60+, no painel “Múltiplas Velhices”. Na ocasião, ela destacou notar que muitos idosos ficam invisíveis e as pessoas demonstram pouco interesse no que eles têm a dizer.
Para Irene, essa invisibilidade é lamentável, já que o idoso aprendeu mais, viveu mais e tem muito conteúdo a compartilhar. Ela também defendeu que assumir o próprio momento faz parte da dignidade de cada um.
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Eu sou velha, eu não tenho problema em dizer que sou velha. Eu não estou na melhor idade, eu já estive. Eu não tive problema para dizer quando era jovem, então não tenho preconceito com a palavra velha. Isso é problema do outro, não é meu.”
Cenário da longevidade
A atriz Angela Dippe, 64 anos, que participou do mesmo painel, reforçou que é necessário construir uma rotina saudável ao longo dos anos para envelhecer com qualidade. Ela lembrou que, pela primeira vez, o País terá mais avós do que netos.
Daqui a pouco vai ser um bando de gente carente, demente, e sem ter ninguém para cuidar. Rir da gente traz leveza. Os perrengues biológicos estão aí e precisam ser levados em consideração.”
Mente e corpo
Ravache brincou dizendo que seu médico sempre recomenda musculação, mas confessou não gostar da prática: “Eu sou uma cachorra preguiçosa. Eu não sou um bom exemplo. Eu vejo que mulheres da mesma idade que eu (81 anos) estão indo à academia pegar seu pesinho e estão melhores do que eu sob vários aspectos”.
Contudo, a atriz ressaltou que, mais importante do que a musculação para o corpo, é o exercício para a mente:
Não podemos deixar nossas ideias flácidas. A musculação muda meu corpo, mas não minha cabeça; ela pode arejar minha cabeça, mas é essencial que haja empenho em exercícios mentais.”
Dippe lembrou que a pressão social sobre as mulheres é sempre maior que a dos homens.
“Eu não trocaria minha versão de agora pela minha versão mais jovem; eu trocaria apenas algumas peças. Agora, você só se preocupa com coisas relevantes, não tem mais um relógio, você administra melhor suas reações e o seu estresse. Envelhecer com muito humor e com muitas viagens femininas também ajuda”, afirmou.
Desafio da digitalização
Sobre a digitalização, Ravache disse que sua geração não foi criada no ambiente digital e reforçou a necessidade de atendimentos humanos, como em aeroportos, por exemplo. Ela contou que, ao viajar, um dos seus medos é perder o voo por não encontrar uma pessoa física para orientá-la.
“Isso não é normal. Seria muito bom se não só as companhias, como as administrações dos aeroportos pensassem sobre isso. Quando a mala vem na esteira, eu dependo da gentileza da pessoa que está ao lado para pegar, pois eu não tenho força”, concluiu.
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