CONFIRA

Distribuição própria não livra município da grande São Paulo do racionamento

A cidade de São Caetano do Sul, no ABC paulista que detém um dos IDH’s mais altos do país está com seu abastecimento de água reduzido

Marcel Naves

Por Marcel Naves

01/12/2025 | 16h51 ● Atualizado | 18h41

Envato

Distribuição em São Caetano é feita pela empresa municipal Saesa, mas água é fornecida pela Sabesp - Envato
Distribuição em São Caetano é feita pela empresa municipal Saesa, mas água é fornecida pela Sabesp
Ouvir texto 2:27 1x

A prefeitura de São Caetano do Sul, que ocupa o topo da categoria de indicadores sociais do ranking da agência Austin Rating e aparece com destaque em diversos levantamentos sobre qualidade de vida, decidiu adotar o racionamento de água devido à queda no nível do Sistema Cantareira, que abastece a cidade e grande parte da Região Metropolitana.

A restrição no abastecimento vai das 19 horas às 5 horas da manhã, e deve perdurar até que o nível do sistema seja recuperado pelas chuvas. No município, a distribuição é feita pela empresa Saesa (Sistema de Água, Esgoto e Saneamento Ambiental) mas o abastecimento é da Sabesp, que desde agosto adotou a redução de pressão de água neste período do dia em diversas cidades atendidas por ela.

O consumo total de água em São Caetano é de 14 milhões de metros cúbicos por ano (referência de 2023, do Instituto Trata Brasil). Em uma publicação feita nas redes sociais a prefeitura alega que a Sabesp está adotando medidas de contenção do consumo promovendo racionamento. 
Em nota distribuída à imprensa, a Sabesp nega o racionamento e informa que São Caetano, da mesma forma que outras cidades atendidas pela companhia, passa por uma redução de pressão de água à noite, para enfrentamento da crise hídrica que baixou o nível dos reservatórios.

Sistema Cantareira 

O Sistema Cantareira, principal reservatório de abastecimento de água do estado de São Paulo, registrou, na sexta-feira (28/11), o menor nível em quase 10 anos. Com apenas 21,3% do volume total disponível, o Cantareira é responsável por abastecer, aproximadamente, 46% da população da Grande São Paulo.
Leia também: Sabesp diz que poupa 4,9 bi de litros com redução da pressão da água à noite

O nível do reservatório é o menor desde 23 de fevereiro de 2016, quando o sistema registrou a marca de 21,4%. No início do ano, o Cantareira contava com 60% do volume total disponível, valor alcançado pelas chuvas do final de dezembro de 2024 e de janeiro deste ano. 

O que diz a Sabesp

Em nota encaminhada ao Portal VIVA, a Sabesp afirma que não há racionamento de água em São Caetano do Sul. O que está em vigor na cidade, assim como em toda a Região Metropolitana de São Paulo, é a redução de pressão no período noturno, medida preventiva e temporária adotada pela Sabesp desde 27 de agosto, por determinação da Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo), diante do cenário de estiagem.

O comunicado segue esclarecendo que em São Caetano do Sul, a implantação local da medida foi iniciada em 17 de novembro, conforme definido em reunião da Sabesp com a administração municipal e em alinhamento com a Arsesp, seguindo os mesmos critérios operacionais aplicados à RMSP. O município está operando, então, dentro dos parâmetros regulatórios que estabelecem 10 horas diárias de redução de pressão, de forma contínua e padronizada, contribuindo para o equilíbrio do sistema e a proteção dos mananciais.

A redução de pressão que a Sabesp vem aplicando, ocorre diariamente entre 19h e 5h, visando preservar os reservatórios que abastecem a região. Desde o início da medida, mais de 44 bilhões de litros de água foram economizados, contribuindo para conter a queda nos níveis dos principais sistemas produtores.


Leia também: Famílias de baixa renda da Grande São Paulo receberão caixas d’água grátis

Consumo deve crescer 25% até 2050

No Nordeste e no Centro-Oeste, regiões com maior escassez, a falta de água pode vir a ultrapassar 30 dias até 2050. As mudanças climáticas e as perdas na distribuição estão entre as causas. A previsão está no estudo  “Demanda Futura por Água em 2050: Desafios da Eficiência e das Mudanças Climáticas” do Instituto Trata Brasil, divulgado em novembro. 

Ao Portal VIVA, a presidente executiva da entidade, Luana Pretto explicou que o crescimento no consumo está atrelado a vários fatores, sendo as questões climáticas um das principais. 
"Esse aumento do consumo é puxado pela ampliação da oferta de água, pela expansão demográfica, e o crescimento econômico do País, mas também por um aumento da temperatura do planeta, que tende a ser de 1ºC até o ano de 2050. Esses fatores combinados, fazem com que a previsão de aumento do consumo no Brasil seja da ordem de 25%, indo de 175 litros por habitante por dia para 219 litros por habitante por dia", afirmou a especialista.

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.