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Preços das passagens aéreas podem subir até 30% com guerra no Oriente Médio

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Reflexo do conflito no Oriente Médio, tendência para o preço das passagens segue em alta - Envato
Reflexo do conflito no Oriente Médio, tendência para o preço das passagens segue em alta
Por Broadcast e Fabiana Holtz

09/04/2026 | 11h21

São Paulo - Os recentes desdobramentos do conflito no Oriente Médio, com o fechamento do Estreito de Ormuz, e a interrupção no fornecimento mundial de petróleo, principal matéria-prima do querosene de aviação, começam a apresentar reflexos na indústria do Turismo. Diante desse cenário internacional, a Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) estima um encarecimento em torno de 30% nos voos nacionais e internacionais. Isso porque a tendência é que essa alta no combustível seja repassada ao consumidor final, o passageiro.

A perspectiva é de que o setor hoteleiro deve registrar nas próximas semanas um menor movimento de reservas e de turistas no País, em razão da queda na demanda por viagens.  

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Com a persistência dos conflitos (também temos a guerra entre Rússia e Ucrânia seguindo em paralelo) e o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, vários países já começam a registrar falta de querosene, com reflexo direto no setor aéreo.

"Consequentemente, as companhias áereas passam a ter acesso a um combustível mais caro", observa Edson Pinto, diretor-executivo da Federação.

Para se adequar a esse novo cenário, as companhias aéreas devem começar a limitar a oferta de passagens para voos econômicos e cortar rotas, em um verdadeiro efeito cascata afetando tanto as viagens corporativas como as de turismo. 

Na segunda-feira, visando minimizar os impactos dessa alta no preço dos combustíveis, o Governo Federal anunciou um conjunto de ações emergenciais. Entre as medidas foram anunciadas a isenção do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre o querosene de aviação.

Leia também: Governo anuncia medidas para conter alta do diesel e do gás de cozinha

Fragilidades na oferta

No âmbito internacional, Willie Walsh, diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês), avaliou que o choque recente no mercado de energia expôs fragilidades estruturais na oferta de combustíveis para aviação, especialmente pela ausência de estoques estratégicos de querosene.

Em evento em Singapura, o executivo chamou atenção para o fato de que, ao contrário do petróleo bruto, países não mantêm reservas relevantes de combustível refinado.

Temos estoques estratégicos de petróleo, mas não de querosene de aviação, afirmou, destacando que a segurança energética do setor depende cada vez mais da capacidade de refino."

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Walsh também ressaltou que o impacto vai além da aviação, já que o querosene representa apenas uma parcela da produção das refinarias. "Não é só o combustível de aviação. Os outros 90% dos produtos refinados também são afetados", disse.

Segundo o diretor, o setor ainda enfrenta um descompasso no curto prazo, já que muitas passagens foram vendidas antes da alta recente dos custos, o que limita a capacidade de repasse imediato. Nesse cenário, o ajuste tende a ocorrer de forma gradual, à medida que novas tarifas incorporam o aumento das despesas.

O diretor acrescentou que a concentração da capacidade de refino em algumas regiões ampliou a vulnerabilidade global a choques de oferta e defendeu que governos reavaliem políticas energéticas. Para Walsh, a crise deve servir de alerta para decisões mais orientadas por dados, com foco não apenas no petróleo, mas também na disponibilidade de derivados essenciais.

(Com Pedro Lima)

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