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Você ainda escreve à mão? Entenda a importância desse hábito na velhice

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Escrever à mão melhora a retenção do conteúdo e pode até reduzir a ansiedade - Pexels
Escrever à mão melhora a retenção do conteúdo e pode até reduzir a ansiedade
Por Bárbara Ferreira

06/09/2026 | 18h09

São Paulo – Escrever à mão perdeu espaço em uma rotina dominada por telas e comandos de voz. Seja para fazer anotações simples, planejar as tarefas do dia ou ainda confessar sentimentos, esse hábito simples não devia ser perdido na velhice. Usar papel e canetaativa áreas do cérebro relacionadas à memória, coordenação motora, criatividade e compreensão, apontam especialistas.

No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular do ensino básico não determina explicitamente que a letra cursiva precise ser ensinada como conteúdo obrigatório, mas contempla o ensino de diferentes formas de escrita dentro do processo de alfabetização e letramento nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

“Embora o uso de dispositivos digitais faça parte da rotina escolar e profissional, a escrita cursiva e manual ainda ocupa espaço importante na educação formal, e deve ser reconhecida e valorizada como uma ferramenta importante para o desenvolvimento cognitivo, motor e acadêmico”, diz Patrícia Torres, coordenadora pedagógica da Escola Bilíngue Aubrick.

Na opinião de Beatriz Martins, coordenadora pedagógica do Brazilian International School (BIS), a escrita manual na alfabetização envolve coordenação motora fina, controle muscular, percepção espacial, atenção e planejamento. Ao escrever, a criança ativa simultaneamente diferentes áreas do cérebro, fortalecendo conexões neurais importantes para a aprendizagem.

A criança não apenas reconhece a letra, ela vivencia o movimento necessário para produzi-la, fortalecendo a relação entre som, símbolo e significado”, acrescenta.

Escrita à mão não deve ser abandonada

Já na vida adulta e velhice, a escrita não é mais uma ferramenta de desenvolvimento, mas uma aliada importante para produtividade, memória e saúde mental. Segundo Luísa Cassaniga, coordenadora pedagógica do colégio Progresso Bilíngue Taquaral, de Campinas, a prática melhora a retenção do conteúdo e pode até reduzir a ansiedade.

Escrever à mão ajuda o cérebro a filtrar e priorizar informações. Diferentemente da digitação, que costuma ser mais automática, a escrita manual exige síntese", disse Luísa.

Manter o hábito de escrever pode ser uma ferramenta de autocuidado e desenvolvimento pessoal. A profissional listou dicas e hábitos que ajudam a manter o cérebro ativo e ainda contribuem para mais organização e bem-estar:

  • Fazer listas de compras ou tarefas no papel;
  • Usar agenda ou planner para organizar compromissos;
  • Escrever resumos e mapas mentais ao estudar;
  • Manter um diário para registrar pensamentos e emoções;
  • Escrever cartas, bilhetes ou mensagens especiais;
  • Praticar lettering ou caligrafia como hobby;
  • Anotar metas semanais ou mensais;
  • Testar exercícios com a mão não dominante para estimular novas conexões cerebrais.

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