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Caminhoneiros alertam para risco de paralisação após aumento do diesel

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Custos do frete não acompanham aumento do combustível, segundo a categoria - Envato
Custos do frete não acompanham aumento do combustível, segundo a categoria
Por Broadcast

17/03/2026 | 19h07

São Paulo - A alta do diesel já começa a retirar caminhões das estradas e pressionar os fretes no País, em meio ao avanço das articulações por paralisações da categoria em várias regiões. Relatos de transportadores indicam que o aumento recente do combustível, principal custo da atividade, tornou parte das operações inviável, com reflexos diretos na oferta de transporte.

O caminhoneiro e liderança da greve de 2018, Wanderlei Alves, o Dedeco, afirmou ao Broadcast que, em uma mesma rota entre o Paraná e Minas Gerais, o custo com diesel subiu R$ 890 em uma semana, sem nenhum reajuste no frete. "Paguei R$ 5,52 na segunda-feira passada e ontem paguei R$ 6,98. São 500 litros, e o frete não mexeu", disse. Segundo ele, a reação imediata tem sido reduzir a atividade. "Não vale a pena rodar no prejuízo. Já caiu muito movimento de caminhão na estrada."

Dedeco afirmou ter recusado 15 cargas nesta terça-feira e disse que pode parar o caminhão após concluir a viagem atual. Ele também relatou variações frequentes de preços nos postos. "De manhã um preço, de tarde outro, de noite outro. Subiam três, quatro vezes no dia", disse. Para o caminhoneiro, a paralisação tende a ocorrer de forma descentralizada. "Vai acabar parando o caminhão na empresa, porque não vale a pena", afirmou.

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Em nota, o diretor da Associação Nacional de Transporte de Cargas e Logística (ANTC), Sérgio Pereira, afirmou que o reajuste de 11,6% promovido pela Petrobras nas refinarias na sexta-feira (13) deve ser repassado aos contratos. "A estimativa geral aponta para um reajuste entre 10% e 12% no valor do frete", disse. Segundo ele, o cenário já leva parte dos transportadores a suspender operações.

Em alguns casos, chega a ser mais viável manter o caminhão parado do que operar com prejuízo."

Paralisação

O descompasso entre custo e receita também é apontado por lideranças que participam das discussões sobre uma possível paralisação da categoria nesta semana. O presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas de Navegantes e Região (Sinditac-Navegantes), Vanderlei de Oliveira, afirmou que há articulação entre representantes de diferentes Estados. "O foco é o acréscimo do diesel e o preço do frete não acompanhar", disse. Segundo ele, entidades buscam diálogo com o governo e aguardam eventual resposta nos próximos dias. "Pode ser que tenha uma resposta ajustando o preço do frete", afirmou.

A pressão ocorre após a escalada do petróleo no mercado internacional desde o fim de fevereiro, com o barril acima de US$ 100, em meio ao conflito no Oriente Médio, que elevou os preços do diesel no Brasil.

Na última sexta-feira (13), a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualizou a tabela de pisos mínimos de frete após a alta do combustível acionar o gatilho da Lei nº 13.703/2018, com reajustes de até 7%. Caminhoneiros, no entanto, afirmam que a recomposição não acompanha a variação recente do diesel.

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Bloqueio de rodovias

O presidente da Associação Nacional do Transporte no Brasil (ANTB), José Roberto Stringasci, afirmou em entrevista a Broadcast que o fechamento de rodovias será inevitável caso a paralisação de caminhoneiros avance, em meio à escalada do diesel e à insatisfação com o frete.

A partir do momento em que qualquer tipo de paralisação ocorra, o povo vai abraçar. E vai ser inevitável o fechamento de rodovias", disse.

Segundo ele, o movimento já deixou de ser pontual e passa por articulação nacional. A assembleia realizada na segunda-feira (16) no Porto de Santos reuniu lideranças de transportadores autônomos de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul, além de sindicatos e cooperativas da Baixada Santista, e aprovou paralisação no segmento de contêineres. Foi a primeira reunião formal da categoria para discutir uma mobilização nacional. Nesta terça-feira (17), lideranças iniciaram contato com representantes de outros Estados e categorias para ampliar a adesão. "Assim que tivermos um movimento consolidado, vamos colocar a data e vai haver a paralisação", contou Stringasci.

Na avaliação do dirigente, o diesel já consome parcela relevante da receita do transportador. "A categoria não tem condições de absorver esses reajustes. O frete já estava defasado e agora não tem mais margem", apontou. Segundo ele, o combustível já representa quase metade do valor do frete em algumas operações. Em alguns lugares, segundo Stringasci, o aumento do diesel já supera 15% desde o fim de fevereiro.

A atualização da tabela de pisos mínimos pela ANTT não alterou o cenário, segundo o dirigente. "Não teve efeito nenhum. O diesel subiu muito mais do que o reajuste da tabela", disse. Ele afirmou que o cálculo não reflete o impacto do petróleo sobre outros custos da operação, como pneus e componentes.

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Aumento de preços

Para Stringasci, a pressão sobre o transporte tende a chegar ao consumidor final. "Se houver reajuste de frete, quem vai pagar é a população, na prateleira, no açougue, na farmácia", disse. Ele afirmou que, sem medidas de curto prazo, há risco de aumento generalizado de preços nas próximas semanas.

O cenário se intensificou após o pacote anunciado pelo governo em 12 de março, com zeragem de PIS/Cofins e subvenção ao diesel, perder efeito com o reajuste de 11,6% anunciado pela Petrobras no dia seguinte. Mesmo após a alta, a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) aponta defasagem em relação ao preço internacional, indicando espaço para novos aumentos.

(Por Gabriel Azevedo)

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