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Anvisa suspende venda de suplementos por fabricação clandestina em MG

Reprodução/Anvisa

A proibição total imposta pela Anvisa é o desdobramento direto da operação "Casa de Farinha" - Reprodução/Anvisa
A proibição total imposta pela Anvisa é o desdobramento direto da operação "Casa de Farinha"
Por Emanuele Almeida

09/04/2026 | 09h35

São Paulo - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, por meio da Resolução (RE) 1.361/2026, publicada na quarta-feira, 8, a apreensão de todos os produtos alimentícios fabricados pela empresa Capsul Brasil Indústria e Comercio S.A. A medida proíbe rigorosamente a fabricação, a comercialização, a distribuição, a propaganda e o uso de todos os produtos da marca.

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Histórico

A proibição total imposta pela Anvisa é o desdobramento direto da operação "Casa de Farinha", deflagrada semanas antes, no dia 25 de março. Trata-se de uma grande ação conjunta que reuniu a Anvisa, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a Vigilância Sanitária estadual, as polícias Civil e Militar, a Receita Estadual e o Corpo de Bombeiros.

O alvo da investigação foi a desarticulação de um esquema bilionário de fabricação clandestina de chás e suplementos alimentares. A estrutura operacional criminosa funcionava na cidade de Arcos (MG), em municípios vizinhos no centro-oeste mineiro e também no estado de Goiás.

A Capsul Brasil, que atuava com a sua matriz sem qualquer alvará sanitário, vendia seus produtos irregulares para todo o país, impulsionada por marketing digital e uma rede de vendedores afiliados independentes na internet.

Local operava em condições precárias 

Ao inspecionar a matriz e três galpões do grupo empresarial, as autoridades de saúde encontraram um cenário de extrema irregularidade sanitária. Os locais de fabricação e armazenamento apresentavam sujeira, mofo, umidade, falta de controle de temperatura e matérias-primas expostas sem o devido controle de qualidade.

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O grau de clandestinidade era tamanho que os fiscais encontraram uma betoneira de construção civil sendo utilizada para fabricar os suplementos alimentares.

Os produtos irregulares, conhecidos no varejo digital como "encapsulados", eram vendidos aos consumidores como se fossem medicamentos, amparados em propagandas enganosas com falsas promessas de curar problemas de saúde e efeitos terapêuticos.

Além de as alegações serem proibidas para a categoria de produtos alimentícios, os itens não continham os princípios ativos anunciados.

A investigação revelou ainda uma área de manipulação de plantas em condições higiênicas alarmantes e indícios de uso de substâncias não autorizadas na formulação de suplementos, a exemplo do extrato de ginkgo biloba.

Durante as buscas, a polícia também apreendeu uma grande quantidade de substâncias anabolizantes, cuja origem e finalidade ainda serão investigadas. Uma gráfica própria também operava em larga escala no local para imprimir os rótulos irregulares dos produtos.

Fraude bilionária e consequências

Para além dos riscos à saúde pública, o esquema estava atrelado a fraudes tributárias milionárias. A Justiça determinou a indisponibilidade de imóveis e bens dos investigados, resultando no bloqueio de mais de R$ 1,3 bilhão da empresa.

Foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão contra os envolvidos. Eles são investigados por associação criminosa, falsidade ideológica, lavagem de capitais, além de crimes contra as relações de consumo e contra a saúde pública. A empresa e todos os seus galpões clandestinos estão interditados e impedidos de funcionar desde o início da operação.

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