Endividados terão desconto de 30% a 90% com Desenrola 2.0, diz Lula
Reprodução/Youtube Lula
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu detalhes do programa Desenrola 2.0, que será lançado na segunda-feira, 4, no pronunciamento do Dia do Trabalhador em rede nacional de rádio e televisão nesta quinta-feira, 30. Segundo o presidente, os endividados beneficiados terão desconto de 30% a 90% no valor da dívida, poderão sacar até 20% no saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e terão juros de, no máximo, 1,99%.
O presidente também afirmou que o programa poderá ser utilizado para a negociação de dívidas de cartões de crédito, cheque especial e pessoal, rotativo e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Segundo o presidente, o programa pretende resolver as finanças de famílias. Lula afirmou que a situação do endividamento foi encontrada por ele quando chegou ao governo e que ela teria "crescido por anos".
"Nós encontramos o Brasil e os brasileiros endividados. A dívida das famílias cresceu por anos e agora está sufocando uma parte da sociedade brasileira. Por isso, vamos lançar, na próxima segunda-feira, o Novo Desenrola Brasil, um conjunto de medidas para ajudar a resolver a vida financeira das famílias endividadas", afirmou Lula.
Lula também anunciou que quem for beneficiário do programa não poderá ter acesso a plataformas de apostas online por um ano. "O que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet", disse.
O presidente ainda procurou creditar ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a entrada das plataformas de aposta online e prometeu "colocar um limite na destruição" dessas empresas.
O discurso do presidente em rede nacional segue a cartilha adotada por Lula neste ano. A principal missão do ministro da Fazenda, Dario Durigan, é encontrar formas de aliviar as dívidas das famílias, visando a popularidade do governo na reta da eleição. Por outro lado, o presidente endureceu o discurso contra as bets e já diz, publicamente, ser favorável a uma proibição total desta atividade.
Escala 6x1
O presidente também usou o pronunciamento para defender o fim da escala de trabalho 6x1. Segundo o presidente, a redução da jornada de trabalho é importante para permitir aos trabalhadores mais tempo para passar com a família e ir para as igrejas.
Ele considerou o mês de abril “histórico” por conta do envio do projeto de autoria do governo que acaba com a escala 6x1. "Não faz sentido que, em pleno século 21, com toda a evolução tecnológica, milhões de brasileiros e brasileiras tenham que trabalhar seis dias por semana para descansar apenas um dia. Para as mulheres, a situação é muito mais difícil”, afirmou o presidente no pronunciamento, que deve a duração de sete minutos.
Lula também fez um balanço das ações do governo, como os números positivos da economia, a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, mas admitiu que as entregas ainda são poucas “diante das necessidades das famílias”.
Privilégios e escravidão
Lula também adotou um discurso “antissistema” no pronunciamento. Segundo ele, o sistema que seria formado pelo “andar de cima, bilionários e elite que mantém privilégios” joga contra o governo federal. O presidente disse ainda que, se dependesse do grupo, a abolição da escravatura, assinada em 1888, não teria entrado em vigor.
Os obstáculos que temos pela frente são enormes. Cada vez que damos um passo adiante para melhorar a vida do povo brasileiro, o sistema joga contra. O andar de cima, os bilionários, a elite que só pensa em manter privilégios às custas do povo. Se dependesse do sistema, nem a escravidão teria sido abolida no Brasil”, afirmou.
Ao defender o projeto de lei que acaba com a escala de trabalho 6x1, Lula também declarou que a “turma do andar de cima”, da mesma forma que se opõe à redução da jornada de trabalho, também fazia oposição a pautas como a instituição do salário mínimo, das férias remuneradas e do 13º salário.
“Eu sei muito bem que todos os direitos dos trabalhadores foram conquistados com muita luta. A elite brasileira sempre foi contra melhorias para o trabalhador: o salário mínimo, as férias remuneradas, o 13º salário. A turma do andar de cima disse que cada uma dessas conquistas ia quebrar o Brasil. E o Brasil nunca quebrou por dar direito aos trabalhadores. Sempre ficou mais forte”, afirmou o presidente.
(Por Gabriel de Sousa)
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