Brasil retoma diálogo com EUA sobre tarifas e rejeita medidas unilaterais
Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Brasília – Os ministros do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversaram na tarde desta segunda-feira, 31, com o representante de comércio dos EUA, Jamieson Greer, por telefone, como parte da retomada das negociações entre os dois países sobre as tarifas impostas ao Brasil. "A boa notícia é que retomamos o diálogo", afirmou o Márcio Elias à imprensa.
Leia também
O ministro ressaltou que a conversa foi possível graças ao telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente dos EUA, Donald Trump na semana passada. "Depois do telefonema, parece haver, de fato, uma solicitação clara do governo americano para que haja um acordo com o Brasil. Um acordo que reequilibre a relação, reequilibre a política tarifária."
As equipes técnicas vão se reunir novamente nos próximos dias ou na próxima semana, segundo ele. "Combinamos de fazermos reuniões virtuais e eventualmente reuniões presenciais no final do mês ou um pouco mais adiante."
Brasil diz que não aceita tarifas
Márcio Elias disse que deixou claro que o Brasil não aceita as tarifas impostas em julho. Segundo a avaliação do governo brasileiro, a taxação é indevida, injusta e descabida.
Ele disse que, na reunião de hoje, foi mencionada a questão do desmatamento e ressaltado que o Brasil vem apresentando quedas significativas nesta área, ano a ano.
Pix não entra na negociação
Com relação ao Pix, o ministro disse que o meio de pagamento é um patrimônio do Brasil. "Não há possibilidade de negociarmos o funcionamento do Pix. Isso foi ressaltado", disse.
Na avaliação do ministro, houve um "consenso bom, positivo". Ele também destacou que não é verdade que hoje as tarifas praticadas pelo Brasil sejam superiores às tarifas que os EUA praticam.
"Hoje é verdade que, com a aplicação dos 37,5%, nós temos um desequilíbrio ainda maior em favor deles. Qualquer concessão da parte do Brasil só aumentará o déficit para o Brasil. Por isso há um novo cenário e novas bases", afirmou.
Reequilíbrio e reciprocidade
O governo brasileiro mencionou, na reunião de hoje, que não é de interesse do País que haja uma retração da participação dos Estados Unidos na nossa pauta exportadora. "Ao contrário, ao longo de dois séculos, eles foram o principal parceiro comercial do Brasil. Nós queremos que isso aconteça, mas para isso é preciso que haja, da parte B, o reconhecimento de que, para reequilibrar o acordo, precisa ser reciprocamente bom", disse.
Márcio Elias reiterou que nada que possa causar dano aos interesses do Brasil será negociado ou colocado na mesa. "Precisamos afastar questões de outras, que nem sequer deveriam estar presentes nessa discussão, mas, infelizmente, todos nós sabemos, todos sabem a que eu me refiro. Elas, infelizmente, foram colocadas e agora têm que ser afastadas", afirmou.
(Por Flávia Said e Mateus Maia)
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.