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Campanhas combatem o assédio sexual no Carnaval: saiba o que fazer

Fernando Frazão/Agência Brasil

A campanha “Não é Não! Respeite a decisão”  reforça o combate ao assédio e à importunação sexual - Fernando Frazão/Agência Brasil
A campanha “Não é Não! Respeite a decisão” reforça o combate ao assédio e à importunação sexual
Por Marcel Naves

13/02/2026 | 17h07

São Paulo 13/02/2026 - O Carnaval chegou como sempre trazendo muita animação. São desfiles de escolas, blocos para todos os gostos, bailes e inúmeras brincadeiras. Um momento de festa, mas que ainda tem como preocupação antigas questões, como o combate à importunação sexual.

Dados alarmantes

Um  recente levantamento realizado pelo Instituto Locomotiva revela que 47% das mulheres no Brasil já passaram por situações de assédio no período do Carnaval, o equivalente a cerca de 40 milhões. Além disso, 79% afirmam que têm medo de enfrentar este problema durante a festividade, o que representa aproximadamente 68 milhões de brasileiras.

Apesar da persistência do problema, o levantamento mostra um alto nível de consenso social sobre a gravidade do cenário: 86% da população brasileira concordam que o assédio ainda existe no Carnaval e que combatê-lo é responsabilidade de todos, índice que chega a 89% entre mulheres e 82% entre homens.

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O Instituto Locomotiva fez 1.503 entrevistas digitais com pessoas de 18 anos ou mais, ponderadas por gênero, faixa etária, escolaridade, classe social e região, com base na PNAD Anual 2024 (IBGE).

À Agência Brasil, a diretora de pesquisa do instituto, Maíra Saruê, disse que os resultados deste trabalho demonstram um problema que extrapola a folia.

A gente está falando do direito de ir e vir, mas também do direito ao lazer, da possibilidade de viver na cidade e de ocupar os espaços públicos. São questões super importantes. Querer ou não participar do Carnaval é uma decisão individual de cada um, mas poder ter acesso a ele é um direito muito importante."

Visando fortalecer essa proteção, os governos federal e estaduais colocaram em prática campanhas, protocolos e operações específicas. Conheça algumas dessas iniciativas:

“Se liga ou eu ligo 180” (governo federal)

O Ministério das Mulheres busca o enfrentamento à violência de gênero como parte do Carnaval. Com o slogan “Se liga ou eu ligo 180”, a estratégia aposta numa linguagem direta para reforçar três ideias centrais:

  • O direito das mulheres de ocupar o espaço público sem medo;
  • A afirmação de que violência não é “brincadeira de Carnaval”; 
  • A responsabilidade coletiva de intervir diante do assédio.

Para isso, o ministério utilizou uma ampla publicidade espalhando painéis, faixas e materiais gráficos em sambódromos, blocos e circuitos oficiais, sempre vinculando a mensagem ao Ligue 180, canal gratuito de denúncia e orientação disponível 24 horas,  inclusive por WhatsApp.

“Não é não” – Rio de Janeiro

No Rio, a Secretaria Estadual da Mulher coordena uma força-tarefa que reúne Polícia Militar, Liga das Escolas de Samba, empresários, camarotes, blocos de rua e comerciantes, com foco na formação de uma rede de acolhimento.

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Desde 2025, um decreto tornou obrigatória a capacitação de profissionais que atuam em grandes eventos, que passam a aprender como reconhecer sinais de importunação e  intervir com segurança.
A campanha “Não é não” reforça o consentimento como regra básica, enquanto ações presenciais no Sambódromo da Sapucaí garantem visibilidade constante da mensagem.

A Patrulha Maria da Penha também atua nos circuitos, oferecendo orientação direta e atendimento imediato. A lógica é transformar bares, camarotes e blocos em pontos ativos de proteção, não apenas locais de lazer.

“Não acabe com a minha festa” – Distrito Federal

As equipes da Secretaria da Mulher vão até onde a festa acontece e, pelo quarto ano consecutivo, servidores percorrem blocos, bares, restaurantes e eventos nasregiões administrativas do DFrealizando abordagens educativas, conversas com comerciantes e orientação a foliões.

São distribuídos cerca de 3 mil cartazes e adesivos com o slogan “Não acabe com a minha festa”,  e com QR Codes que direcionam ao site da secretaria e aos canais de denúncia (190, 156 e 180).
O DF implementou ainda o Protocolo “Por Todas Elas”, que obriga espaços públicos e privados a adotar medidas de segurança e apoio a mulheres vítimas de violência, institucionalizando responsabilidades para organizadores de eventos. A proposta é combinar informação, proximidade e resposta rápida.

“Alegria sim, assédio não” – São Paulo

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo lançou a segunda edição do projeto “OAB Por Elas no Carnaval”, iniciativa que oferece acolhimento humanizado e suporte jurídico gratuito a mulheres vítimas de assédio, importunação ou agressões sexuais durante a folia.

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Com o slogan “Alegria sim, assédio não”, a ação mobiliza mais de 300 advogadas voluntárias que atuam em plantões presenciais na capital e também de forma online em todo o Estado. O atendimento pode ser solicitado pela plataforma “Ela Protegida”, garantindo orientação jurídica imediata, esclarecimento sobre direitos e apoio para registro de denúncias.

“Depois do Não, é Crime, Uai!” – Minas Gerais

O governo de Minas Gerais  combina prevenção educativa com reforço institucional. A Polícia Civil mobilizou milhares de agentes, instalou delegacias móveis em áreas de grande fluxo e reforçou  o funcionamento 24 horas das unidades de plantão.

Paralelamente, a campanha “Depois do Não, é Crime, Uai!”  conta com servidores bilíngues para atendimento a turistas e integração com outras forças de segurança.

“Oxe, me respeite!” – Bahia

Na Bahia, a prevenção é conduzida pela campanha “Oxe, me respeite!”, coordenada pela Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), que atua de forma direta nos circuitos oficiais da festa em Salvador e em municípios do interior.

A estratégia combina comunicação pública e atendimento presencial onde equipes instalam tendas fixas em pontos de grande circulação para oferecer acolhimento imediato, orientação, escuta qualificada e encaminhamento de mulheres em situação de assédio ou violência para a rede de proteção, como a Casa da Mulher Brasileira e outros serviços especializados.

A campanha realiza ações educativas com foliões, trabalhadores e comerciantes, reforçando a mensagem de que importunação sexual é crime e que o respeito é condição básica para a festa. Ao marcar presença física nos espaços do Carnaval, o governo busca reduzir a subnotificação, facilitar denúncias e garantir que mulheres saibam onde encontrar ajuda rápida e segura.

Anhembi terá ônibus de acolhimento e delegacia móvel 

O Sambódromo do Anhembi, na zona norte de São Paulo, terá um ônibus de acolhimento euma delegacia móvel exclusivos para atender mulheres durante os desfiles das escolas de samba.

O Ônibus SP Por Todas ficará estacionado no local na sexta (13) e no sábado (14), das 19h às 5h. Já a unidade móvel da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) atenderá de sexta (13) a domingo (15).

A DDM móvel funcionará como ponto de atendimento primário. As equipes poderão ouvir as vítimas, formalizar a ocorrência e, se necessário, encaminhá-las a uma delegacia física ou ao Instituto Médico Legal (IML). A Delegacia de Defesa da Mulher móvel também estará na terça-feira (17) na Avenida Ipiranga, no centro, durante o horário das principais festas de carnaval.

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