Entidades manifestam preocupação em relação à aplicação da Lei de Reciprocidade

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Avaliação é de que a aplicação da Lei de Reciprocidade contra o tarifaço imposto pelos EUA poderia agravar o conflito bilateral - Adobe Stock
Avaliação é de que a aplicação da Lei de Reciprocidade contra o tarifaço imposto pelos EUA poderia agravar o conflito bilateral

Por Francisco Carlos de Assis, Eduardo Laguna, Gustavo Nicoletta e Isadora Duarte, da Broadcast

redacao@viva.com.br
Publicado em 29/08/2025, às 19h17
Brasília e São Paulo, 29/08/2025 - A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Frente Parlamentar da Agricultura (FPA) manifestaram preocupação com a aplicação de medidas de reciprocidade ao tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos aos produtos brasileiros.
Para a Amcham, essas medidas tenderiam a agravar o conflito bilateral e reduzir o espaço para negociações, ampliando incertezas para os negócios. “A Amcham Brasil reitera seu entendimento de que soluções comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos devem ser buscadas pela intensificação do diálogo e a abertura de negociações, com o objetivo de preservar e ampliar a parceria bilateral”, diz a câmara em nota.
Leia também: Lula afirma que não tem pressa para aplicar reciprocidade aos Estados Unidos
 A Amcham cita uma de suas pesquisas recentes mostrando que 86% das empresas avaliam que medidas de reciprocidade tenderiam a agravar o conflito bilateral e reduzir o espaço para negociações, ampliando incertezas para os negócios.
 Entre as principais preocupações de eventuais contramedidas estão os prejuízos à imagem do Brasil como destino de investimentos, aumento da insegurança jurídica, riscos a cadeias produtivas no Brasil, que dependem de insumos e tecnologias dos Estados Unidos, e perda de competitividade internacional.
 O texto diz ainda que, na próxima semana, a Amcham Brasil estará em Washington para participar da audiência pública sobre a investigação aberta nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, além de compromissos com o setor público americano.
“A entidade segue engajada em apoiar os esforços do governo brasileiro para intensificar os canais de diálogo com as autoridades americanas e reforça sua disposição em contribuir para um desfecho equilibrado e mutuamente benéfico”, afirma a Amcham.

CNI

A CNI considera que "não é o momento" de o Brasil aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, e avalia que é preciso insistir no "uso de instrumentos de negociação" para reverter os efeitos negativos das tarifas norte-americanas sobre as exportações brasileiras.
 Em nota, o presidente da CNI, Ricardo Alban, diz que agora é necessário "cautela e discussões técnicas", e que uma comitiva liderada pela confederação, com mais de 100 líderes de associações e empresários industriais, desembarcará no começo da semana que vem em Washington para falar com empresários e representantes do poder público dos Estados Unidos.
"Nosso propósito é abrir caminhos para contribuir com uma negociação que possa levar à reversão da taxa de 50% e/ou buscar obter mais rapidamente o aumento de exceções ao tarifaço sobre produtos brasileiros”, acrescentou Alban.

FPA

 A FPA afirmou que acompanha com "atenção" a abertura do processo para aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica pelo governo brasileiro contra os Estados Unidos. "Diante das incertezas geradas pela política tarifária recente dos Estados Unidos - incluindo a adoção de tarifas elevadas sobre produtos brasileiros -, a FPA defende cautela na aplicação imediata da Lei da Reciprocidade, priorizando critérios técnicos e comerciais", disse a bancada da agropecuária, em nota.
 Na noite de quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou o Itamaraty a acionar a Câmara de Comércio Exterior (Camex) para iniciar consultas, investigações e medidas com vistas à aplicação de medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos. A reciprocidade é estudada pelo governo como resposta ao tarifaço de 50% dos Estados sobre produtos importados brasileiros.
 Para a FPA, a ação brasileira pode prejudicar a defesa oral de diversas entidades e representantes do setor produtivo brasileiro, em Washington, no âmbito do processo formal junto ao Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que começa na próxima semana. "A avaliação prematura de contramedidas neste momento pode enviar sinalizações equivocadas e comprometer a própria estratégia de negociação internacional do Brasil", alertou a frente.
Palavras-chave Amcham CNI EUA FPA Lula reciprocidade

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